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Marcas chinesas ampliam fatia e pressionam indústria nacional com fábricas no Brasil

Política

Montadoras da China avançam de forma inédita no mercado brasileiro. Em julho, BYD e GWM somaram 7,2% das vendas totais de automóveis, segundo a Fenabrave. O crescimento, conquistado em apenas três anos, ultrapassa marcas tradicionais e consolida o Brasil como pilar da estratégia global dessas empresas.

GWM inaugura planta em SP e projeta nova fábrica

A Great Wall Motor (GWM) colocou em operação, em 15 de agosto, sua primeira unidade produtiva nas Américas, localizada em Iracemápolis (SP), no antigo complexo da Mercedes-Benz. O investimento previsto chega a R$ 10 bilhões até 2032, com produção inicial de 50 mil veículos por ano. Três modelos compõem a linha: o SUV híbrido Haval H6, a picape Poer P30 e o SUV Haval H9. O H6 foi o primeiro a deixar a linha de montagem, em evento acompanhado pelo presidente da República.

A estrutura já emprega 600 trabalhadores, número que pode chegar a 2 mil com o início das exportações para outros países latino-americanos. A GWM adota o sistema “peça por peça”, garantindo conteúdo nacional desde o início por meio de 18 fornecedores locais. O plano inclui um centro de pesquisa e desenvolvimento ao lado da fábrica, onde 60 engenheiros deverão trabalhar em soluções para sistemas híbridos, elétricos, hidrogênio e inteligência artificial.

Para ampliar capacidade entre 250 mil e 300 mil unidades anuais, a empresa estuda erguer uma segunda planta entre 2027 e 2032. Estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo disputam o investimento adicional de R$ 6 bilhões.

BYD domina elétricos e enfrenta disputa fiscal

Pioneira em veículos eletrificados no país, a BYD detém 5,4% de participação e ocupa a oitava posição no ranking nacional. Em três anos, comercializou 150 mil unidades, números impulsionados pela chegada de navios próprios que descarregam grandes lotes — o maior, com mais de 7 mil carros, ocorreu em maio no porto de Itajaí (SC).

O complexo industrial da empresa em Camaçari (BA), erguido na antiga planta da Ford, prevê R$ 5,5 bilhões em aportes e capacidade para 600 mil veículos anuais. As primeiras linhas, do Dolphin Mini e do Song Pro, já estão concluídas. Para o vice-presidente sênior Alexandre Baldy, a marca responde a uma “demanda reprimida” por híbridos e elétricos no Brasil.

A estratégia de montagem por meio de kits SKD, com carroceria trazida soldada e pintada da China, gerou reação imediata da Anfavea e de fabricantes instaladas no país. A associação alertou para risco de perda de R$ 60 bilhões em investimentos até 2030 e fechamento de 50 mil vagas caso a alíquota de importação fosse reduzida de 18% para 5% em elétricos e de 20% para 10% em híbridos, como solicitou a BYD.

Governadores de seis estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais — também se manifestaram contra a desoneração, alegando ameaça à cadeia automotiva. Diante da pressão, o governo federal antecipou de 2028 para 2027 a aplicação da tarifa de 35% sobre kits, porém concedeu à BYD uma cota de US$ 463 milhões com imposto zero por seis meses.

Paralelamente, a companhia firmou acordo com a Abipeças e o Sindipeças para alcançar índice de nacionalização superior a 50% até 2027. A lista de componentes inclui para-choques, pneus e baterias, e conta com possível pacote de incentivos fiscais do governo baiano aos fornecedores.

Impacto sobre marcas tradicionais

Com 1,8% de market share, a GWM já ultrapassa Peugeot e BMW. A BYD, por sua vez, vende mais do que Renault, Nissan e Citroën. Esse cenário pressiona montadoras históricas a rever estratégias de preço, eletrificação e conteúdo local, sob pena de perder espaço para marcas que chegam com forte apoio estatal em seus países de origem e custos competitivos.

Enquanto as chinesas aceleram, fabricantes como Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors reforçam junto ao governo a necessidade de proteger empregos qualificados e assegurar equilíbrio tributário, sob argumento de que o Brasil não pode se tornar simples plataforma de montagem de baixa complexidade.

O avanço de BYD e GWM altera o mapa do setor automotivo nacional e eleva o debate sobre política industrial, conteúdo local e competitividade. A trajetória das duas empresas indica que a disputa por mercado nos próximos anos será marcada pela eletrificação e pela busca por incentivos fiscais.

Para acompanhar outras notícias que afetam diretamente a economia e o setor produtivo, acesse a seção de Política e fique por dentro dos desdobramentos em Brasília.

Resumo: em três anos, BYD e GWM conquistaram 7,2% das vendas no Brasil com fábricas próprias e planos de expansão. As iniciativas acirraram disputas fiscais e exigem resposta das montadoras tradicionais. Continue acompanhando nossas publicações e receba atualizações sobre o setor automotivo em primeira mão.

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