O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, neste sábado (9), um telefonema do presidente russo Vladimir Putin. A conversa, solicitada pelo chefe do Kremlin, concentrou-se em dois pontos centrais: a evolução da guerra na Ucrânia e os preparativos para a próxima cúpula do Brics.
Putin apresenta panorama do conflito no leste europeu
Segundo comunicado oficial de Moscou, Putin expôs a Lula a sua visão sobre os combates no leste da Ucrânia, descreveu os desdobramentos militares e comentou os impactos das sanções impostas pelos países ocidentais. O líder russo reiterou que, na avaliação do Kremlin, o prolongamento das hostilidades decorre da “falta de disposição” de Kiev e de seus aliados para negociar termos que atendam às exigências de segurança da Rússia.
Até o momento, o Palácio do Planalto não divulgou a sua própria versão do diálogo nem informou como o presidente brasileiro reagiu às colocações de Putin. Em pronunciamentos anteriores, o governo brasileiro tem defendido tratativas que incluam representantes de Moscou e de Kiev na mesma mesa, sem condicionar o debate a pré-requisitos definidos pela União Europeia ou pelos Estados Unidos.
A postura de neutralidade adotada por Brasília, que se manifesta na recusa a aderir às sanções econômicas contra a Rússia, foi mantida. Fontes do Itamaraty indicam que o Brasil continuará a dialogar com todas as partes envolvidas, sustentando a posição tradicional de não intervenção em conflitos externos sem mandato da ONU.
Cooperação estratégica e agenda do Brics
Além das questões de segurança, os presidentes discutiram o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Rússia, com ênfase no Brics — bloco que reúne, além dos dois países, Índia, China e África do Sul. A presidência rotativa do grupo está sob responsabilidade de Moscou e a próxima cúpula está agendada para outubro, em território russo.
O Kremlin destacou que a preparação do encontro inclui temas econômicos prioritários, como a ampliação do comércio bilateral em moedas locais e o possível lançamento de uma unidade de conta comum para transações internas do bloco. O objetivo, segundo a nota russa, é “reduzir a dependência de sistemas financeiros externos e fortalecer a soberania econômica dos membros”.
Autoridades brasileiras acompanham de perto a discussão. O Ministério da Fazenda avalia cenários para aumentar a participação do real em operações comerciais com parceiros do Brics, medida vista como alternativa à volatilidade cambial ligada ao dólar. Até o momento, no entanto, não há decisão final sobre a criação de uma moeda de referência nem detalhes sobre sua governança.
Contexto diplomático brasileiro
A ligação ocorre em meio a intensa agenda internacional do governo federal. Desde o início do ano, Brasília participou de encontros com chanceleres de diversos países, buscando reforçar o papel brasileiro como mediador em crises globais. Em junho, o presidente Lula discutiu a guerra da Ucrânia com líderes europeus durante viagem a Roma, onde voltou a defender negociações diretas e condenou ataques a civis. Ainda assim, o Brasil mantém distância das medidas punitivas apoiadas pela OTAN.


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Paralelamente, a administração brasileira fortalece relações com nações emergentes. Em julho, representantes de Pequim e Nova Délhi visitaram Brasília para alinhar posições sobre reforma de organismos multilaterais e ampliação da infraestrutura de financiamento do bloco. Tais iniciativas convergem com o argumento de Moscou de que o Brics deve se consolidar como alternativa às estruturas dominadas pelo Ocidente.
Próximos passos até a cúpula de outubro
Nos próximos meses, diplomatas dos cinco países membros intensificarão reuniões técnicas para definir pautas que serão apresentadas aos chefes de Estado em outubro. Entre os tópicos previstos estão:
- Plano de expansão do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) para financiar projetos de infraestrutura e energia;
- Mecanismos de compensação comercial em moedas nacionais, reduzindo custos de transação;
- Caminhos para ingresso de novos países interessados em integrar o bloco.
A delegação brasileira espera fechar acordos que ampliem o crédito para programas de logística, petróleo e gás, setores considerados estratégicos pela equipe econômica. O Itamaraty, por sua vez, trabalha para garantir que qualquer mudança na estrutura do Brics respeite o princípio de equidade entre os membros, evitando assimetrias que possam favorecer um único país.
Impacto interno e repercussão
No Congresso Nacional, parlamentares acompanham o tema. Integrantes da base governista defendem a aproximação com Moscou como oportunidade para diversificar mercados e impulsionar exportações do agronegócio. Já setores da oposição cobram transparência sobre o conteúdo das conversas com Putin e querem garantir que o Brasil não se aliene de parceiros tradicionais do Ocidente.
Neste cenário, a chamada de Putin reforça a relevância da diplomacia presidencial direta, instrumento que o Kremlin utiliza para consolidar alianças e contornar pressões externas. Para Brasília, o diálogo serve para manter canais abertos com todos os atores envolvidos, proteger interesses econômicos e, ao mesmo tempo, buscar espaço de protagonismo em uma ordem internacional em transformação.
Com a aproximação da cúpula de outubro, espera-se que novos contatos ocorram entre as chancelarias. O governo brasileiro mantém a expectativa de que o encontro resulte em avanços concretos na cooperação financeira e em sinalização clara de apoio a soluções negociadas para a crise na Ucrânia.

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