Investigadores federais e estaduais revelaram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) transformou-se num conglomerado criminoso com atuação integrada em setores industriais, financeiros e logísticos, movimentando ao menos R$ 82 bilhões entre 2020 e 2024. Os dados vieram à tona nas operações Quasar, Tank e Carbono Oculto, deflagradas no fim de agosto, que miraram a cadeia de combustíveis, esquemas de lavagem de dinheiro e aquisição de patrimônio em larga escala.
Domínio de ponta a ponta na cadeia de combustíveis
De acordo com a força-tarefa formada por Polícia Federal, Receita Federal, Ministérios Públicos e secretarias estaduais de segurança, a facção passou a controlar todos os elos do setor de combustíveis. O modus operandi incluía:
– Compra de fazendas de cana-de-açúcar e usinas de etanol.
– Aquisição de importadoras para trazer gasolina e derivados.
– Apropriação de postos revendedores por meio de laranjas.
– Ameaças de morte a empresários que recusavam vender seus negócios.
Investigações apontam que, apenas nesse ramo, o grupo movimentou R$ 52 bilhões em quatro anos. Parte do lucro veio da adulteração de combustíveis com solventes importados especificamente para essa finalidade. Além do prejuízo direto ao consumidor, o PCC utilizava notas fiscais falsas para sonegar tributos, afetando severamente a concorrência legal.
Lavagem estruturada no mercado financeiro
O segundo eixo das operações indicou o uso de fintechs e fundos de investimento para ocultar e multiplicar recursos ilícitos. A Receita Federal calculou movimentação de R$ 30 bilhões em carteiras multimercado e imobiliárias.
O processo era dividido em etapas: inicialmente, plataformas de pagamento de menor fiscalização recebiam valores em contas controladas por operadores do PCC. Em seguida, o dinheiro ingressava em fundos geridos por bancos e gestoras independentes, ganhando aparência de capital lícito. Parte dos recursos foi destinada à compra de ativos estratégicos, como um terminal portuário e mais de 100 imóveis. Entre eles, consta uma residência avaliada em R$ 13 milhões no litoral de Trancoso (BA).


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Repercussão política e tentativa de transferência de culpa
Logo após a divulgação dos resultados das operações, autoridades do governo federal, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário da Receita, Robson Barreirinhas, passaram a relacionar o esquema ao vídeo gravado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) contra uma portaria da Receita que tratava de reportes de transações via Pix. Embora não tenha havido menção direta em todos os pronunciamentos, a estratégia visou atribuir a parlamentares críticos a responsabilidade por eventuais brechas regulatórias.
Registros internos do Fisco publicados posteriormente mostraram que o combate à lavagem de dinheiro não era mencionado como razão principal da portaria. O próprio Executivo revogou a regra poucos dias depois de ser contestado, reconhecendo falhas na comunicação.
Cooperação interestadual como fator de êxito
Analistas de segurança envolvidos na investigação ressaltam que o êxito parcial das operações Quasar, Tank e Carbono Oculto decorreu da coordenação entre órgãos federais e estaduais. Mesmo com a fuga de parte dos alvos de prisão, a integração de bases de dados fiscais, bancários e policiais possibilitou rastrear fluxos financeiros complexos e bloquear bens em diferentes unidades da federação.

Imagem: Marcelo Camargo
Representantes da força-tarefa defendem que novas ações conjuntas, acompanhadas de ajustes legais para reduzir lacunas em setores como fintechs e fundos, serão essenciais para enfraquecer a estrutura econômica da facção.
Próximos passos e desafios
O bloqueio judicial de ativos, a cassação de licenças empresariais e a aplicação de multas milionárias fazem parte do pacote de medidas encaminhadas ao Judiciário. Segundo os promotores envolvidos, as investigações continuam para identificar eventuais participações de agentes públicos e determinar o destino de recursos desviados para campanhas eleitorais.
Especialistas ouvidos pela equipe de investigação frisam que “asfixiar financeiramente” o PCC é mais efetivo do que focar apenas em prisões. A estrutura empresarial da facção, comparada a modelos de máfia, permite recomposição rápida do quadro de criminosos, enquanto a perda de capital e ativos de produção reduz a capacidade de expansão.
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Em resumo, as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto trouxeram evidências concretas de que o PCC superou o estágio de facção de tráfico para tornar-se um conglomerado econômico criminal, com presença em agricultura, logística, finanças e imóveis. Novas ofensivas integradas e mudanças regulatórias despontam como vetores decisivos para conter o avanço dessa estrutura. Continue acompanhando nosso site e receba atualizações diárias sobre segurança pública e política.
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