Brasília — Dados do Índice de Disparidade Salarial 2025, elaborado pelo grupo Livres, expõem a distância entre os rendimentos da alta cúpula do Estado brasileiro e a realidade financeira da população. O levantamento indica que presidentes, deputados e juízes federais recebem, em média, mais de 20 vezes o que ganha um cidadão comum, colocando o país entre os piores do mundo nesse quesito.
Políticos concentram remunerações muito acima da média nacional
A renda domiciliar per capita no Brasil fechou 2024 em R$ 2.069. No mesmo período, o salário oficial do presidente da República chegou a R$ 44.000, proporção de 21,3 vezes. Em países vizinhos, a disparidade é menor: na Argentina, a razão é 9,2; no Chile, 10,3. Segundo o relatório, a diferença brasileira supera em 32 % a média dos países emergentes analisados.
Entre deputados federais, o padrão se repete. Cada parlamentar recebeu R$ 44.000, 21,2 vezes a renda média da população. Para efeito de comparação, o índice é 4,5 na Argentina, 3,7 no Reino Unido, 3,4 nos Estados Unidos e 3,0 em Portugal.
Judiciário amplia o abismo salarial
No Poder Judiciário, a distância é ainda maior. Juízes federais tiveram remuneração média de R$ 46.000 em 2024. Ao somar verbas indenizatórias e auxílios autorizados pelo Conselho Nacional de Justiça, a cifra alcança R$ 84.000, elevando a relação para 40,6 vezes a renda per capita. O teto constitucional, fixado em R$ 44.000, é frequentemente ultrapassado graças a esses penduricalhos.
O estudo destaca episódios extremos. Em um único mês, um magistrado recebeu R$ 678.000, valor que corresponde a 339 vezes a renda média do brasileiro — proporção não identificada em nenhum outro país pesquisado.
Entre ministros de cortes superiores, a conta também surpreende. Integrantes do Supremo Tribunal Federal, Tribunal Superior Eleitoral e Superior Tribunal de Justiça ganham 22,4 vezes a renda média nacional. No Reino Unido, a diferença entre juízes da Suprema Corte e o cidadão comum é de 11 vezes; na Suíça e na Alemanha, o índice fica em 6.
Brasil lidera ranking de disparidade salarial no setor público
Considerando Executivo, Legislativo e Judiciário, a disparidade brasileira é 108 % superior à média global. O grupo Livres ressalta que o problema não se resume a percepção popular: trata-se de um descolamento estrutural que evidencia privilégios mantidos por brechas legais.


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Os autores afirmam que “o teto constitucional tornou-se peça de ficção”, uma vez que indenizações, auxílios e gratificações driblam o limite previsto em lei. O relatório sustenta que a elite estatal reproduz e amplifica desigualdades em vez de corrigi-las.
Impacto institucional e social
Especialistas ouvidos pelos pesquisadores alertam para consequências políticas. Quando autoridades responsáveis por criar leis, julgar conflitos e executar políticas públicas vivem realidade financeira distante da maioria, a capacidade do Estado de compreender e atender demandas sociais fica comprometida.
O coordenador de políticas públicas do Livres, Rafael Moredo, observa que o abismo cria barreiras de representação. Segundo ele, a distância entre representantes e representados ultrapassa o debate orçamentário, configurando questão institucional e simbólica.
Para medir a disparidade, o estudo reuniu dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (IBGE) e estatísticas oficiais de outros países. Foram considerados apenas os salários base de presidentes, deputados e juízes federais. Auxílios e benefícios adicionais ficaram fora do cálculo principal, mas o relatório faz referência ao impacto dessas verbas nos contracheques.
Com essa metodologia, o levantamento conclui que o Brasil mantém um modelo remuneratório que se autoblinda contra ajustes fiscais e carece de critérios objetivos de proporcionalidade. A distância entre elite pública e população segue, portanto, como um dos maiores desafios para qualquer agenda de contenção de gastos e responsabilidade com o dinheiro do contribuinte.

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