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Desaprovação a Lula continua acima de 50% mesmo com queda dos alimentos

Política

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada em 20 de agosto, mostra leve redução na rejeição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, a desaprovação se mantém majoritária: 51% dos entrevistados avaliam o petista negativamente, contra 46% que declaram apoio. A variação de dois pontos em relação a julho está dentro da margem de erro, reforçando que, apesar do alívio pontual nos preços dos alimentos e da reação ao tarifaço norte-americano, a percepção negativa ainda prevalece.

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Desaprovação domina Sudeste e Sul

O levantamento ouviu 2.004 brasileiros em 120 municípios entre 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os números mostram clara concentração da insatisfação nas regiões mais populosas e economicamente relevantes do país.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral, a desaprovação atinge 65%; em Minas Gerais, 59%; no Rio de Janeiro, 62%. No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul registram 64% e 62% de avaliação negativa, respectivamente. A exceção relevante surge no Nordeste, onde Bahia (60%) e Pernambuco (62%) exibem maioria pró-governo. O Centro-Oeste repete o padrão nordestino com ligeiro avanço na aprovação.

A divisão regional reforça o cenário de polarização que marcou a última eleição. Na contabilidade nacional, a desaprovação recuou apenas dois pontos, enquanto a aprovação subiu três, mas o saldo permaneceu negativo para o Planalto.

Economia: alívio nos alimentos não muda percepção geral

A pesquisa indica que a recente desaceleração nos preços de itens básicos foi o principal fator para a pequena melhora de imagem. 18% dos entrevistados afirmam ter sentido redução dos preços no supermercado; em julho eram 8%. Ainda assim, 60% relatam alta, mostrando que o alívio é restrito e não se traduz em ampla sensação de melhoria.

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Na avaliação do poder de compra, somente 16% dizem conseguir comprar mais do que há um ano, contra 70% que se consideram em situação pior. Quando o assunto é emprego, 55% veem o momento como mais difícil para encontrar trabalho, e 34% enxergam facilidade. O panorama reforça a persistente desconfiança em relação à condução econômica.

Sobre o passado recente, 46% julgam que a economia piorou nos últimos 12 meses; 22% percebem melhora. Já para o futuro, o país se divide: 40% esperam avanço e o mesmo percentual teme retrocesso — sinal de incerteza que tende a pesar contra o governo.

Comparação com Bolsonaro e direção do país

No confronto direto, 43% consideram o governo Lula melhor do que o de Jair Bolsonaro, ao passo que 38% julgam pior e 16% veem igualdade. O dado confirma a forte polarização: simpatizantes de cada campo tendem a avaliar o atual presidente segundo preferências ideológicas, não apenas por indicadores objetivos.

Além disso, a maioria de 57% acredita que o país segue na direção errada, enquanto 36% dizem o contrário. Entre os entrevistados sem identificação partidária clara, o pessimismo chega a 61%. Esse grupo, decisivo em disputas eleitorais, permanece desconfiado das escolhas do Planalto.

 

Reação ao tarifaço de Trump: impacto limitado

A postura do governo diante do aumento de 50% nas tarifas dos Estados Unidos foi citada como fator positivo por parte do eleitorado. Apesar disso, o tema parece ter impacto mais simbólico que prático: a leve melhora na aprovação não compensou o patamar ainda elevado de reprovação. O episódio mostra que gestos diplomáticos isolados têm alcance restrito quando o cidadão convive com inflação acumulada e mercado de trabalho desaquecido.

Metodologia

A Quaest utilizou questionário presencial aplicado a maiores de 16 anos em 120 cidades. O intervalo de confiança é de 95%. A amostra, proporcional à distribuição populacional por região, gênero, idade e renda, busca refletir a sociedade brasileira, embora variações locais possam influenciar resultados específicos.

Em síntese, Lula colhe pequena trégua num cenário ainda adverso: a maioria mantém avaliação negativa e questiona a direção do país. A inflação mais branda ajuda, mas não é suficiente para reposicionar a imagem do governo entre os eleitores do Sudeste e Sul, segmentos que concentram parte decisiva do PIB e do eleitorado.

Para entender como fatores políticos influenciam a economia, confira outras análises em nossa seção de Política.

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