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Amorim condena operação dos EUA no Caribe e ignora denúncias contra Maduro

Política

O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, manifestou preocupação com a movimentação militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe. Segundo declarações recentes, o ex-chanceler avalia a ação norte-americana como motivo de alerta para a região. No entanto, Amorim omitiu qualquer crítica à escalada autoritária e ao avanço do crime organizado sob o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

Washington vê narco-Estado; Brasília finge neutralidade

A Casa Branca justifica o envio de meios navais e a intensificação de patrulhas próximas ao litoral venezuelano como parte de uma ofensiva contra grandes cartéis de drogas ativados a partir do país vizinho. O governo norte-americano não reconhece Maduro como presidente legítimo, descrevendo o líder chavista como “chefe do tráfico de entorpecentes” beneficiado por um pleito fraudulento em 2024.

Essa avaliação encontra respaldo em organismos independentes. Tanto o Carter Center quanto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos classificaram a última eleição venezuelana como irregular, apontando violações graves que comprometeram a transparência do processo.

Relatórios da CIDH revelam ainda a existência de cerca de mil presos políticos no país, muitos em locais desconhecidos. Para o Departamento de Estado norte-americano, esse quadro evidencia um governo de fachada que serve de cobertura a um polo de negócios criminosos. Apesar da solidez desses dados, o Palácio do Planalto evita posicionamento explícito, limitando-se a declarações genéricas sobre “diálogo” e “respeito à soberania”.

Parceria ideológica trava condenação brasileira

A ligação histórica entre o Partido dos Trabalhadores e o projeto chavista explica parte do silêncio de Brasília. Desde os anos 2000, Lula e Maduro mantêm agenda convergente em fóruns regionais, com ênfase no discurso anti-americano. Esse alinhamento se refletiu inclusive na presença de Celso Amorim em Caracas durante a controversa reeleição de 2024, ocasião em que o assessor brasileiro classificou o pleito como “expressão da vontade popular”, apesar das denúncias de fraude.

Quando organismos multilaterais ampliaram a pressão sobre o regime venezuelano por violações de direitos humanos, houve breves sinais de desconforto em setores do Itamaraty. Porta-vozes do governo chegaram a admitir “preocupação” com relatos de violência e censura. Porém, o tema logo desapareceu das coletivas e notas oficiais, substituído por críticas indiretas aos Estados Unidos e elogios à “integração latino-americana”.

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Agora, com a Marinha norte-americana reforçando a presença no Caribe, Amorim retoma a retórica de desconfiança em relação a Washington, deixando de lado a deterioração institucional na fronteira norte do Brasil. A postura desperta questionamentos sobre a real prioridade da diplomacia petista: combater o crime transnacional ou proteger um aliado ideológico em decadência.

Imprensa amiga e a aposta no esquecimento

Parte significativa da mídia nacional tem contribuído para a falta de transparência. Manchetes destacam supostos riscos de “intervenção estrangeira”, mas pouco espaço é dado às quase mil famílias venezuelanas que desconhecem o paradeiro de seus parentes detidos. Esse desequilíbrio beneficia o governo brasileiro, que segue sem explicar se concorda ou discorda das evidências que apontam a Venezuela como narco-Estado.

A ausência de questionamentos incisivos também impede esclarecimentos sobre o impacto direto da crise venezuelana no território brasileiro. Cidades de Roraima estão sobrecarregadas pelo fluxo de refugiados, enquanto facções nacionais ampliam conexões com grupos armados do país vizinho. Ainda assim, a preocupação principal externada por Amorim permanece centrada nos navios norte-americanos.

Consequências regionais e impasse diplomático

Especialistas em segurança alertam que o vácuo de autoridade legítima na Venezuela fortalece organizações criminosas com alcance continental. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime indicam aumento de rotas de cocaína pelo Caribe, muitas delas saindo de portos venezuelanos. Ignorar o fenômeno, argumentam analistas, compromete iniciativas de combate ao tráfico na Amazônia e nas fronteiras brasileiras.

Apesar disso, o governo Lula sustenta posição ambígua. Enquanto a Casa Branca pressiona Maduro com sanções e operações marítimas, Brasília opta por notas diplomáticas genéricas. A estratégia evita atritos com o aliado bolivariano, mas acentua a percepção de omissão diante de violações de direitos humanos e da expansão do crime organizado.

A manutenção desse silêncio poderá cobrar preço político elevado caso a crise se agrave. Parlamentares da oposição já articulam convocações de Amorim à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, visando esclarecer a ausência de condenação pública ao regime chavista. Até lá, a narrativa oficial segue focada em acusar os Estados Unidos de “aumentar tensões” no Caribe, enquanto o colapso venezuelano permanece fora do radar governamental.

Para aprofundar o contexto político regional, consulte a cobertura atualizada em nosso canal de Política.

Resumo: Celso Amorim criticou a presença militar dos EUA próximo à Venezuela, mas não mencionou as denúncias de violações de direitos humanos e narcotráfico que pesam contra Nicolás Maduro. A postura reflete a histórica proximidade entre o governo brasileiro e o chavismo, deixando sem resposta o avanço do crime organizado na região. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe este artigo para ampliar o debate.

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