Famílias são despejadas e casas demolidas no Pinhão depois de 30 anos

Nesta sexta feira, dia 01 de dezembro, a cidade de Pinhão/PR presenciou um dos maiores absurdos já vistos na região: um despejo de famílias, que moravam há mais de 30 anos em uma área antes pertencente à empresa Zatter, na localidade de Alecrim.

Por volta das 11 da manhã, a Polícia Militar cumpriu a ordem de reintegração de posse, mas em uma ação lamentável, onde as casas, os barracões, as plantações e até a igreja que havia no local foram destruídos com o uso de uma máquina escavadeira, pertencente à empresa. As famílias foram simplesmente jogadas na rua, como se o Estado não tivesse nenhuma responsabilidade social com elas.

O prefeito da cidade do Pinhão, Odir Gotardo (PT), em nota, lamentou o corrido e disse que a tutela da propriedade improdutiva, descompromissada com o desenvolvimento social e econômico do município, se sobrepõe ao direito à vida e a dignidade humana. Ele ainda disse que a forma de reintegração se parece mais com um ato de vandalismo, do que um ato judicial.

 

A prefeitura já está preparando um abrigo para as famílias, com alimentação e apoio, e também está convocando a população para um ato em solidariedade às famílias, para amenizar o seu sofrimento.

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, intercedeu junto ao governador Beto Richa, para tentar impedir a ação.

 

 

A reintegração não soluciona o conflito, pelo contrário, causa ainda mais problemas para o município, que já tem seus problemas sociais e muitos desempregados. Esta semana aconteceram reintegrações de posse em assentamento de diversos estados, jogando milhares de famílias na disputa por vagas de emprego e influenciando nas relações de trabalho. Quem está empregado, ou está negociando vagas de emprego, agora, sente-se mais pressionado a aceitar as condições permitidas na nova reforma trabalhista, que passou a valer no dia 11 de novembro. A cada dia se torna mais insustentável a luta por sobrevivência para o povo mais pobre. AS famílias despejadas são famílias deixando de produzir alimentos e passando a disputar vagas de emprego que não existem, na cidade. Isso afeta diretamente toda a região, principalmente municípios onde já há desigualdade e desemprego mais acentuados, como General Carneiro.

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