Brasília — Chefes de Executivo estaduais alinhados à direita pressionam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar medidas imediatas para reverter a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Reunidos na noite de quinta-feira (7) na residência oficial do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, os governadores argumentaram que a postura do governo federal vem sendo tímida e pouco eficaz diante do impacto direto no agronegócio e na indústria.
Reunião em Brasília concentra críticas à falta de ação federal
O encontro foi articulado pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, e contou com a presença de Romeu Zema (MG), Jorginho Mello (SC), Ratinho Júnior (PR), Wilson Lima (AM), Tarcísio de Freitas (SP), Cláudio Castro (RJ) e Ronaldo Caiado (GO). O grupo debateu o chamado “tarifaço” do presidente norte-americano Donald Trump, que atinge especialmente a exportação de carne, café e derivados industriais.
Segundo os presentes, a sobretaxa coloca em risco milhares de empregos e compromete o superávit da balança comercial. Para o governador paulista, Tarcísio de Freitas, a ausência de um cronograma claro de negociação demonstra falta de prioridade no Planalto. “É fundamental haver engajamento imediato do governo federal, com prazos definidos e metas objetivas, para restabelecer uma relação construtiva com os Estados Unidos”, declarou.
Romeu Zema reforçou a crítica, citando a dependência de Minas Gerais das exportações de café. Já Mauro Mendes alertou que a pecuária mato-grossense pode sofrer retração de investimentos caso o impasse se prolongue.
Pressão legislativa: anistia de 8 de janeiro e impeachment no STF
Além da pauta comercial, os governadores defenderam ação política no Congresso. Eles pedem a votação de projeto que concede anistia aos envolvidos nos episódios de 8 de janeiro e cobram andamento do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Para Ronaldo Caiado, a maioria parlamentar deve determinar a agenda: “Quem tem maioria pauta e vota. Democracia é isso”.
Os líderes estaduais avaliam que a mobilização em torno da anistia e do impeachment pode fortalecer a articulação para revisão das tarifas. Ao vincular as duas frentes, pretendem ampliar a pressão sobre o Palácio do Planalto a adotar posturas mais firmes frente a Washington e ao Judiciário.
Governadores buscam alternativas em mercados emergentes
Paralelamente às cobranças, representantes estaduais buscaram oportunidades fora do eixo Brasil-EUA. Durante evento empresarial do LIDE em Nova Délhi, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, defendeu a expansão das relações com a Índia. “Diante do ambiente tarifário adverso, diversificar parceiros e abrir novos canais comerciais é estratégia prudente”, afirmou.
A Índia surge como destino potencial para commodities agrícolas brasileiras, especialmente proteína animal e café. Gestores avaliam que acordos bilaterais com países asiáticos podem reduzir a dependência do mercado norte-americano e pressionar Washington a reavaliar a sobretaxa.


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Setores afetados e impacto regional
A tarifa de 50% incide sobre produtos agropecuários in natura e industrializados. Dados preliminares das secretarias estaduais indicam que São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás concentram 70% das exportações afetadas. O setor de carne bovina, principal motor econômico em Mato Grosso e Goiás, projeta queda de até 15% na receita do segundo semestre caso o entrave persista.
Em Santa Catarina e Paraná, a indústria de proteína suína também estima recuo, enquanto Amazonas prevê desaceleração na exportação de concentrados de café e produtos da Zona Franca. Governadores afirmam que a manutenção da tarifa compromete arrecadação de ICMS, inviabilizando investimentos em infraestrutura e programas sociais.
Próximos passos na tentativa de reversão
Os governadores decidiram criar um grupo técnico permanente com representantes das secretarias de Fazenda, Agricultura e Relações Internacionais para acompanhar a evolução das tratativas. A intenção é elaborar relatórios mensais de impacto econômico e apresentá-los ao Itamaraty e ao Ministério da Fazenda, reforçando a urgência de diálogo direto com a Casa Branca.
Também ficou agendada nova reunião para o início de setembro, quando o grupo pretende avaliar o avanço — ou a ausência dele — das ações prometidas pelo Executivo federal. Caso não haja progresso, os chefes estaduais estudam levar delegação própria a Washington para encontros com parlamentares e autoridades do Departamento de Comércio.
Com a pressão intensificada, governadores esperam que o governo Lula reveja a estratégia diplomática e priorize a defesa dos produtores nacionais perante a tarifa imposta pelos Estados Unidos.

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