Parlamentares do bloco conhecido como Centrão intensificaram, nos últimos dias, as tratativas para definir ainda em 2024 o nome que representará a direita na disputa presidencial de 2026. A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) serviu de catalisador: líderes de legendas que hoje integram a base do governo Lula avisam que só desembarcarão dos ministérios e cargos de segundo escalão quando o candidato da direita estiver sacramentado.
Exigência por um “piloto” antes da ruptura
Presidentes de partidos do Republicanos, PP, PSD, MDB e União Brasil disseram à imprensa, sob reserva, que não veem sentido em abandonar a máquina federal sem a garantia de um projeto competitivo. Uma fonte comparou a situação a “entrar num avião sem saber quem é o piloto”. O recado é claro: para enfrentar a estrutura petista em 2026, o campo conservador precisa oferecer um nome com densidade eleitoral comprovada.
Embora o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tenha permitido a Bolsonaro receber aliados em sua residência em Brasília, as restrições impostas pela prisão domiciliar — sem telefone celular e com horários limitados — reduziram a capacidade de articulação do ex-chefe do Executivo. Na avaliação de dirigentes partidários, essa circunstância torna imprescindível acelerar a escolha do sucessor político para que a direita não perca tempo.
Tarcísio de Freitas desponta como consenso
Dentro do Centrão, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surge como o nome preferido. Dados de pesquisas internas mostram que o ex-ministro da Infraestrutura tem a menor rejeição entre os pré-candidatos conservadores e desempenho competitivo em cenários de segundo turno contra o presidente Lula. O fato de comandar o maior estado do país também pesa: ele controla um orçamento robusto, visibilidade nacional e conta com alianças que cruzam diferentes bancadas.
Líderes partidários reconhecem o “espírito desconfiado” de Bolsonaro, que tradicionalmente prefere figuras de seu círculo familiar. Ainda assim, avaliam que, diante do risco de derrota em 2026, o ex-presidente precisará ceder e lançar alguém capaz de ampliar votos no eleitorado de centro. Tarcísio, apontam, reúne atributos técnicos e perfil político mais moderado, facilitando diálogo com siglas que hoje participam da administração petista.
Segundo interlocutores, a expectativa é que Bolsonaro sinalize publicamente apoio ao governador paulista antes do fim do primeiro semestre de 2024. Caso contrário, dirigentes de partidos do Centrão pretendem manter cargos na Esplanada, esvaziando a pressão sobre o Planalto e adiando a definição eleitoral.
A equação de poder no Congresso
O grupo de legendas cobiçado pela direita soma bancadas expressivas na Câmara e no Senado, condição que garante acesso a emendas e relatorias estratégicas. Para o Palácio do Planalto, a permanência desse bloco na base é fundamental à aprovação de projetos econômicos e medidas provisórias. A eventual saída simultânea de Republicanos, PP, PSD, MDB e União Brasil reduziria a margem de segurança do governo e aumentaria o poder de barganha da oposição.


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Ainda que o Centrão costume adotar postura pragmática, interlocutores afirmam que há, desta vez, forte disposição de embarcar num projeto conservador já no primeiro turno. O cálculo é simples: sem a força do Planalto, o PT dependerá de alianças estaduais para sustentar a campanha de reeleição de Lula, abrindo espaço para transferência de apoios regionais ao candidato da direita.
Calendário e próximos passos
Na prática, a definição de candidaturas só ocorrerá na janela partidária de março de 2026, quando as convenções homologam as chapas. Entretanto, a pressão do Centrão busca antecipar a decisão para consolidar palanques estaduais, definir coligações proporcionais e garantir recursos do Fundo Eleitoral. Caso Tarcísio seja confirmado, deve iniciar uma agenda de viagens fora de São Paulo, com foco no Norte e Nordeste, regiões onde Bolsonaro enfrentou maior resistência em 2022.
Enquanto isso, líderes do PP e do Republicanos reforçam o discurso de independência em votações no Congresso, sinalizando ao governo que sua fidelidade tem prazo de validade. Nos bastidores, articuladores do Planalto admitem preocupação com a possível debandada, mas apostam na incerteza sobre o futuro jurídico de Bolsonaro para manter as siglas sob controle.
Para analistas, a disputa de 2026 se desenha como o principal teste de unidade da direita desde 2018. O Centrão, disposto a trocar cargos por protagonismo eleitoral, exige que Bolsonaro escolha “o piloto” — e, até agora, o nome que reúne mais apoio é Tarcísio de Freitas.

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