O Palácio do Planalto reagiu ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos e enviou o vice-presidente Geraldo Alckmin a uma missão que inclui México e Canadá. A viagem, iniciada nesta semana, busca caminhos para reduzir o impacto do novo imposto de 50 % sobre produtos brasileiros decretado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. Estão em risco ao menos US$ 22 bilhões em vendas externas, o que corresponde a 55 % de tudo o que o Brasil embarca para o mercado americano.
Alvos prioritários: agro, energia e logística
No México, Alckmin assinou acordos em agropecuária, bioenergia, indústria e tecnologia. Mais de 100 empresários brasileiros participaram das reuniões, com foco em transformar o país vizinho no hub logístico para chegar ao mercado norte-americano. O México já é o sétimo maior destino das exportações brasileiras e pode absorver volumes adicionais de carnes, café, soja, etanol, máquinas e equipamentos.
No Canadá, a estratégia inclui cooperação comercial e ambiental. O governo pretende articular projetos conjuntos em mineração sustentável e tecnologias limpas, além de negociar a ampliação do comércio de alimentos processados e produtos manufaturados. Segundo Alckmin, “é hora de ampliar o comércio, diversificar parcerias e criar pontes em vez de barreiras”.
Nova orientação externa e impacto nas cadeias produtivas
A reconfiguração da agenda internacional foi desenhada após o tarifaço norte-americano. A ApexBrasil já mapeou 72 países com capacidade de absorver parte das exportações atingidas. Entre eles, o México figura entre os dez principais. Há também negociações no âmbito do Mercosul com Canadá, Singapura, Emirados Árabes e o bloco EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein).
A movimentação busca evitar concentração excessiva das vendas externas em um único parceiro, reforçando o discurso oficial de multilateralismo. Mesmo assim, setores produtivos demonstram preocupação com o custo logístico adicional e com a necessidade de adequar certificações sanitárias específicas para cada novo destino.
Empresariado acompanha de perto
Entidades da indústria e do agronegócio acompanham a ofensiva diplomática para avaliar riscos e oportunidades. Grandes frigoríficos, tradings de grãos e fabricantes de bens de capital já estudam transferir parte de suas operações para o território mexicano, aproveitando a proximidade geográfica com os Estados Unidos e os acordos comerciais vigentes entre Cidade do México e Washington.


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Ao mesmo tempo, cooperativas de café e produtores de etanol enxergam no Canadá espaço para expandir negócios sustentáveis. O país norte-americano sinalizou interesse em biocombustíveis de baixo carbono, área na qual o Brasil acumula tecnologia reconhecida.
Dimensão política e posicionamento regional
A aproximação com México e Canadá reforça a tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reposicionar o Brasil como articulador regional. O Palácio do Planalto também busca atenuar acusações de violação de direitos humanos levantadas por Washington, argumento usado por Trump ao justificar a sobretaxa.

Imagem: Internet
Apesar do discurso conciliador, a nova rota comercial provoca ajustes internos. Exportadores cobram rapidez na homologação de protocolos sanitários e pedidos de licença. Há ainda preocupação com a competitividade dos produtos brasileiros frente a rivais asiáticos, que já operam com tarifas reduzidas em diversos mercados.
Próximos passos
Alckmin declarou que a missão desta semana é o primeiro passo de um calendário de viagens a outros centros estratégicos da América Latina, Oriente Médio e Ásia. O Itamaraty prepara missões técnicas para Buenos Aires, Abu Dhabi e Cingapura até o fim do semestre, todas com o objetivo de diversificar clientes e consolidar novas rotas logísticas.
Internamente, o Ministério do Desenvolvimento vai apresentar, em até 60 dias, um relatório com propostas de incentivos fiscais e financeiros para empresas que decidirem reinvestir parte do lucro obtido no exterior em novas plantas produtivas no Brasil.
Para o setor privado, o sucesso da estratégia dependerá da agilidade em firmar acordos de facilitação de comércio e da redução da burocracia alfandegária. Caso contrário, parte das exportações poderá migrar definitivamente para países que ofereçam menos entraves regulatórios.
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Em síntese, a ofensiva diplomática liderada pelo vice-presidente tenta proteger US$ 22 bilhões em exportações sujeitas à nova tarifa dos EUA, articulando acordos com México e Canadá e abrindo a porta para parceiros adicionais. Continue acompanhando nossas atualizações e receba análises exclusivas diretamente no seu feed.

