O jornal norte-americano The Washington Post destacou que o Supremo Tribunal Federal inicia nesta terça-feira, 2, a análise da ação penal que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete acusados. O processo, descrito pelo diário como a primeira avaliação judicial de uma tentativa de ruptura institucional no País, ocorre em meio a forte tensão diplomática com os Estados Unidos.
Supremo julga oito réus por suposta articulação golpista
Segundo o Washington Post, o caso marca uma inflexão na política brasileira: pela primeira vez, altos oficiais militares, ex-auxiliares do Planalto e o próprio ex-chefe do Executivo respondem, no mesmo processo, por atos que o Ministério Público classifica como “organização criminosa” voltada a contestar o resultado das eleições de 2022.
Os réus enfrentam acusações de associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito. A Corte deve, nesta etapa, ouvir as partes, receber provas e, ao final, definir eventuais penas. O ministro Alexandre de Moraes relata a ação.
O historiador Carlos Fico, citado pelo jornal, observou que outras tentativas de golpe no Brasil terminaram em anistia ou prescrição. De acordo com ele, “desta vez será diferente”. Já a historiadora Lilia Schwarcz afirmou que o processo rompe o “pacto de silêncio” que perdurava desde a Lei da Anistia, aprovada em 1979 durante o regime militar.
Pressão externa: sanções de Trump e tarifas contra o Brasil
O Post ressalta que o julgamento ocorre após sucessivas medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump, que, desde maio, mira autoridades brasileiras. À época, o secretário de Estado, Marco Rubio, admitiu sanções contra Moraes. Em julho, Trump denunciou o que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro, elevou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogou vistos de integrantes do Judiciário e do Executivo.
Com base na Lei Magnitsky, Washington aplicou sanções pessoais a Moraes. A ofensiva contou, segundo o jornal, com campanha internacional de apoiadores de Bolsonaro, liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que manteve reuniões na Casa Branca defendendo medidas punitivas contra o Brasil.


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Moraes considerou que a elevação tarifária representava tentativa de coação ao Poder Judiciário. O ministro então impôs cautelares a Bolsonaro, incluindo restrição de uso de redes sociais. O descumprimento reiterado dessas ordens levou a Corte a decretar prisão domiciliar em 4 de agosto.
Indiciamento de Bolsonaro e filho fortalece processo
Apesar da investida norte-americana, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. O relatório cita as reuniões do parlamentar em Washington como indício de articulação para pressionar autoridades brasileiras. O documento foi anexado aos autos, reforçando o núcleo político da acusação.
O Post registra a declaração de Moraes, publicada em 18 de agosto: “Não há a menor possibilidade de recuar nem um milímetro. Faremos o que é certo: analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado”.
Impacto político e próximos passos
A expectativa é de que o Supremo dedique as próximas sessões à leitura das denúncias, sustentação oral das defesas e apresentação do parecer da Procuradoria-Geral da República. Após essa fase, os ministros discutirão cada item da acusação. A definição das penas, caso haja condenação, é apontada pelo Post como o ponto mais sensível do processo, pois poderá influenciar o clima eleitoral de 2026.

Imagem: Internet
Observadores consultados pelo jornal ponderam que o julgamento também testará a capacidade das Forças Armadas de aceitar eventual condenação de oficiais da reserva e da ativa, algo inédito na história recente. A reação do Congresso, onde Bolsonaro mantém base expressiva, será outro fator de peso.
Soberania em foco
Para analistas alinhados ao Itamaraty, a manutenção do cronograma processual demonstra que o Brasil exerce sua soberania jurídica sem ceder a pressões externas. A nota técnica que embasou a defesa da tarifa de 50% – apresentada por Washington como estratégia comercial – foi classificada pela chancelaria brasileira como tentativa de ingerência em assunto interno.
Ainda não há previsão de quando o julgamento chegará ao voto final, mas ministros indicam que o caso tem prioridade na pauta. Enquanto isso, seguem valendo as medidas cautelares impostas ao ex-presidente, inclusive a proibição de comunicação direta em redes sociais.
O desfecho do processo deve orientar futuras interações entre Brasília e Washington, principalmente em comércio e cooperação militar. Até lá, a condução firme do STF sinaliza ao exterior que ataques a instituições serão enfrentados no âmbito legal.
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Em resumo, o julgamento de Jair Bolsonaro e aliados avança, sob escrutínio internacional e pressão dos Estados Unidos, enquanto o Supremo reafirma independência. Continue acompanhando nossas publicações e mantenha-se informado sobre os próximos capítulos desta pauta decisiva para o País.
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