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Paes cria cargos e acomoda ex-prefeitos para fortalecer candidatura ao Governo do Rio

Política

RIO DE JANEIRO — De olho na sucessão estadual de 2026, o prefeito Eduardo Paes (PSD) vem ampliando sua base política no interior do Rio ao nomear ex-prefeitos para postos estratégicos da administração carioca. A movimentação inclui a criação de novas funções dentro da Casa Civil e cargos em empresas municipais, todos ocupados por antigos gestores de municípios fluminenses dispostos a apoiar o projeto do chefe do Executivo carioca.

Cargos sob medida para aliados do interior

A investida mais simbólica é a Coordenadoria de Integração Territorial, aberta em fevereiro dentro da Casa Civil. O posto, com remuneração bruta de R$ 28,4 mil, foi entregue a Vicente Guedes (PP), ex-prefeito de Rio das Flores e aliado do deputado André Corrêa (PP). Guedes declara ter “status de secretário” e a missão de estreitar relações entre o município do Rio e as demais cidades fluminenses. Desde a nomeação, ele já circulou por Vassouras, Rio Claro, Paraíba do Sul e Comendador Levy Gasparian, apresentando-se como representante da prefeitura carioca para temas municipalistas.

No mesmo caminho, Paes trouxe para a empresa pública MultiRio o ex-prefeito de Rio Bonito Leandro Pereira Netto, o “Leandro Peixe”. Indicado em março por articulação do deputado federal Áureo Ribeiro, presidente estadual do Solidariedade, Peixe recebe R$ 10 mil mensais no núcleo de gestão de projetos. Ele reconhece que parte das siglas dispostas a conversar ainda teme retaliações do Palácio Guanabara, mas afirma que a aliança com Paes “já se mostra robusta” e que estará com o prefeito na disputa pelo governo.

A lista inclui ainda Valber Marcelo (PP), que comandou Tanguá entre 2013 e 2020. Derrotado na tentativa de retomar o cargo municipal, ele foi alocado na Rio Luz, companhia responsável pela iluminação pública carioca, com salário de R$ 2,1 mil. Segundo o próprio, trata-se de “um quebra-galho”, embora admita ter ocupado posição melhor na mesma empresa em 2021.

Expansão política e questionamentos de oposicionistas

As nomeações chamaram a atenção do vereador Pedro Duarte (Novo), que pediu ao Tribunal de Contas do Município investigação sobre o aumento de 15 % no quadro da Rio Luz somente em 2024. No ofício, o parlamentar questiona a legalidade e a motivação administrativa das admissões, sugerindo que a expansão atende mais ao calendário eleitoral do que a necessidades técnicas da empresa.

Paralelamente às indicações, Paes intensifica viagens ao interior. Na última sexta-feira, esteve em Barra Mansa, no Sul Fluminense, para empossar a nova direção local do PSD. O evento teve a presença do ex-deputado estadual Marcelo Cabeleireiro, também nomeado na Rio Luz em junho. Nas redes sociais, o prefeito aparece em fotos e vídeos destacando a “preocupação com todo o povo do estado” e defendendo pautas de integração metropolitana.

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A estratégia de comunicação incluiu mudanças de imagem: o tradicional chapéu Panamá, associado ao carnaval carioca, foi substituído por um modelo de vaqueiro, símbolo comum em regiões rurais. Entre as ações de governo, Paes anunciou o BRT Metropolitano, com previsão de dois terminais de ônibus ligando a Baixada Fluminense à capital. A iniciativa pretende atrair eleitores fora dos limites do município do Rio, reforçando o discurso de gestor estadualizado.

Bolsa de apoios e cautela partidária

Embora PSD, PP e Solidariedade liderem a fileira de indicações, outras siglas demonstram cautela. Partidos com espaço no governo Cláudio Castro (PL) evitam declarar apoio antecipado a Paes para não perder cargos regionais atualmente controlados. Mesmo assim, agentes do interior relatam que a oferta de postos em secretarias e estatais da capital pesa na avaliação, pois garante visibilidade e recursos para bases eleitorais.

Questionada, a prefeitura afirmou que os nomeados “atuam em diferentes áreas da administração municipal, contribuindo com a experiência e o conhecimento acumulados no serviço público”. Não houve detalhamento sobre metas, prazos ou relatórios de resultados das novas funções.

O que está em jogo até 2026

A dois anos da eleição, Paes busca construir um palanque capaz de rivalizar com o grupo hoje instalado no Palácio Guanabara e com possíveis candidaturas de nomes alinhados à direita nacional. Ao atrair ex-prefeitos, o prefeito do Rio almeja, sobretudo, máquinas municipais e colégios eleitorais em regiões estratégicas: Baixada, Norte, Noroeste e Sul Fluminense. O movimento pode garantir palanques múltiplos, tempo de televisão e capilaridade partidária.

Por outro lado, cresce o debate sobre o uso de estruturas da capital para fins eleitorais. A oposição promete expandir a fiscalização e avalia recorrer também ao Ministério Público. A disputa, portanto, deve extrapolar o campo político e alcançar tribunais de contas e órgãos de controle.

Para o eleitor conservador, o cenário confirma a importância de vigilância constante sobre gastos públicos e alinhamento ideológico. A mobilização de prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares indica que a pré-campanha está nas ruas, embora o calendário oficial ainda não tenha sido aberto pela Justiça Eleitoral.

Se deseja acompanhar desdobramentos sobre articulações políticas no estado, o leitor encontra análises e atualizações em nossa seção de Política, onde novos detalhes serão publicados conforme as investigações avançarem.

Em resumo, Eduardo Paes acelera a montagem de palanques regionais ao acomodar ex-mandatários em cargos cariocas e percorrer o interior em busca de alianças. A oposição pressiona por transparência, e partidos avaliam riscos antes de firmar compromisso. Acompanhe nossos próximos artigos e esteja informado para formar sua opinião.

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