A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começou oficialmente os trabalhos na quarta-feira, 28 de agosto, já apontando uma vantagem numérica e estratégica para a oposição. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) assumiu a presidência, enquanto o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) ficou com a relatoria — dois postos-chave que colocam o governo em posição defensiva logo na largada.
Oposição articula maioria e garante postos-chave
Além da presidência e da relatoria, a oposição consolidou apoio do Centrão para formar maioria em votações internas. A escolha do deputado Duarte Jr. (PSB-MA) para a vice-presidência foi descrita por interlocutores como peça central dessa engenharia. O acordo prevê que Duarte migre para o União Brasil assim que o PSB concluir a federação com o Cidadania; com isso, Gaspar e Duarte passarão a integrar a mesma legenda, reforçando o eixo oposicionista.
Com a contagem de votos sem o presidente, governistas contabilizam 15 cadeiras contra 16 da oposição. Para ampliar o controle sobre a pauta, líderes do bloco contrário ao Planalto planejam indicar a deputada Bia Kicis (PL-DF) ao posto de sub-relatora, cargo que permite apresentar pareceres específicos sobre pontos sensíveis do relatório final.
Ainda que tenha perdido os cargos de comando, o governo tenta preservar espaço por meio de acordos pontuais. Exemplo disso foi o entendimento que adiou a convocação de Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Para viabilizar a aprovação do plano de trabalho de Gaspar, oposição e base governista concordaram em ouvir primeiro apenas presidentes de entidades sob investigação.
Baixas enfraquecem tropa de choque governista
O cenário tornou-se ainda mais desfavorável ao Palácio do Planalto com a debandada de senadores que integrariam a linha de frente da defesa governista. O primeiro a deixar a CPMI foi Otto Alencar (PSD-BA), substituído pela senadora Augusta Brito (PT-CE) e, em seguida, pelo também petista Humberto Costa (PE). Completam a bancada titular do PT os senadores Rogério Carvalho (SE) e Fabiano Contarato (ES).
Nos próximos dias, é aguardada a saída de Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL). Derrotado por Viana na eleição para a presidência da comissão por 17 a 14, Aziz alega foco na campanha eleitoral de 2026. Nos bastidores, parlamentares apontam temor de exposição nas quebras de sigilo que devem atingir não só o esquema de descontos indevidos, mas também contratos e repasses milionários do INSS.
O ambiente tenso ficou evidente quando Aziz travou embate com o senador Eduardo Girão (Novo-CE). Girão criticou a falta de imparcialidade na CPI da Covid, presidida por Aziz em 2021. O amazonense respondeu rechaçando “narrativas” e prometendo investigação ampla.
Depoimentos iniciais revelam fraudes contra populações vulneráveis
Na primeira semana de oitivas, a defensora pública federal Patrícia Bettin descreveu descontos ilegais que atingiram quilombolas, indígenas e ribeirinhos. Ela afirmou que um grupo de trabalho do Ministério Público Federal criado para apurar as fraudes foi encerrado sem justificativa, apesar dos indícios robustos de irregularidade.
Bettin reconheceu que a Defensoria Pública da União havia identificado sinais do esquema desde 2019, mas destacou que não cabe ao órgão conduzir investigações criminais. Senadores reagiram exigindo maior protagonismo das instituições de controle.


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Imagem: Jeffers Rudy
Outro foco da CPMI será a atuação do lobista conhecido como “Careca do INSS”, apontado como elo entre empresas de consignados e servidores do instituto. A comissão pretende levantar registros de visitas do intermediário às dependências do órgão para mapear eventuais articulações políticas por trás dos contratos.
Em sessão reservada, o delegado da Polícia Federal Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi depôs por mais de cinco horas. Autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, o policial detalhou investigações que rastreiam a participação de servidores, correspondentes bancários e sindicatos no desvio de recursos de aposentados. O conteúdo permanece sigiloso, mas o presidente Carlos Viana relatou que “uma quadrilha tomou de assalto o dinheiro da Previdência”.
Na próxima segunda-feira, 1º de setembro, o advogado Eli Cohen será ouvido. Ele é apontado como responsável por reunir provas que expuseram filiações forjadas e cobranças ilegais sobre benefícios, prática que fez o repasse anual do INSS ao Sindnapi crescer de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154 milhões em 2024, alta de 564%.
A composição da CPMI pode mudar ao longo dos trabalhos, mas a tendência é que a oposição mantenha o controle da agenda e pressione o governo a explicar a escalada das fraudes. Enquanto a base busca recompor a tropa de choque, cada depoimento amplia o desgaste político do Planalto em pleno ano pré-eleitoral.
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Em resumo, a CPMI do INSS começou com maioria oposicionista, baixas governistas e depoimentos que expõem falhas graves na Previdência. Siga acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta reportagem para que mais pessoas entendam o impacto das investigações.

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