Mumbai, 7 de agosto de 2025 – O ex-governador de São Paulo, João Doria, afirmou que não existe “qualquer humilhação” em o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fim de tratar da tarifa de 50% aplicada aos produtos brasileiros. A declaração ocorreu após o encerramento de um fórum organizado pelo Lide, em Mumbai, na Índia, e contrasta com a posição de Lula, que rejeitou a ideia de um contato direto.
Críticas à postura do Planalto
Na véspera, Lula dissera à agência Reuters que não vê disposição do governo norte-americano para negociar e que, por isso, não se submeteria à “humilhação” de telefonar a Trump. Doria rebateu o argumento ao afirmar que a iniciativa de um chefe de Estado buscar diálogo econômico não deve ser influenciada por fatores políticos. “Não há humilhação em um telefonema quando o objetivo é resolver a questão comercial”, declarou.
O ex-governador acrescentou que Trump “não tem razão” ao impor a sobretaxa, mas ressaltou que isso não impede o Brasil de agir de forma proativa. Para Doria, a recusa de Lula pode colocar o Palácio do Planalto em posição semelhante à do governo norte-americano, que, segundo ele, estaria movido por motivações políticas internas. “Nesse ponto, os dois erros se equivalem”, disse, numa referência à eventual proteção de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao foco doméstico atribuído ao posicionamento de Lula.
Ao defender o contato direto, Doria sublinhou que a diplomacia presidencial tem peso decisivo em contendas tarifárias. Segundo o empresário, a abordagem deve ser conduzida “com altivez”, mas sem transformar a pauta comercial em disputa ideológica.
Pressão empresarial e estadual
Antes de Doria, a fala de Lula já havia recebido críticas durante o mesmo fórum do Lide. O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiems), Sérgio Longen, manifestaram preocupação com a ausência de uma ação direta do Planalto. Ambos defenderam que a reversão da sobretaxa seja elevada ao nível mais alto da diplomacia, envolvendo pessoalmente os dois presidentes.
Riedel lembrou que o agronegócio e a indústria de transformação são setores estratégicos para a economia sul-matogrossense e correm risco de perda imediata de competitividade. Longen, por sua vez, destacou o impacto sobre as cadeias produtivas nacionais e afirmou que qualquer demora em negociar amplia a incerteza dos exportadores.
Doria endossou a leitura do setor produtivo ao afirmar que o pôster de 50% “já provoca dificuldades de contrato e posterga embarques”. Ele acrescentou que um telefonema presidencial não substitui tratativas técnicas, mas pode “abrir portas” para que equipes econômicas avancem em detalhes de prazos e percentuais.
Contexto da sobretaxa
A tarifa extraordinária decretada por Washington atinge uma lista de mercadorias agrícolas e industriais brasileiras. O governo dos Estados Unidos justificou a medida como resposta a supostas práticas desleais, enquanto parlamentares republicanos mencionam a necessidade de “proteger empregos domésticos”. O Itamaraty nega irregularidades e classificou o ato como “discriminatório”.


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Na avaliação de agentes de mercado presentes ao evento do Lide, o valor adicional de 50% inviabiliza contratos firmados no primeiro semestre e obriga exportadores a buscar outros destinos, gerando perda de receita e sobrecarga logística. Analistas consultados durante o encontro apontaram que, sem um recuo norte-americano, o Produto Interno Bruto brasileiro pode sofrer impacto negativo ainda no quarto trimestre.
Caminhos diplomáticos
Doria recordou precedentes nos quais a intervenção direta de chefes de Estado evitou sanções comerciais. Citou negociações realizadas em 2017 pelo então presidente Michel Temer com a União Europeia, que resultaram na suspensão de barreiras a carnes processadas nacionais. “Quando o presidente liga, o assunto sobe imediatamente de patamar”, comentou.
Para o ex-governador, o momento exige pragmatismo. Ele indicou que o Executivo brasileiro dispõe de instrumentos formais, como consultas na Organização Mundial do Comércio, mas avaliou que essas instâncias demoram. “A ligação não exclui mecanismos multilaterais, apenas demonstra prioridade”, reforçou.
Questionado sobre a possibilidade de mediação de terceiros, Doria respondeu que o Brasil “não precisa de intermediário” se o presidente assumir pessoalmente a negociação. Ele reiterou que uma conversa direta pode ocorrer “sem concessões políticas” e sugeriu que o Itamaraty prepare um resumo técnico para respaldar o diálogo.
Próximos passos
Até o momento, o Palácio do Planalto não sinalizou mudança de postura. Integrantes da equipe econômica afirmam que continuarão a buscar soluções em foros internacionais, mas evitam comentar a hipótese de um telefonema. Nos Estados Unidos, assessores de Trump informam que o tema segue em avaliação e que a Casa Branca aguarda manifestação formal do governo brasileiro.
Doria encerrou sua participação no fórum com o apelo: “O produtor rural, o industrial e o trabalhador brasileiro esperam liderança. Ligar para Trump não diminui ninguém; demonstra responsabilidade”. Enquanto o impasse persiste, o setor privado intensifica pressões por uma solução rápida, diante da proximidade da próxima safra e da necessidade de previsibilidade para as exportações.

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