Uma missão oficial composta por senadores brasileiros regressou de Washington sem conseguir abrir diálogo com nomes influentes do Partido Republicano. O encontro mais aguardado, marcado com o senador Lindsey Graham (Carolina do Sul), foi cancelado de última hora, deixando a comitiva apenas frente a interlocutores democratas.
Agenda frustrada com republicanos
Coordenada por Nelsinho Trad (PSD-MS), a delegação desembarcou nos Estados Unidos com o objetivo de discutir o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. A presença de Lindsey Graham, considerado um aliado relevante na bancada governista norte-americana, era vista como condição decisiva para encaminhar possíveis ajustes na taxa.
Segundo apurado nos bastidores, Graham recebeu aconselhamento de correligionários para não participar da reunião. O receio era se expor ao lado de parlamentares identificados com a oposição a Trump e, assim, comprometer sua imagem junto ao eleitorado conservador da Carolina do Sul. Em 2026, o republicano tentará um novo mandato e já enfrenta pré-candidatos alinhados ao movimento Make America Great Again (MAGA), que questionam seu grau de fidelidade à plataforma conservadora.
Sem o principal republicano na mesa, coube ao senador Thom Tillis (Carolina do Norte) manter o único encontro formal entre a comitiva brasileira e um membro do partido de Trump. Tillis, no entanto, tem baixa influência na Casa Branca depois de votar contra o pacote orçamentário proposto pelo presidente e de anunciar que não buscará reeleição no próximo ano.
Reuniões concentradas em democratas
Ao todo, nove políticos norte-americanos receberam os parlamentares brasileiros. Oito deles pertencem ao Partido Democrata. Entre os nomes, destacaram-se Tim Kaine (Virgínia), vice na chapa de Hillary Clinton em 2016, e Mark Kelly (Arizona), cotado para vaga na vice-presidência de Kamala Harris em 2024. Também participaram Ed Markey, Michael Bennett, Martin Heinrich, Chris Coons, Jeanne Shaheen e a deputada Sydney Kamlager-Dove.
Os democratas manifestaram solidariedade ao Brasil contra o aumento tarifário, mas, em linha com declarações recentes de Lindsey Graham, criticar am a decisão brasileira de ampliar a importação de petróleo russo. Na prática, a delegação saiu sem garantias de qualquer revisão imediata da política adotada pela Casa Branca de Trump.
Contexto político e impacto interno
Integrantes da missão atribuíram a ausência de Graham a articulações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que defendeu publicamente impedir o encontro. Pelas redes sociais, o parlamentar declarou trabalhar para que senadores “sem alinhamento” com Trump não fossem recebidos por nomes-chave do governo norte-americano.


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Imagem: Fotos de Jim Watson via oglobo.globo.com
Sem agenda robusta com republicanos, a comitiva limitou-se a levar pedidos de revisão tarifária a interlocutores democratas. O resultado, porém, foi meramente declaratório. Faltaram compromissos objetivos que pudessem ser levados à equipe econômica de Trump, responsável pela decisão sobre a alíquota de 50%.
No Brasil, a repercussão foi imediata. Parlamentares lig ados à base governista avaliaram que o episódio reduz a margem de manobra do Senado para negociar diretamente com Washington. Já setores da oposição apontaram falta de estratégia ao selecionar contatos majoritariamente democratas em um cenário dominado pela agenda republicana.
Pressão eleitoral sobre Lindsey Graham
Com quatro mandatos no Senado, Graham entrou na vida pública antes da ascensão de Donald Trump e chegou a enfrentá-lo nas primárias de 2016. Posteriormente, alinhou-se ao presidente e tornou-se voz ativa na defesa de pautas conservadoras. Ainda assim, figuras como André Bauer, ex-vice-governador da Carolina do Sul, e Paul Dans, ligado ao Projeto 2025, exploram qualquer sinal de distanciamento para enfraquecê-lo nas primárias.
Dessa forma, aparecer ao lado de uma delegação sem apoio explícito do presidente norte-americano poderia ser explorado politicamente por rivais internos. O cenário levou Graham a recusar a reunião, medida interpretada como proteção à própria campanha e sinal de lealdade incondicional ao plano traçado pela Casa Branca.
Ao retornar, os senadores brasileiros levaram apenas a promessa de acompanhamento do tema por parte dos democratas. Sem interlocução republicana efetiva, a expectativa sobre uma eventual redução do tarifaço permanece indefinida.

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