Brasília — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ordenou o desligamento da transmissão das câmeras internas durante a ocupação do plenário por parlamentares contrários às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal. A medida suspendeu o fluxo de imagens que normalmente chegam em tempo real aos gabinetes e aos canais de comunicação da Casa, impedindo o registro visual dos manifestantes sentados na cadeira da Presidência.
Transmissão interrompida por ordem direta
A decisão de Alcolumbre foi executada pela administração do Senado logo após o início do protesto, ocorrido na noite de terça-feira (5). Servidores responsáveis pelo sistema de monitoramento relataram ter percebido a ausência de sinal e, inicialmente, imaginaram tratar-se de falha técnica. Somente depois foram informados de que o corte havia sido intencional, atendendo a determinação do presidente da Casa.
Ao contrário da Câmara dos Deputados, onde as imagens das galerias permaneceram ativas, o Senado adotou uma série de restrições adicionais. O acesso de jornalistas e assessores sem credencial foi limitado, e as entradas passaram a barrar faixas, bandeiras e cartazes. Ordens para reforçar o bloqueio foram encaminhadas à Polícia Legislativa, também por orientação de Alcolumbre.
As câmeras cobrem não apenas o plenário, mas comissões e áreas comuns. Com o desligamento, gabinetes deixaram de receber o sinal que, em condições normais, fica disponível 24 horas por dia. Na prática, a operação dificultou o acompanhamento em tempo real tanto por parlamentares quanto por assessores e público externo, reduzindo a transparência sobre o que ocorria no interior do Senado durante a ocupação.
Motivação do protesto e reação nas duas Casas
A manifestação teve início após a decisão que colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar. Deputados e senadores de oposição passaram a ocupar simultaneamente os plenários das duas Casas legislativas, cobrando votação de propostas batizadas de “pacote da paz”. O conjunto inclui pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, fim do foro privilegiado e concessão de anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Na Câmara, os manifestantes permaneceram cerca de 30 horas, período em que o presidente em exercício, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrentou constrangimentos públicos. Na noite de quarta-feira (6), Motta tentou assumir a cadeira da Presidência, mas ficou mais de seis minutos impedido de sentar-se enquanto parlamentares oposicionistas ocupavam o local.
O Senado viveu momento semelhante. Alcolumbre só conseguiu retomar o assento na manhã de quinta-feira (7), após os manifestantes deixarem a mesa diretora. O senador registrou o retorno em vídeo publicado nas redes sociais, no qual aparece entrando no plenário e ocupando a cadeira de presidente.
Restrição de acesso e barreiras de segurança
Além do corte das câmeras, o Senado adotou barreiras físicas em suas entradas principais. Policiais legislativos receberam a orientação de barrar qualquer pessoa sem crachá permanente, inclusive imprensa, visitantes e assessores temporários. As regras incluíram a revista de bolsas e a proibição de materiais de protesto, como faixas e bandeiras.


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Parlamentares da oposição criticaram nos corredores o que consideraram exagero na fiscalização, afirmando que as medidas inviabilizaram o acompanhamento de assessores diretamente ligados ao trabalho legislativo. Líderes governistas, por sua vez, alegaram necessidade de preservar a ordem e a integridade do patrimônio público depois dos episódios de depredação em 2023.
Entre terça-feira e quinta-feira, a segurança interna permaneceu em estado de alerta. Portas que normalmente ficam abertas durante o expediente foram trancadas, e o deslocamento nos andares superiores passou a exigir identificação prévia nos balcões de controle. Enquanto isso, câmeras externas continuaram a gravar, mas sem transmitir para o circuito interno, limitando a circulação das imagens.
Desdobramentos e próximos passos
Com o plenário liberado, a expectativa é de que o Senado retome a agenda de votações na próxima semana. Senadores da base do governo articulam acelerar projetos econômicos, enquanto a oposição insiste na inclusão do “pacote da paz” na pauta. Ainda não há definição sobre a restituição automática do sinal das câmeras ou sobre eventuais mudanças permanentes nos protocolos de segurança.
O episódio reacende o debate sobre transparência e livre circulação de informações no Legislativo. A interrupção de imagens internas em momentos de tensão levanta questionamentos sobre quais critérios justificam tal medida e se o precedente poderá ser repetido em futuras crises políticas.
Até o momento, nem a Presidência do Senado nem a Diretoria-Geral apresentaram cronograma oficial para restabelecer por completo o sistema de monitoramento. Parlamentares de diferentes legendas, porém, já sinalizam pedidos formais para que a transmissão volte a operar de modo contínuo, resguardando o princípio de publicidade dos atos do Poder Legislativo.
Enquanto o impasse persiste, a segurança interna permanece reforçada, e servidores seguem orientados a manter atenção redobrada nos acessos à Casa. O corte das câmeras, ainda sem data para revisão, torna-se elemento central na discussão sobre a gestão de crises no Parlamento e sobre o equilíbrio entre segurança e transparência em tempos de polarização política.

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