O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), 29 anos, dirigiu críticas contundentes ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, durante manifestação realizada neste domingo, 3, na Avenida Paulista, em São Paulo. Em discurso de aproximadamente 15 minutos, o parlamentar classificou o magistrado como “violador de direitos humanos” e atribuiu-lhe responsabilidade por uma sequência de decisões que, segundo ele, atingem diretamente opositores do governo petista.
Acusações contra Moraes e defesa de presos do 8 de janeiro
Logo no início da fala, Ferreira recordou o falecimento de Cléver Fernandes (“Clezão”), detido sob acusação de envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023. O deputado relatou ter sido cobrado pela filha do detento para que a morte do pai “não fosse em vão” e usou o episódio como exemplo de supostos abusos cometidos pelo Estado. “O que você faria se fosse o seu parente?”, questionou, dirigindo a pergunta à multidão para reforçar a alegação de violação de direitos básicos.
Em seguida, o parlamentar traçou uma linha do tempo que, em sua avaliação, demonstra perseguição política iniciada com a prisão do ex-deputado Daniel Silveira, em 2021. Ferreira lembrou que Silveira foi detido por críticas a ministros do STF e apontou o caso como o “ponto de partida” para uma série de medidas judiciais contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o deputado, Moraes conduz “toda uma trama” a fim de afastar o líder conservador do processo eleitoral.
Ausência de Bolsonaro e críticas a Lula
Bolsonaro, principal personagem político do ato, permaneceu em Brasília. O ex-chefe do Executivo está proibido de se ausentar da capital federal por determinação de Moraes no âmbito das investigações sobre a suposta tentativa de golpe em 8 de janeiro. Apesar da restrição, seu nome foi ovacionado diversas vezes. “Tentaram calar o homem, levantaram-se milhões de vozes”, afirmou Ferreira, atribuindo à multidão o papel de porta-voz do ex-presidente.
O deputado também se referiu ao presidente Lula como “presidiário”, lembrando o período em que o petista cumpriu pena por corrupção e lavagem de dinheiro antes da anulação das condenações. Para Nikolas, o atual cenário evidencia um contraste: “Não estamos em uma democracia”, disse, argumentando que opositores enfrentam censura e restrições, enquanto condenados pela Justiça no passado ocupam novamente o Palácio do Planalto.
Estrutura do ato e adesão popular
A concentração começou por volta das 13h30 na região do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Carros de som, bandeiras do Brasil e cartazes alusivos à liberdade de expressão marcaram a paisagem ao longo de toda a extensão da avenida. Além de Nikolas Ferreira, discursaram o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e outros parlamentares alinhados à oposição. Organizadores estimam participação de milhares de pessoas, com forte presença de famílias, líderes religiosos e representantes de movimentos conservadores.
No palco, oradores exaltaram conquistas de governos anteriores, questionaram decisões do Judiciário e pediram anistia para investigados pelo 8 de janeiro. Palavras de ordem como “Supremo é o povo” e “Liberdade” foram repetidas em coro, indicando a pauta central do protesto: contestar o que os participantes consideram excessos na atuação do ministro Alexandre de Moraes.

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Repercussão política
Parlamentares da base governista reagiram nas redes sociais, classificando as acusações como “ataques à democracia”. Já deputados e senadores da oposição elogiaram a iniciativa de Ferreira, destacando a necessidade de limites claros à atuação do Judiciário. Até o início da noite, Moraes não havia se pronunciado oficialmente.
Internamente, líderes do PL enxergam o ato como demonstração de força de Bolsonaro, apesar de sua ausência física. A legenda aposta na mobilização de rua como estratégia para manter o ex-presidente em evidência e reforçar a narrativa de perseguição política, tese defendida por Nikolas e ecoada pelas plateias que se reúnem em eventos semelhantes pelo país.
Próximos passos
Aliados de Bolsonaro prometem novas manifestações em outras capitais nas próximas semanas. Ferreira antecipou que pretende levar denúncias de “prisões arbitrárias” a organismos internacionais de direitos humanos, reforçando a ofensiva contra Moraes. Assessores do parlamentar dizem que relatórios e documentos já estão sendo compilados para embasar pedidos de investigação.
Enquanto isso, as investigações sobre o 8 de janeiro seguem no STF, com expectativa de novas audiências e depoimentos. A defesa de Bolsonaro aguarda decisão sobre recursos que contestam as restrições impostas a ele. No Congresso, deputados de oposição articulam projetos de lei para limitar poderes de ministros da Corte em temas como bloqueio de redes sociais e condução de inquéritos.
O ato deste domingo reforçou a centralidade de Alexandre de Moraes no debate público brasileiro e consolidou Nikolas Ferreira como um dos principais porta-vozes da ala conservadora no Parlamento. Com a aproximação das eleições municipais, a tendência é de intensificação do confronto político entre Judiciário, governo e oposição, tendo a Avenida Paulista como palco simbólico das disputas por narrativa e apoio popular.

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