O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio ao Congresso de um projeto de lei que prevê a suspensão temporária de plataformas digitais por até 60 dias quando houver descumprimento reiterado de ordens de retirada de conteúdo ilícito. A proposta, elaborada no Palácio do Planalto e obtida por veículos de imprensa, deve chegar à Câmara dos Deputados na próxima semana.
Suspensão administrativa de até dois meses
De acordo com a minuta, o bloqueio inicial será de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30, sem necessidade de autorização judicial. Caso a plataforma volte a desobedecer determinações após esse prazo, nova suspensão dependerá de decisão de um magistrado. A fórmula foi definida após reunião na quarta-feira (13), em meio a divergências dentro do governo: parte dos ministros defendia a exigência de ordem judicial desde o primeiro momento, enquanto outra ala pressionava pela manutenção do bloqueio administrativo. Lula optou pelo caminho intermediário, mantendo a possibilidade de intervenção direta do Executivo por até dois meses.
O projeto lista uma série de sanções graduais. Antes do bloqueio, as empresas podem receber advertências e multas, aplicadas em processo administrativo com direito de defesa. As penalidades buscam punir o descumprimento de ordens para remover publicações que configurem crimes já tipificados no Código Penal ou em legislações específicas.
Obrigação de remoção imediata e novas responsabilidades
A proposta impõe aos fornecedores de serviços digitais o dever de detectar e retirar imediatamente conteúdos considerados ilícitos. O texto menciona como exemplos violência doméstica, estupro, racismo, indução ao suicídio ou automutilação, violações envolvendo crianças, adolescentes e grupos vulneráveis, além de crimes contra o Estado Democrático de Direito — como tentativa de golpe de Estado, espionagem e violência política.
Há ressalvas para contexto jornalístico, educativo, crítico, satírico ou de paródia, exigindo análise antes da remoção. Ainda assim, a empresa continuará responsável civilmente pelos danos gerados pelo material, posicionamento que se alinha a entendimento já confirmado pelo Supremo Tribunal Federal em relação ao Marco Civil da Internet.
Plataformas de grande porte, definidas como aquelas com mais de 3 milhões de usuários no Brasil, receberão obrigações adicionais. Elas terão de interromper a circulação de conteúdos que ameacem a integridade das eleições, manter domicílio legal ou escritório de representação no país e disponibilizar serviço de atendimento ao consumidor (SAC) em língua portuguesa.


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Nova agência reguladora e proteção de menores
A fiscalização das regras ficará a cargo da futura Agência Nacional de Proteção de Dados e Serviços Digitais, que substituirá a atual Autoridade Nacional de Proteção de Dados. O órgão será vinculado ao Ministério da Justiça e contará com poder para instaurar processos administrativos, aplicar multas e determinar bloqueios temporários.
O documento dedica capítulo específico à proteção de menores no ambiente on-line. Entre as medidas propostas estão limites de coleta de dados, mecanismos de verificação de idade e exigência de relatórios periódicos de impacto sobre crianças e adolescentes. A liderança do governo na Câmara, comandada pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), condiciona a manutenção dessas regras à aprovação de um projeto focado nesse público, previsto para votação na próxima quarta-feira (20).
Segundo fontes do Planalto, a iniciativa responde à pressão internacional por maior responsabilização das gigantes de tecnologia e segue modelos adotados pela União Europeia. A depender do trâmite legislativo, o Brasil poderá contar com dispositivo de suspensão administrativa inédito na América Latina, reforçando o poder do Executivo para coagir empresas a remover conteúdo considerado ilegal.
Com a proposta, o governo busca criar instrumentos mais céleres para combater crimes on-line, especialmente em temas sensíveis como violência contra grupos vulneráveis e ataques ao processo democrático. As discussões no Congresso, no entanto, devem girar em torno do equilíbrio entre liberdade de expressão, competência do Judiciário e limites à intervenção estatal sobre plataformas privadas.

Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis aqui no Geral de Notícias, podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você!