Brasília – O Palácio do Planalto enviou ao Congresso, nesta quarta-feira (13), a Medida Provisória que cria um pacote de R$ 30 bilhões em créditos para empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. A presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na cerimônia de assinatura foi interpretada como sinal de que a proposta deve avançar com rapidez.
Créditos de R$ 30 bilhões e outras ações previstas
A MP estabelece linhas especiais de financiamento, ajustes no programa Reintegra e preferência em compras governamentais para setores exportadores atingidos pelo aumento das tarifas norte-americanas. Segundo o texto, os R$ 30 bilhões virão de bancos públicos e terão juros subsidiados. O objetivo declarado é evitar demissões e perda de competitividade nas cadeias produtivas mais expostas ao mercado dos Estados Unidos.
De acordo com o Executivo, a liberação dos créditos depende apenas da aprovação legislativa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu “votação urgente”, argumentando que milhares de empregos podem ser preservados se o dinheiro chegar às empresas antes do próximo ciclo de contratos internacionais.
Apoio governista: discurso de proteção à indústria nacional
Parlamentares alinhados ao Planalto adotaram o discurso de defesa dos trabalhadores. Para o deputado Duarte Jr (PSB-MA), “o Brasil não pode mais sofrer com uma disputa estéril entre direita e esquerda”. O congressista afirmou que a MP “mostra que o país cuida do que é seu” ao proteger “quem produz no território nacional”. Ele cobrou apoio das duas Casas para que o alívio financeiro chegue aos empreendedores ainda neste trimestre.
Na mesma linha, o líder do PDT na Câmara, deputado Mario Heringer (MG), advertiu que a rejeição à proposta significaria “ficar contra empregadores e empregados”. Na avaliação do pedetista, dificilmente alguma bancada assumirá o ônus político de barrar recursos destinados a salvar postos de trabalho.
Críticas da oposição: acusação de medida paliativa e uso eleitoral
A bancada de oposição, composta majoritariamente por parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, classificou o pacote como “meramente paliativo”. O líder oposicionista Luciano Zucco (PL-RS) divulgou nota na qual afirma que o governo deveria concentrar esforços na diplomacia direta com Washington, em vez de “atacar os Estados Unidos” e “apoiar regimes hostis ao Ocidente”.
Zucco sustentou que o “melhor auxílio” à indústria brasileira seria restabelecer diálogo com a Casa Branca para rever as tarifas, evitando o que chamou de “remendos pagos pelo contribuinte”. O deputado também acusou o Planalto de usar a MP para fins eleitorais, embora não tenha apresentado indícios de desvio de finalidade.
Outro oposicionista, Coronel Chrisóstomo (PL-RO), declarou que o partido continuará obstruindo votações enquanto, segundo ele, persistir “desnível entre os Poderes”. Para o parlamentar, o tarifaço “tem nome e sobrenome: Lula da Silva”. Ele reiterou que o PL não aceita “orientação da China ou da Rússia” e cobra respeito à democracia representativa.


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Condições de tramitação e cenário político
Por se tratar de Medida Provisória, o texto começa a produzir efeitos imediatos, mas perde validade se não for aprovado pelo Congresso em até 120 dias. A chave para a rápida tramitação está na Comissão Mista que analisará o mérito. A formação desse colegiado requer acordo entre líderes, e a oposição já sinalizou que pretende usar o espaço para negociar votações de outras matérias de interesse próprio.
Nos bastidores, governistas afirmam que a participação de Motta e Alcolumbre no ato de assinatura garante “piso mínimo” de boa vontade. Ambos conduzem as pautas de Câmara e Senado e, tradicionalmente, evitam desgaste institucional com o Executivo. Ainda assim, a conflagração política em torno da CPI do 8 de Janeiro, das emendas parlamentares e da reforma tributária pode elevar o custo de negociação.
Impacto fiscal e questionamentos sobre fonte de recursos
Economistas ouvidos reservadamente pelo Congresso calculam que o subsídio embutido nos créditos poderá pressionar o resultado primário deste ano, estimado pela equipe econômica em déficit de até 0,5% do PIB. O governo argumenta que o montante será compensado por aumento de arrecadação futura, decorrente da preservação das exportações. Não há, contudo, detalhes sobre eventual corte de gastos para neutralizar o impacto imediato sobre o Tesouro.
Parlamentares de oposição prometem insistir nesse ponto durante a análise na Comissão Mista. Já o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), afirmou que a União tem margem para apoiar o setor produtivo “sem romper o arcabouço fiscal”.
Próximos passos
Caberá agora aos presidentes da Câmara e do Senado definir o relator da MP e o calendário de votação. Se passar na comissão, o texto ainda precisa ser aprovado pelos plenários das duas Casas. O Planalto espera concluir esse processo antes do recesso de julho, evitando que o benefício perca eficácia em pleno segundo semestre.
Enquanto isso, entidades empresariais preparam notas técnicas para respaldar a aprovação do pacote. Centrais sindicais também sinalizam apoio, sob o argumento de que a medida preserva postos de trabalho. O embate político, contudo, deve se intensificar, com a oposição questionando não apenas o mérito da iniciativa, mas a condução diplomática do Executivo frente aos Estados Unidos.

Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis aqui no Geral de Notícias, podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você!