Brasília – O 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizado neste domingo (3), foi palco de um momento simbólico que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o neto do ex-ditador cubano Fidel Castro e nomes históricos do PT condenados por escândalos de corrupção.
Encontro com herdeiro de Fidel
Lula foi fotografado abraçando Fidel Antônio Castro Smirnov, conhecido como “Fidelito”, de 45 anos. O cubano é neto de Fidel Castro, líder da revolução que instalou o regime comunista na ilha em 1959. A aproximação ocorreu nos bastidores do congresso petista, em Brasília, e ganhou repercussão após publicação nas redes sociais do vice-presidente nacional do partido e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá.
Quaquá disse ter “ajudado a construir” o encontro e destacou que Fidelito deve desenvolver pesquisas em medicina nuclear no município fluminense, administrado pelo próprio Quaquá até 2016 e atualmente governado por seu aliado político Fabiano Horta (PT). O dirigente classificou o abraço entre Lula e o neto de Fidel como “gesto de afeto e história”.
Apesar do tom festivo dado pelo PT, a presença de um familiar do ícone do comunismo reforça a imagem de proximidade ideológica do partido com governos de linha autoritária na América Latina. Fidelito, engenheiro nuclear formado na Rússia, não ocupa cargo oficial no governo cubano, mas mantém interlocução frequente com autoridades da ilha.
Ex-condenados voltam ao palco principal
Além da presença estrangeira, o congresso marcou a reinserção de quadros condenados nos maiores escândalos de corrupção do país. Logo no início do discurso, Lula saudou nominalmente o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-secretário de Finanças João Vaccari Neto e o ex-presidente do PT José Genoino. Todos cumpriram penas ou responderam a processos no Mensalão e na Lava-Jato.
“Precisamos reparar os erros que cometemos”, afirmou Lula, arrancando aplausos da plateia composta por militantes, parlamentares e dirigentes. O presidente defendeu que o partido fortaleça a bancada em 2026 e disse que, “se fôssemos bons, teríamos feito mais”.
O gesto sinaliza que a antiga cúpula, afastada após condenações, retoma influência sobre a direção partidária. José Dirceu, condenado no Mensalão e na Lava-Jato, foi designado para a comissão política nacional. Delúbio, Vaccari e Genoino também receberam assento em grupos internos de formulação.
Presença de ministros e nova direção
O encontro contou ainda com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; e diversos parlamentares federais e estaduais. No evento, o ex-ministro da Comunicação Social Edinho Silva foi empossado presidente nacional do PT, sucedendo Gleisi.
Haddad reforçou a defesa do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica, enquanto Gleisi cobrou mobilização da militância em torno da pauta governista no Congresso. Edinho, por sua vez, prometeu “renovar sem abandonar as raízes” e destacou a meta de eleger “a maior bancada da história” em 2026.


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Foco nas eleições de 2026
Em seu discurso, Lula insistiu que o partido concentre esforços para ampliar a representação no Congresso Nacional. Hoje, o PT possui 68 deputados e 9 senadores. Para o presidente, o desempenho é insuficiente para aprovar projetos estruturais. “Precisamos aprender com os erros, eleger mais gente e garantir maioria”, afirmou.
Dirigentes petistas avaliam que a estratégia passará pela expansão nos estados do Sudeste, onde a legenda perdeu terreno em 2022, e pela consolidação de redutos tradicionais no Nordeste. O partido também pretende explorar a popularidade de Lula em municípios médios para alavancar candidaturas proporcionais.
Simbolismo e controvérsia
O reencontro de Lula com figuras investigadas e condenadas reacende o debate sobre a alegada “autocrítica” partidária. Na visão de críticos, a volta da velha guarda sinaliza tolerância com práticas que levaram à prisão ex-dirigentes e abalaram as finanças do partido. Já a direção do PT sustenta que as absolvições parciais e anulações de sentenças reforçam a tese de perseguição judicial.
O abraço em Fidelito, por sua vez, reforça a vinculação histórica do PT com regimes de esquerda latino-americanos, tema sensível em pleno ano de agenda econômica apertada e redução da popularidade presidencial. O governo evita críticas públicas a Cuba, Venezuela e Nicarágua, todas questionadas por violações de direitos humanos.
Entre os militantes presentes, o clima foi de euforia. Palavras de ordem exaltavam Lula e defendiam a “revolução” social. Ainda assim, parlamentares de oposição aproveitaram o episódio para reforçar a narrativa de que o PT mantém ligação com projetos autoritários e não abandonou personagens ligados à corrupção.
Com o congresso encerrado, Lula retorna ao Palácio do Planalto sob expectativa de negociar a reforma tributária no Senado. Ao mesmo tempo, o PT sai do encontro com a missão de reconstruir a base eleitoral e lidar com o peso simbólico da reaproximação de figuras polêmicas e do aceno a herdeiros de regimes alinhados ao comunismo.

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