Desde o início do segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já conversou com 35 chefes de Estado estrangeiros por telefone ou em reuniões presenciais. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não figura nessa lista, enquanto entra em vigor, nesta quarta-feira (6), a tarifa de 50% sobre produtos do Brasil.
Rede de contatos ativa na Casa Branca
O republicano manteve, até agora, quatro contatos diretos com líderes de Canadá, Israel, Rússia, Ucrânia, México e Reino Unido. Considerando apenas encontros presenciais, foram 21 audiências formais. Entre essas reuniões estão os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador.
No levantamento geral, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, lidera o ranking de interações com Trump. Em seguida aparecem o premier israelense Benjamin Netanyahu e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Ao todo, o republicano manteve 31 encontros e 42 telefonemas com autoridades classificadas como de esquerda ou centro-esquerda, o que representa 58% dos contatos registrados.
Esses números indicam que a Casa Branca mantém uma agenda diplomática diversificada, dialogando inclusive com governos ideologicamente distantes da linha republicana. Ainda assim, a ausência de qualquer comunicação com o Palácio do Planalto chama atenção, sobretudo diante do peso econômico do Brasil na América Latina.

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Lula fica à margem do diálogo
Até o momento, não há registro de iniciativa de Trump ou de Lula para abrir diálogo bilateral. As manifestações positivas entre os dois presidentes ficaram restritas ao protocolo, como a breve mensagem de congratulações enviada pelo petista no dia da posse do norte-americano.
Em diferentes ocasiões, ambos trocaram críticas públicas. Durante a última cúpula do Brics, Lula defendeu o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os membros do bloco, argumentando que a medida reduziria a dependência do dólar. A Casa Branca respondeu com firmeza: Trump declarou que aplicaria tarifa adicional de 10% a “todos que se alinhem a políticas antiamericanas” capitaneadas pelo Brics.
A escalada verbal adicionou tensão a uma relação que já não apresentava sinais de proximidade. Aliados de Lula vinham defendendo aproximação com Washington para destravar negociações em áreas como meio ambiente e tecnologia, mas a falta de iniciativas concretas evidenciou o distanciamento.
Tensão comercial atinge 50%
A medida mais contundente adotada por Trump em relação ao Brasil começa a valer hoje: uma tarifa de 50% sobre bens brasileiros que entram no mercado norte-americano. O presidente justificou a decisão afirmando que as recentes ações judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro configuram “caça às bruxas” e ameaçam a estabilidade de parceiros considerados estratégicos pelos Estados Unidos.
Setores exportadores brasileiros calculam impacto imediato sobre produtos agrícolas, siderúrgicos e têxteis. A alíquota eleva custos, encarece contratos já firmados e obriga empresas a rever preços ou buscar rotas alternativas. Apesar das projeções de perda de competitividade, o Planalto ainda não anunciou contramedidas formais.
No Congresso brasileiro, parlamentares da oposição criticam a postura do governo petista. Deputados e senadores cobram reação diplomática eficaz, argumentando que a falta de interlocução direta com Washington colocou o país em situação vulnerável. Já integrantes da base governista afirmam que a tarifa é resultado de “pressão política” e defendem articulação junto a organismos multilaterais.
Analistas de mercado observam que, enquanto nações vizinhas como Argentina e Equador conseguiram preservar diálogo produtivo com a Casa Branca, o Brasil entrou em rota de colisão justamente quando tenta atrair investimentos externos para setores de infraestrutura e transição energética. A nova tarifa amplia o desafio.
Próximos passos indefinidos
Ainda não há data para eventual contato direto entre Trump e Lula. Assessores no Itamaraty indicam que o governo brasileiro estuda solicitar agenda oficial, mas não confirmam pedido formal. Na Casa Branca, porta-vozes informam que a prioridade continua sendo “proteger interesses norte-americanos” e reforçar parcerias com países que “compartilhem valores democráticos e respeito à liberdade econômica”.
Enquanto o impasse persiste, as exportações brasileiras passam a encarar a tarifa mais alta imposta por Washington em décadas. A ausência de diálogo entre os chefes de Estado acrescenta incertezas a um cenário já pressionado por disputas geopolíticas e cadeias logísticas em constante reconfiguração.
Com 35 líderes estrangeiros contatados e um mercado brasileiro taxado em 50%, Trump demonstra que a política comercial de seu segundo mandato seguirá a linha dura, premiando aliados e apertando adversários — declarados ou percebidos. O resultado imediato recai sobre empresários brasileiros que, a partir de hoje, enfrentam um obstáculo substancial para manter competitividade no maior mercado do planeta.

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