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Correios registra prejuízo recorde de R$ 4,37 bi e intensifica debate sobre gestão estatal

Política

Brasília – O primeiro semestre de 2025 encerrou-se com um resultado altamente negativo para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A estatal acumulou prejuízo de R$ 4,37 bilhões, valor que triplica o déficit visto em igual período de 2024, quando o rombo somou R$ 1,35 bilhão.

Despesas disparam e receitas encolhem

Segundo demonstrativos internos, as despesas gerais e administrativas tiveram salto expressivo. Entre janeiro e junho, esses gastos passaram de R$ 1,959 bilhão, em 2024, para R$ 3,414 bilhões neste ano. O principal fator apontado é o crescimento nas despesas com pessoal, reflexo de acordos salariais firmados no fim do ano passado e de contratações temporárias para suprir lacunas operacionais.

Do lado das receitas, o desempenho também foi desfavorável. O faturamento bruto recuou de R$ 9,283 bilhões (2024) para R$ 8,185 bilhões (2025), queda nominal de 11,8 %. A retração é atribuída sobretudo à redução no volume de encomendas internacionais, segmento que vinha sustentando a receita da companhia na última década.

Em comunicado interno, a diretoria reforçou que o “novo marco das compras internacionais” – popularmente conhecido como “taxa das blusinhas” – provocou forte retração nas remessas vindas do exterior. Ainda de acordo com a estatal, a mudança regulatória atendeu a demanda do varejo nacional, mas afetou diretamente a arrecadação dos Correios.

Saída do presidente amplia instabilidade

Antes mesmo de o balanço semestral ser fechado, a crise já havia derrubado a cúpula da empresa. Em 4 de julho, o então presidente Fabiano Silva dos Santos entregou carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A renúncia ocorreu logo após o anúncio de que o prejuízo do primeiro trimestre alcançara R$ 1,7 bilhão e de que a companhia avaliava solicitar suporte financeiro da União.

Após a saída de Silva dos Santos, o governo ainda não confirmou um nome definitivo para o comando da estatal. Enquanto isso, diretores indicados na gestão anterior tocam a operação cotidiana e preparam um plano emergencial de corte de gastos que, segundo fontes internas, inclui revisão de contratos terceirizados e adiamento de investimentos não prioritários.

Passivo crescente e alerta ao Tesouro

Com o déficit recorde, o passivo acumulado dos Correios se aproxima de R$ 10 bilhões, elevando a pressão sobre o Tesouro Nacional. Relatórios preliminares indicam que, se não houver reversão no fluxo de caixa, a empresa poderá exigir aporte direto ainda em 2025 para honrar obrigações previdenciárias e fornecedores estratégicos.

Integrantes da equipe econômica manifestam preocupação com o impacto dessa eventual transferência de recursos públicos em meio ao esforço de ajuste das contas federais. Técnicos ressaltam que, apesar de os Correios terem natureza jurídica de empresa pública, o controle acionário integral da União implica responsabilidade solidária sobre dívidas trabalhistas e compromissos previdenciários.

Fatores que ampliam a crise

Além da queda no comércio exterior e do aumento das despesas, executivos listam outros elementos que prejudicam a situação financeira:

  • Concorrência mais incisiva de operadores privados de logística, que capturam fatias crescentes do e-commerce doméstico.
  • Encolhimento do mercado de correspondências físicas, afetado pela digitalização de bancos e prestadores de serviço.
  • Obsolescência de parte da infraestrutura de triagem e transporte, que eleva custos de manutenção.

Próximos passos sob análise

Para conter o avanço do déficit, a administração interina avalia um programa de readequação de agências, combinando fechamento de unidades deficitárias e transformação de postos menores em pontos de coleta. Também está em estudo a ampliação de parcerias comerciais para distribuição em “last mile”, modelo já adotado por concorrentes privados.

No Congresso, setores ligados à área econômica defendem a discussão de um novo marco regulatório para o serviço postal, de modo a reduzir exigências legais e facilitar investimentos externos na estatal. Até o momento, porém, o Palácio do Planalto não sinalizou apoio a uma abertura de capital ou privatização parcial.

Enquanto não há definição, o desempenho financeiro continuará acompanhado de perto por agências de classificação de risco, uma vez que o resultado do próximo trimestre deve indicar se o prejuízo segue em trajetória ascendente ou se as medidas emergenciais terão efeito concreto.

Mais detalhes sobre o cenário político que influencia decisões econômicas estão disponíveis na seção dedicada de nosso portal. Para aprofundar, acesse a categoria de Política.

O balanço semestral dos Correios expõe desafios que exigem respostas rápidas para evitar que o rombo se torne insustentável. Acompanhe nossas próximas publicações e fique informado sobre os desdobramentos dessa crise estatal.

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