Brasília, 15 ago. 2025 — A sobretaxa de 50% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros completou dez dias e permanece inalterada. O canal de diálogo que poderia amenizar o impacto econômico foi praticamente fechado depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva multiplicou ataques verbais ao presidente norte-americano Donald Trump. As declarações, somadas à suspensão de uma reunião-chave entre os dois governos, enfraquecem a tentativa de acordo e alimentam incertezas no comércio bilateral.
Reunião cancelada escancara impasse
Na quarta-feira (13), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esperava discutir saídas com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Horas antes do encontro, Haddad recebeu por e-mail o aviso de “conflito de agenda” e a reunião foi cancelada sem nova data. Nos bastidores, diplomatas atribuem o recuo à escalada retórica do Palácio do Planalto.
A conversa era vista como oportunidade para ampliar exceções ou mesmo reduzir a alíquota determinada por Trump. Sem a reunião, empresários nacionais seguem sem horizonte de alívio e o governo brasileiro calcula perdas bilionárias em setores como aço, celulose e proteína animal.
Seis falas de Lula que aprofundam a crise
No intervalo de três dias, o presidente fez seis pronunciamentos que Washington classificou como “hostis”:
1. “EUA tentam criar imagem de demônio”
Durante o lançamento do Plano Brasil Soberano, Lula afirmou que os Estados Unidos “tratam opositores como inimigos” e criam “imagem de demônio” contra quem contestam seus interesses. Ao reduzir a questão comercial a um embate ideológico, o petista afastou a negociação econômica do centro da mesa.
2. “Participação dos EUA no golpe de 64”
No mesmo evento, o presidente recordou o apoio norte-americano ao golpe de 1964 e disse que o Brasil “perdoou” a interferência. A menção a um episódio histórico sensível ampliou o tom acusatório e gerou reação imediata de diplomatas dos EUA.


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3. Crítica à revogação de vistos de ministros
Em discurso na 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária, Lula condenou a retirada de vistos de magistrados do Supremo Tribunal Federal, medida tomada após desentendimentos recentes entre Cortes. Chamou a atitude de Trump de “mau exemplo para a humanidade”.
4. “Declaração de Trump é mentira”
No dia 14, o presidente rebateu afirmação de Trump de que o Brasil seria “mau parceiro comercial”. Lula disse que o norte-americano “resolveu contar mentiras” e que os EUA “só têm lucro” no intercâmbio bilateral.
5. “Brasil não vai ficar chorando”
Em Pernambuco, na inauguração de uma fábrica de hemoderivados, Lula avisou que buscará novos mercados e citou Índia, China e Rússia como alternativas. Segundo o presidente, o País “abrirá quanto mercado for necessário” para compensar o corte de compras dos EUA.
6. “Trump seria julgado no Brasil”
Ainda na conferência, Lula afirmou que, se a invasão ao Capitólio tivesse ocorrido em território brasileiro, Trump estaria sendo julgado e “pagaria pelos erros”. A referência reforçou o contraste entre os dois líderes e irritou a Casa Branca.

Consequências imediatas para exportadores
Com a retórica em alta, entidades do agronegócio, da indústria metalúrgica e do setor de papel e celulose reportam cancelamentos de contratos e redirecionamento de cargas para a Ásia. A Confederação Nacional da Indústria estima queda de US$ 4,2 bilhões nas exportações de agosto a dezembro, caso a tarifa seja mantida.
Analistas de comércio exterior apontam que o Brasil possui limitado poder de retaliação, pois o mercado norte-americano segue relevante em diversos segmentos. Sem diálogo técnico, empresas se veem obrigadas a absorver o custo ou repassar aos preços, situação que ameaça empregos e competitividade.
Horizonte de negociação fica mais distante
Fontes da diplomacia brasileira afirmam que novas conversas dependem de “clima favorável”, algo improvável enquanto as declarações públicas persistirem. A equipe econômica pretendia apresentar proposta de cronograma para reduzir gradualmente a tarifa, mas a agenda permanece aberta.
Por enquanto, o Palácio do Planalto aposta em incentivos internos, previstos no Plano Brasil Soberano, para atenuar as perdas. O pacote prevê linhas de crédito subsidiado, desoneração parcial de insumos e ampliação de acordos com países do Brics e da União Europeia.
Embora o governo repita que “não ficará rastejando”, empresários pressionam pela retomada do diálogo. A Confederação da Agricultura e Pecuária defende que a Casa Civil assuma a linha de frente das negociações, argumentando que a escalada política “contamina” a pauta comercial.
Para entender como a crise pode impactar outras frentes políticas, confira a nossa seção de política, atualizada diariamente.
Em resumo, a sobretaxa norte-americana mantém-se firme enquanto o tom agressivo do Planalto bloqueia a mesa de negociações. Se o impasse persistir, a fatura pode recair sobre exportadores, trabalhadores e consumidores brasileiros. Acompanhe nossos próximos conteúdos e fique por dentro dos desdobramentos.


