São Paulo — O governador Tarcísio de Freitas intensificou tratativas com representantes do governo japonês para levar a carne bovina produzida em São Paulo ao exigente mercado asiático. Em encontro no Palácio dos Bandeirantes, o chefe do Executivo paulista recebeu o vice-cônsul do Japão e apresentou argumentos sanitários, econômicos e logísticos que sustentam a capacidade do estado de atender aos padrões estabelecidos por Tóquio.
Ação coordenada entre governo e bancada agropecuária
A iniciativa partiu de parlamentares ligados ao agronegócio, com destaque para o deputado Lucas Bove (PL), que tem articulado reuniões e encaminhado informações técnicas aos diplomatas japoneses. O objetivo é acelerar o processo de habilitação oficial dos frigoríficos paulistas, hoje fora da lista de fornecedores autorizados pelo Japão.
Também participou das conversas o secretário estadual de Agricultura, Guilherme Piai. O representante japonês visitou propriedades rurais e unidades frigoríficas em diferentes regiões do estado para verificar, in loco, protocolos de rastreabilidade, bem-estar animal e controles sanitários. Segundo o governo paulista, esse acompanhamento técnico é condição indispensável para que Tóquio avance no reconhecimento da equivalência dos sistemas de inspeção.
Tarcísio de Freitas defende que a abertura do mercado japonês ampliará a diversificação da pauta exportadora local, hoje concentrada em commodities como açúcar, suco de laranja e etanol. “Estamos prontos para receber missões adicionais, enviar equipes ao Japão e esclarecer qualquer dúvida”, afirmou o governador durante a audiência. Ele salientou que as plantas paulistas já operam sob rigorosos padrões de qualidade, certificados pelo Ministério da Agricultura.
Potencial econômico e impacto regional
O Japão importa anualmente cerca de 600 mil toneladas de carne bovina, volume que coloca o país entre os cinco maiores compradores globais do produto. Hoje, esse mercado é abastecido principalmente por Austrália, Estados Unidos e Canadá. Caso São Paulo conquiste a habilitação, o estado passará a disputar um faturamento superior a US$ 3 bilhões por ano.
A equipe econômica paulista avalia que a entrada no mercado japonês poderá gerar milhares de empregos diretos na cadeia de carne, além de estimular investimentos em logística e tecnologia de processamento. Municípios com forte vocação pecuária — como Araçatuba, Presidente Prudente e Barretos — seriam os primeiros a sentir o impacto positivo na arrecadação e na renda.
Para o deputado Lucas Bove, o engajamento do governo estadual demonstra alinhamento com produtores e frigoríficos que esperam alternativas aos gargalos existentes. Ele aponta que tarifas e barreiras sanitárias impostas por outros destinos vêm restringindo a competitividade da carne brasileira, motivo pelo qual a negociação com o Japão assume caráter estratégico.
Contexto internacional e desafios tarifários
A ofensiva paulista ocorre pouco depois de Washington anunciar isenção tarifária para segmentos como suco de laranja e aeronaves leves, medidas que beneficiam setores instalados em São Paulo. Entretanto, a carne bovina permaneceu fora do pacote de alívio, mantendo alíquotas que encarecem o produto brasileiro nos Estados Unidos. Diante desse cenário, a busca por novos compradores tornou-se prioridade no Palácio dos Bandeirantes.


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Autoridades paulistas reconhecem que o processo japonês, conhecido pela elevada exigência técnica, pode estender-se por meses. Ainda assim, fontes ligadas às negociações afirmam que o estágio atual é “o mais avançado já alcançado”. Documentos de auditoria compartilhados pelo governo estadual indicam índices de conformidade superiores a 99% em parâmetros como controle de resíduos, certificação de origem e ausência de enfermidades.
Embora o Ministério da Agricultura concentre a competência legal para a certificação, a gestão Tarcísio entende que o apoio estadual acelera análises e oferece garantias adicionais. “Nosso papel é facilitar o diálogo e demonstrar responsabilidade fiscal e sanitária”, resumiu Guilherme Piai após a visita do vice-cônsul.
Próximos passos
A agenda inclui a formação de um grupo de trabalho binacional que revisará relatórios técnicos, definirá cronogramas de inspeção e apontará eventuais ajustes em procedimentos. O governador planeja liderar missão oficial a Tóquio ainda neste semestre, acompanhado por empresários e representantes do setor produtivo, para fortalecer a interlocução política.
Enquanto isso, frigoríficos paulistas preparam documentação adicional e simulam lotes-piloto que poderão ser enviados assim que o sinal verde da autoridade sanitária japonesa for concedido. A expectativa é de que, uma vez liberada, a carne bovina de São Paulo conquiste participação relevante devido ao corte padronizado, rastreabilidade completa e proximidade dos portos de Santos e São Sebastião.
Se concretizada, a abertura do mercado japonês representará vitória significativa para o agronegócio paulista, reforçando a posição do estado como polo exportador diversificado e resiliente diante das oscilações globais. Para Tarcísio de Freitas, a medida integra um pacote mais amplo de ações voltadas à redução de barreiras comerciais, incentivo à competitividade e estímulo ao investimento privado, pilares que orientam sua política econômica.

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