Brasília, 6 de março – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) confirmou que não apoiará o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão provocou reação imediata do pastor Silas Malafaia, que o classificou como “traidor” nas redes sociais. Enquanto parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro tentam reunir assinaturas, Nogueira sustenta que a iniciativa é inviável por falta de votos e pela dependência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Críticas públicas de Malafaia
Em postagem no X (antigo Twitter), Silas Malafaia acusou o senador de “raposa e camaleão na política” e disse que ele praticava “joguinho psicológico” ao descartar a pauta. A cobrança do líder evangélico ecoa entre apoiadores de Bolsonaro que desejam ver Moraes afastado da Corte. Para o grupo, a negativa de Nogueira fragiliza a mobilização que busca pressionar o Senado a abrir processo contra o ministro.
Malafaia questionou a legitimidade do parlamentar para falar em nome de outros colegas e pediu que ele “se recolhesse à sua mediocridade política”. O embate evidencia a tensão interna no campo conservador, onde parte dos senadores pressiona por medidas mais duras contra decisões do STF que consideram excessivas.
Argumentos de inviabilidade
Ciro Nogueira, que presidiu a Casa Civil no governo Bolsonaro e comanda o Progressistas, afirmou ao portal Metrópoles que o projeto não reunirá os 54 votos necessários. “Eu me tornei pragmático em 32 anos de mandato. Não perco tempo com pautas que não vão ter sucesso”, declarou. Segundo ele, ainda que os senadores recolham assinaturas suficientes para apresentar o requerimento, a abertura depende exclusivamente de Alcolumbre. “Você pode chegar com 80 assinaturas, que não abre. É um poder do presidente do Senado”, reforçou.
Os senadores alinhados ao ex-presidente permanecem em obstrução dos trabalhos legislativos pelo segundo dia consecutivo. Além do impeachment de Moraes, o grupo condiciona o fim do bloqueio à votação de propostas que favorecem Bolsonaro, inclusive mudanças em regras que permitiriam anistia em processos que o ex-chefe do Executivo responde.
Barreiras regimentais e histórico
O processo de impedimento contra ministro do STF, previsto em lei desde 1950, nunca foi levado a termo. A única destituição de um integrante da Corte ocorreu em 1894, quando o Senado anulou a indicação de Cândido Barata Ribeiro ao constatar falta de notório saber jurídico — situação verificada após a posse, em modelo de sabatina distinto do atual.
Para prosperar hoje, o pedido precisa ser acolhido pelo presidente do Senado e, em seguida, aprovado por maioria absoluta (54 dos 81 senadores). Na sequência, seria instalado tribunal político-judicial composto pelos próprios senadores sob comando do presidente do STF, com direito a defesa do acusado. Nenhuma dessas etapas avançou nas últimas sete décadas, fator citado por Nogueira para justificar sua posição.
Reação no Congresso
Parlamentares bolsonaristas continuam recolhendo assinaturas, mesmo diante do ceticismo do presidente do PP. Eles argumentam que a mobilização serve para expor publicamente quais senadores apoiam ou rejeitam o afastamento de Moraes. Entretanto, líderes de bancada avaliam nos bastidores que o clima no plenário não oferece margem para votação do tema, especialmente depois de reiteradas declarações de Alcolumbre contrárias à abertura de qualquer processo.


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A tensão tem gerado atrasos na análise de pautas econômicas e administrativas. A oposição sustenta que a paralisia demonstra a urgência de enfrentar o “ativismo judicial”, enquanto a base governista acusa os obstrucionistas de impedir o funcionamento do Legislativo em benefício de interesses pessoais do ex-presidente.
Ciro Nogueira e a articulação dentro do PP
Mesmo criticado por aliados de Bolsonaro, Nogueira mantém influência significativa sobre o Centrão. Sua recusa reflete cálculo político voltado à governabilidade do Congresso e à manutenção de espaço do partido em negociações futuras. Dirigentes do PP, ouvidos reservadamente, afirmam que a sigla prioriza agendas de infraestrutura e distribuição de emendas, consideradas estratégicas para as eleições municipais de 2024.
Nos bastidores, a avaliação é que insistir em pauta sem perspectiva de sucesso poderia desgastar a legenda e comprometer contratos com o Executivo, hoje liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da proximidade histórica com Bolsonaro, Nogueira tem sinalizado disposição para dialogar com o Palácio do Planalto em nome de investimentos nos estados que representa.
Próximos passos
Os senadores que defendem o impeachment pretendem protocolar o pedido nos próximos dias, mesmo sem o apoio de Ciro Nogueira. A expectativa é entregar o documento a Davi Alcolumbre e, paralelamente, intensificar a pressão nas redes sociais. Silas Malafaia, por sua vez, prometeu continuar cobrando pronunciamentos públicos de congressistas que se mostrarem reticentes.
Com a oposição dividida entre pragmatismo e confronto direto, o desfecho dependerá da capacidade de Alcolumbre de manter a pauta travada e da eventual articulação de outros líderes partidários. Até o momento, a correlação de forças indica que o pedido dificilmente avançará, mas o episódio revela a disposição de setores conservadores em desafiar a supremacia do STF, mesmo diante de obstáculos regimentais consideráveis.

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