BRASÍLIA – A política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nova frente de atrito com Israel ao confirmar que não concederá agrément ao diplomata Gali Dagan, indicado por Tel Aviv para assumir a embaixada no Brasil. A decisão chega semanas após a retirada do país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e intensifica críticas de autoridades, entidades judaicas e parlamentares, inclusive aliados do Palácio do Planalto.
Governo veta novo embaixador e mantém escalada de hostilidade
O último embaixador israelense em Brasília, Daniel Zoshine, deixou o posto para se aposentar. Desde janeiro, o governo de Benjamin Netanyahu apontou Dagan, ex-representante na Colômbia, mas o Itamaraty não formalizou a autorização. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o assessor especial Celso Amorim confirmou que o agrément não será concedido, alegando retaliação à declaração de Lula como persona non grata em Israel e ao tratamento dado ao então embaixador brasileiro Frederico Meyer, convocado por Tel Aviv a prestar esclarecimentos em um museu do Holocausto.
O impasse configura situação inédita: Brasília permanece sem chefe de missão em Israel e recusa o representante indicado por Tel Aviv. Para a oposição, o gesto compromete relações comerciais e isola o país de democracias ocidentais. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, avalia que a medida enfraquece a tradicional postura brasileira de mediação internacional.
Saída da IHRA provoca reação interna e externa
Anunciada no fim de julho, a desfiliação do Brasil da IHRA — aliança criada em 1998 para combater o antissemitismo — gerou repúdio de governos estrangeiros e de organizações judaicas. O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou a decisão como “falha moral profunda”. A World Jewish Congress considerou o ato “irresponsável e profundamente preocupante”. No plano doméstico, o Supremo Tribunal Federal viu dois de seus presidentes, Luiz Roberto Barroso e Luiz Fux, ambos judeus, externarem desconforto. Segundo Barroso, o abandono da IHRA “favorece o antissemitismo e não traz benefício algum ao país”.
No Congresso, deputados de diferentes partidos pediram explicações ao chanceler Mauro Vieira. Marcel van Hattem (Novo-RS) protocolou moção de repúdio, enquanto Tábata Amaral (PSB-SP) cobrou os critérios adotados pelo Itamaraty. Já a Federação Árabe Palestina do Brasil saudou a saída, defendendo inclusive o rompimento de relações com Israel.
Aliados judeus se veem constrangidos
A atitude do governo impactou figuras da base governista. O líder Jaques Wagner (PT-BA), judeu, lamentou a comparação feita por Lula entre a ofensiva israelense em Gaza e o nazismo, afirmando que “não se traz a máquina de morte do Holocausto para nenhuma comparação”. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também judeu, já havia demonstrado desconforto quando Lula se recusou a sancionar a lei que institui o Dia da Amizade Brasil-Israel; o próprio Alcolumbre promulgou o texto.
Acusações de normalização do antissemitismo
Especialistas apontam que a sequência de gestos do Planalto fortalece o discurso antissemita. Para Daphne Klajman, pesquisadora do tema, o governo atual é o “mais hostil aos judeus desde Vargas”. O presidente do Instituto Monitor da Democracia, Márcio Coimbra, afirma que a saída da IHRA “oficializa o antissemitismo” e cria ambiente político menos comprometido com o respeito às minorias.
Movimentos civis reagiram. A Federação Israelita de São Paulo lançou a campanha “Diga Não ao Antissemitismo”, que recebeu apoio de lideranças de vários espectros, como o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB). Segundo o World Jewish Congress, a comunidade judaica brasileira soma cerca de 130 mil pessoas, mais da metade na capital paulista.


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Imagem: Andressa Anholete
Implicações diplomáticas e comerciais
Além da recusa ao embaixador, Amorim reiterou que o Brasil não classifica o Hamas como organização terrorista, sustentando que apenas o Conselho de Segurança da ONU poderia fazê-lo. Para críticos, esse posicionamento, somado à ação conjunta com a África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, afeta negociações bilaterais em setores como agronegócio e tecnologia.
Analistas recordam que Israel é fornecedor relevante de equipamentos de irrigação e desenvolve parcerias em segurança pública com estados brasileiros. A interrupção de diálogo em nível de embaixadores tende a atrasar novos acordos e a travar pautas em andamento.
Enquanto o Planalto mantém silêncio sobre eventual recuo, parlamentares articulam iniciativas para pressionar o governo a retomar a cooperação com a IHRA e aceitar o representante israelense. A Comissão de Relações Exteriores do Senado avalia convocar oficialmente o chanceler Mauro Vieira para detalhar a estratégia diplomática.
Para quem acompanha de perto o cenário político, vale conferir outras análises na seção dedicada a Política do nosso site.
Em resumo, o veto ao novo embaixador de Israel e a retirada da IHRA recolocam o Brasil no centro de um debate internacional sobre antissemitismo e isolam o país de parceiros tradicionais. Acompanhe nossas atualizações e fique informado sobre os próximos desdobramentos.

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