O Partido Liberal (PL), sigla que elegeu a maior bancada da Câmara em 2022, tornou-se o partido que mais perdeu deputados na atual legislatura. De fevereiro de 2023 a agosto de 2025, 12 parlamentares deixaram o PL, dois foram expulsos e apenas três ingressaram na legenda, reduzindo o grupo de 99 para 88 cadeiras.
Enxugamento da bancada liberal
Entre as saídas, o movimento mais intenso ocorreu em direção ao Progressistas (PP) e ao Republicanos, legendas identificadas como “direita mais soft” por analistas. O processo teve início logo após a posse dos eleitos. Ricardo Salles (SP), por exemplo, alegou desconforto com a aproximação do PL ao Centrão e retornou ao Novo para viabilizar uma candidatura ao Senado em 2026. Já Samuel Viana (MG) afirmou que a sigla “faz oposição a toda e qualquer medida do governo”, justificando a mudança com a falta de espaço para posições moderadas.
Além das desfiliações voluntárias, o PL registrou duas expulsões. Antonio Carlos Rodrigues (SP) foi desligado após defender publicamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, gesto considerado incompatível com a postura da legenda. Yuri do Paredão (CE) também deixou o partido, depois de aparecer em foto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023.
Apesar das baixas, o PL atraiu nomes alinhados com a pauta conservadora. O deputado Osmar Terra (RS) trocou o MDB pela sigla de Jair Bolsonaro, declarando afinidade com posições contrárias às drogas, ao aborto e à “ideologia de gênero”, além da defesa de menor carga tributária. Segundo Terra, sua prioridade na bancada é a “redemocratização do país” diante de decisões do STF e a anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
PP e Republicanos concentram ganhos
Na contramão do PL, PP e Republicanos registraram as maiores entradas de deputados no período: ambos ganharam quatro assentos. Entre os atrativos apontados estão maior flexibilidade para negociações, maior tempo de TV e uma estrutura partidária com forte capilaridade municipal — fatores decisivos para deputados que buscam competitividade em 2026.
Especialistas em direito eleitoral relacionam o avanço dessas siglas às regras impostas pela cláusula de barreira, que reduziu de 30 para 16 o número de partidos com representação na Câmara. O cenário pressiona parlamentares a procurar agremiações com viabilidade financeira, espaço de mídia e musculatura regional.
Além disso, a eventual ausência de Jair Bolsonaro da disputa presidencial incentiva deputados a procurar palanques alternativos na mesma faixa ideológica, mas menos polarizados. O cientista político Elias Tavares avalia que o “momento do cálculo político” levou parlamentares a medir o custo de permanecer em um partido grande, onde a disputa interna por espaço é intensa, contra a possibilidade de protagonismo em legendas de perfil liberal-conservador mais flexível.
Disputa interna e identidade programática
Dirigentes próximos à executiva do PL reconhecem a perda numérica, mas avaliam que o partido optou por endurecer o discurso para consolidar identidade. A estratégia, segundo eles, é manter apenas filiados dispostos a exercer oposição sistemática ao governo e críticas ao Judiciário. Ao mesmo tempo, a sigla calcula preservar o voto ideológico de eleitores vinculados ao ex-presidente Bolsonaro.
Esse reposicionamento explica por que o líder da oposição, Luciano Zucco (RS), foi recebido no PL logo após deixar o Republicanos: ele personifica a linha dura que o partido decidiu cultivar. A mudança, porém, intensifica a divisão entre alas ideológicas e pragmáticas da direita, já que PP e Republicanos oferecem espaço para quem prefere dialogar seletivamente com o Executivo em votações consideradas “de interesse nacional”.


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Imagem: Saulo Cruz
Projeção para 2026
Para 2026, a janela partidária prevista em ano eleitoral deve oficializar novas transferências. Advogados eleitorais apontam que o período sem disputas — os anos ímpares do calendário — concentra conversas de bastidor que se concretizam na janela. O objetivo de cada deputado é maximizar recursos de campanha, visibilidade e chances de reeleição ou ascensão ao Senado.
Com PP e Republicanos mais robustos, o campo à direita se redesenha em três blocos: o PL como núcleo de oposição dura; PP e Republicanos como casas de conservadores moderados; e partidos menores, como Novo e Podemos, disputando nichos. A configuração testará sua força em 2026, quando a redução do Fundão Eleitoral e o teto de gastos de campanha aumentarão a competição interna.
No balanço de agosto de 2025, o Podemos também aparece entre os beneficiados, com cinco novas cadeiras, enquanto o Novo dobrou de tamanho ao receber dois deputados. Por outro lado, além do PL, siglas de centro-esquerda perderam apenas um parlamentar cada, sinalizando que o movimento de reorganização se concentra no espectro de direita.
A recomposição partidária confirma que a cláusula de barreira reduziu a fragmentação, mas não eliminou o pragmatismo individual. Os deputados continuam buscando legendas que combinem coerência ideológica com estrutura para campanhas competitivas, refletindo a natureza dinâmica do sistema político brasileiro.
Para acompanhar outras movimentações no cenário político, acesse a seção de Política e fique informado sobre as principais mudanças na Câmara e no Senado.
Em síntese, o êxodo de deputados do PL para PP e Republicanos ilustra o ajuste de rota dentro da direita parlamentar, motivado por estratégia eleitoral, espaço interno e alinhamento programático. Continue acompanhando nossa cobertura e receba atualizações sobre futuras mudanças de bancada e seus impactos no Congresso.

Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis aqui no Geral de Notícias, podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você!