Brasília, 15 jun. O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o governo federal continuará negociando com os Estados Unidos para derrubar a alíquota de 50% aplicada a parte das exportações brasileiras. A posição foi reforçada neste sábado, durante debate sobre conjuntura política na sede nacional do Partido dos Trabalhadores, transmitido pelas redes sociais.
Negociação direta com Washington
Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “não desistir” até que a sobretaxa seja revista e até que novos itens sejam incluídos na lista de exceções. O vice-presidente relatou conversas recentes com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, embora admita que o diálogo ocorre “há algumas semanas” apenas em nível técnico.
Alckmin classifica a cobrança como “injustificada”, lembrando que o superávit norte-americano na balança bilateral superou US$ 25 bilhões em 2024. Na avaliação do governo, o volume de vendas brasileiras não ameaça a indústria norte-americana a ponto de justificar a elevação tarifária imposta ainda na gestão Donald Trump.
Os números apresentados pelo vice mostram que 42% dos produtos brasileiros ficaram livres da taxa de 50%, enquanto 16% passaram a pagar porcentuais alinhados aos praticados para outros países em setores como aço, alumínio e cobre. O maior impacto, porém, atinge 37% da pauta: carnes, café, pescado, frutas, máquinas e equipamentos passaram a pagar a tarifa máxima.
Impacto setorial e dificuldade de realocação
Para Alckmin, o segmento industrial sente o efeito mais significativo. Produtos manufaturados, argumentou, não encontram mercados alternativos com a mesma rapidez que commodities agrícolas. “Comida ou carne eu redireciono, produto manufaturado demora”, observou.
Além do prejuízo imediato aos exportadores, a sobretaxa encarece a inserção de empresas brasileiras em cadeias globais de valor e amplia a dependência de mercados menos rentáveis. Dados preliminares do Itamaraty indicam retração nas vendas de máquinas e equipamentos desde a adoção do tarifaço.
Estrategia de diversificação de mercados
Enquanto insiste na revisão com Washington, o Planalto reforça tratativas para ampliar destinos de exportação. Entre os acordos em negociação, Alckmin citou o capítulo final entre Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Cingapura e Emirados Árabes Unidos também integram a lista de prioridades.
O vice-presidente sustenta que a abertura de novos mercados reduzirá a exposição a medidas protecionistas de grandes parceiros. “Quanto mais portas abertas, menor o risco”, disse, apontando que a diversificação traz alívio a setores suscetíveis a barreiras tarifárias ou sanitárias.


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Imagem: Internet
Além da pauta comercial
Apesar da ênfase na política externa, Alckmin reconheceu que a remoção da tarifa depende de decisão política no Capitólio e na Casa Branca. O governo brasileiro, acrescentou, aposta na aproximação com congressistas norte-americanos ligados ao agronegócio, que podem pressionar pela redução do imposto em nome da estabilidade da cadeia de suprimentos.
Em paralelo, grupos empresariais brasileiros buscam apoio de associações industriais dos EUA para mostrar que a sobretaxa também onera consumidores e fábricas norte-americanas que utilizam insumos importados do Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que, mantido o atual cenário, investimentos planejados para 2025 podem ser adiados ou redirecionados para países com acesso preferencial ao mercado estadunidense.
Próximos passos
O Itamaraty prepara nova rodada de reuniões no segundo semestre. Técnicos dos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços coletam dados de impacto econômico para embasar o pleito. A expectativa oficial é apresentar um relatório conjunto antes da cúpula do G20, marcada para novembro no Rio de Janeiro, a fim de ganhar tração política para o tema.
Mesmo sem avanço concreto até agora, Alckmin afirma que “não há plano de desistência”. O vice-presidente sustenta que reduzir a alíquota e ampliar a lista de exceções permanecem metas prioritárias da diplomacia comercial em 2024.
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No curto prazo, a atenção se volta à próxima conversa entre Brasília e Washington. Caso a tarifa de 50% persista, setores industriais continuarão pressionados. O leitor pode acompanhar os desdobramentos e conferir análises futuras em nosso site. Fique conosco e ative as notificações para receber as atualizações sobre comércio exterior e economia.

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