Após mais de duas horas reunidos na residência oficial do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), nesta quinta-feira, 7, dez governadores de perfil conservador divulgaram entendimento comum para enfrentar a crise institucional interna e a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O porta-voz do grupo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), afirmou que Executivo, Legislativo e Judiciário precisam “ceder um pouco” e apontou a votação de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 como caminho imediato para reduzir tensões.
Governadores defendem anistia e autonomia do Congresso
Tarcísio sustentou que “o Congresso Nacional tem de legislar sem pressão” e classificou a anistia como resposta ao desejo da maioria da população. A posição foi respaldada por Ronaldo Caiado (União-GO) e Mauro Mendes (União-MT), além de outros presentes: Jorginho Mello (PL-SC), Ratinho Junior (PSD-PR), Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Wilson Lima (União-AM). O governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) participou por videoconferência.
Caiado criticou decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal (STF) e sugeriu que julgamentos sensíveis, como os relacionados ao 8 de janeiro, ocorram no plenário completo. “O STF deve ouvir o Pleno. Decisões isoladas apenas acirram ânimos”, comentou. Mendes, idealizador do encontro, classificou como “autoritária” a fala do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que descartou pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo mesmo com apoio unânime dos 81 senadores.
No mesmo sentido, Tarcísio declarou que “não é razoável que, em nome de determinados valores, se ignorem outros”. Questionado sobre como o Judiciário poderia ceder, o governador paulista não detalhou, mas reforçou a necessidade de “harmonia” e de que nenhum Poder se sobreponha aos demais.
Críticas a Lula e reação ao tarifaço dos Estados Unidos
Além da pauta institucional, o grupo avaliou o impacto do aumento tarifário anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump na quarta-feira, 6. Para Tarcísio, houve “imprudência” da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na condução das relações internacionais, o que teria “agredido um parceiro histórico”. Caiado reforçou a crítica, afirmando que Lula agiu com “insensatez” ao declarar que não se humilharia para dialogar com Trump.
Os governadores decidiram intensificar interlocução com presidentes de partidos para conferir protagonismo ao Congresso na reação à guerra tarifária. Segundo Tarcísio, o objetivo é “fortalecer a atuação parlamentar” antes de cobrar do Planalto negociações mais firmes com Washington. Eles também aguardam o pacote federal de compensações econômicas antes de propor medidas próprias em seus Estados.
No encontro, criticou-se a ausência de governadores em reunião convocada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o mesmo tema. Mendes justificou que muitos colegas “não se manifestaram” ao convite, o que levou ao cancelamento do encontro federal.


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Composição do grupo e próximos passos
O anfitrião Ibaneis Rocha recebeu exclusivamente gestores alinhados à centro-direita, estratégia explicada por Mendes como forma de garantir “afinidade” e discussão “aprofundada”. Ao término, Tarcísio assumiu a função de porta-voz e reiterou três pontos: defesa da votação da anistia, preservação das prerrogativas do Legislativo e cobrança de atuação diplomática eficaz do Executivo federal.
Os participantes concordaram em manter encontros periódicos para acompanhar o andamento da anistia no Congresso, a postura do STF nos julgamentos pendentes e o desfecho das tratativas comerciais com os Estados Unidos. Ainda segundo Tarcísio, cada governante deverá articular com suas bancadas estaduais para acelerar o calendário de votação da proposta de anistia.
Embora não tenham apresentado cronograma formal, os líderes pretendem solicitar ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a inclusão do projeto na pauta ainda neste mês. Motta, contudo, tem se mostrado contrário à matéria, posição que deverá ser alvo de pressão dos governadores nos próximos dias.
Ao encerrar a coletiva, Tarcísio reiterou que a pacificação institucional passa por “respeitar as competências de cada Poder” e enfatizou que “a verdadeira estabilidade virá quando todos abrirem mão de excessos”. Ele também sinalizou que os Estados governados por signatários do encontro podem adotar medidas próprias para proteger cadeias produtivas afetadas pelo tarifaço, caso a União demore a reagir.
Com o cenário externo adverso e a disputa entre Poderes no centro da arena política, os governadores conservadores apostam na aprovação da anistia e na retomada do diálogo com Washington como passos essenciais para restabelecer confiança, atrair investimentos e proteger empregos no país.

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