Brasília, 29 ago. 2025 – A escalada de tensões entre Brasil e Israel atingiu novo patamar neste mês, após decisões que partiram diretamente do Palácio do Planalto. O governo israelense anunciou a redução do nível diplomático com Brasília depois de o Executivo brasileiro rejeitar o agrément ao indicado de Tel-Aviv para a embaixada em solo nacional. A crise, alimentada por declarações consideradas ofensivas ao Estado judeu, consolida o pior momento entre os dois países desde o restabelecimento de laços em 1949.
Rejeição ao embaixador precipita retaliação israelense
O estopim recente ocorreu em 20 de agosto. Durante audiência no Congresso, o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, confirmou que o Itamaraty não concederia permissão ao diplomata Gali Dagan, apontado por Israel para ocupar a representação em Brasília. A negativa, sem explicação pública convincente, feriu protocolo histórico entre as nações.
Em resposta, Tel-Aviv retirou a indicação e comunicou que as relações passariam a ser conduzidas em nível inferior. Menos de 24 horas depois, o ministro da Defesa e ex-chanceler Israel Katz classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “antissemita declarado” e “apoiador do Hamas”. O Itamaraty retrucou em nota, chamando as palavras de Katz de “ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis”.
Comparação com Hitler foi ponto de inflexão
A deterioração, contudo, começou meses antes. Em 16 de fevereiro de 2024, em visita oficial à Etiópia, Lula comparou a ação militar israelense em Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler. A declaração provocou repúdio imediato de inúmeros governos ocidentais e de entidades judaicas ao redor do mundo. Ainda assim, Amorim assegurou que o presidente não recuaria do pronunciamento.
Na sequência, o Planalto aderiu à ação sul-africana no Tribunal Internacional de Justiça que acusa Israel de genocídio e retirou o Brasil da International Holocaust Remembrance Alliance. As duas iniciativas foram citadas por Katz na mensagem que inflamou o conflito diplomático.
Política externa desequilibra notas do Itamaraty
Desde então, comunicados oficiais perderam o padrão de equilíbrio historically atribuídos à diplomacia brasileira. O primeiro texto após o massacre de 7 de outubro de 2023 sequer mencionou a palavra “terrorismo”. Relatórios que envolviam cidadãos brasileiros assassinados pelo Hamas usaram termos neutros como “falecimento”. Já quando Israel reage a ataques, o Ministério das Relações Exteriores dispara duras condenações em poucas horas.
Em abril de 2024, por exemplo, diante do lançamento de drones e mísseis iranianos contra o território israelense, a chancelaria limitou-se a “acompanhar com grave preocupação relatos” do ataque, sem qualquer reprovação explícita ao regime de Teerã. Em contraste, operações israelenses posteriores receberam notas de “veemente repúdio”.
Contraste com postura de países europeus
Nações como Alemanha, França e Reino Unido expressam críticas à condução da guerra em Gaza, avaliam possíveis crimes de guerra e até reconhecem um futuro Estado palestino. Ainda assim, condenam abertamente o terrorismo do Hamas, reforçam o direito de autodefesa de Israel e mantêm plena interlocução diplomática. O Brasil, sob Lula, tomou rumo diferente, aproximando-se de regimes hostis a Tel-Aviv, entre eles Irã, Rússia e China, parceiros prioritários dentro do bloco Brics.


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Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom
Impacto e perspectivas
Especialistas em relações internacionais avaliam que o rebaixamento de representação dificulta a cooperação em áreas estratégicas, como tecnologia de irrigação, defesa e intercâmbio científico. Para o agronegócio brasileiro, tradicional comprador de insumos israelenses, o ambiente de incerteza soma-se a possíveis restrições em foros multilaterais onde o país judaico mantém influência.
Israel Katz encerrou a nota de retaliação com expectativa de “dias melhores” entre as nações. No entanto, interlocutores diplomáticos consideram improvável qualquer reaproximação significativa enquanto Lula e Amorim continuarem conduzindo a política externa segundo seus alinhamentos ideológicos.
Em síntese, a negativa ao embaixador, a essência anti-israelense das falas presidenciais e a guinada do Itamaraty para o eixo russo-iraniano compõem um quadro no qual o Brasil perde protagonismo ocidental e compromete parcerias tecnológicas vitais.
Para acompanhar outros desdobramentos sobre a condução da política externa em Brasília, acesse a seção dedicada em Política.
O agravamento das tensões com Israel reforça a necessidade de vigilância permanente sobre atos que afetam a credibilidade brasileira no cenário internacional. Leia, compartilhe e permaneça informado sobre as próximas movimentações do Itamaraty.

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