Brasília, 26 de agosto de 2025 – O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, voltou a cobrar publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o Palácio do Planalto assuma posição de apoio às ditaduras da Venezuela e de Cuba. Segundo Stedile, os regimes de Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel estariam sendo alvo de uma “guerra híbrida” conduzida pelos Estados Unidos contra toda a América Latina.
Pressão sobre o Planalto
A declaração foi feita em entrevista à emissora estatal venezuelana Telesur no último fim de semana, pouco depois de três navios de guerra norte-americanos se deslocarem para águas próximas à Venezuela, oficialmente para operações de combate ao narcotráfico. Para o dirigente do MST, a movimentação naval faz parte de uma estratégia de Washington para manter influência política e econômica na região.
“Nesse momento, todas as forças populares de esquerda, da classe trabalhadora, dos camponeses, devemos nos juntar em solidariedade à Venezuela e a Cuba. Espero que o governo brasileiro perceba que também é vítima desses métodos de guerra híbrida e se junte à Alba-TCP”, afirmou Stedile, em referência à Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América.
O MST é aliado histórico do PT, mas divergências têm se acumulado desde o início do atual mandato presidencial. A principal fricção envolve o ritmo da reforma agrária e das desapropriações prometidas na campanha de 2022.
Carga contra sanções e tarifas
Para justificar a cobrança, Stedile citou o embargo financeiro a Cuba, as sanções contra a Venezuela e tarifas aplicadas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros. De acordo com ele, tais medidas compeliriam o Brasil a recolher impostos que beneficiariam o Tesouro norte-americano, realimentando a indústria bélica de Washington.
“O Brasil sofre parte dessa guerra híbrida com taxações que vão fazer o povo brasileiro pagar impostos às mercadorias para o Tesouro americano, que terá mais recursos para enviar armas para a Ucrânia, para Israel, para o Sudão”, declarou.


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O dirigente também relembrou o histórico de interferências externas no continente, citando golpes de Estado que teriam contado com apoio dos EUA em décadas anteriores. Na visão de Stedile, o método deixou de ser militar para assumir contornos econômicos e políticos, sem a necessidade de tropas em solo.
Críticas ao governo e ao ministro do Desenvolvimento Agrário
A tensão entre Stedile e o Planalto ganhou força em 2024, quando o MST classificou como “ridículo” o número de famílias assentadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Mais recentemente, o líder camponês pediu a saída do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, por alegada falta de execução das promessas feitas ao movimento.
Stedile responsabiliza o ministro por não assegurar verba no Orçamento que viabilize novos assentamentos. Ele também acusa Teixeira de produzir anúncios considerados vazios, sem resultados concretos na ponta. Até o momento, o Planalto não respondeu às declarações nem confirmou qualquer mudança na pasta.

Imagem: Lula Marques
Movimentação dos EUA no Caribe
O deslocamento dos navios de guerra americanos ocorre em meio ao aumento da presença militar de potências globais no Caribe. O Comando Sul dos EUA informou que a missão tem foco no enfrentamento a cartéis de droga que utilizam rotas marítimas para escoar entorpecentes rumo ao mercado norte-americano. O governo venezuelano, por sua vez, não emitiu posicionamento oficial sobre a operação.
Enquanto isso, Caracas segue sob regime de sanções internacionais que limitam a venda de petróleo e o acesso do país a crédito externo. Havana enfrenta obstáculos semelhantes, com bloqueio financeiro que perdura desde a década de 1960. Ambos os governos integram a Alba-TCP, bloco fundado pelo falecido Hugo Chávez em 2004, do qual o Brasil nunca participou.
Cenário interno e próximos passos
A pressão de Stedile sinaliza nova etapa de tensão entre o MST e a administração federal. Embora Lula mantenha diálogo frequente com lideranças rurais, a oposição critica o relacionamento alegando favorecimento a movimentos classificados como invasores de propriedades. No Congresso, parlamentares já ensaiam pedidos de convocação de ministros para explicar a política agrária e a eventual aproximação com regimes autoritários latino-americanos.
Não há, por ora, indicação de que o governo brasileiro planeje ingressar na Alba-TCP ou endossar publicamente a narrativa de “guerra híbrida” propalada pelo MST. A diplomacia brasileira sustenta discurso de não-alinhamento automático, mas tem evitado condenar formalmente violações de direitos humanos em Caracas e Havana—postura questionada por setores da sociedade civil e pela oposição no Legislativo.
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Resumo: João Pedro Stedile cobrou que Lula apoie Venezuela e Cuba contra suposta “guerra híbrida” dos EUA, elevando a pressão sobre o Planalto em meio a divergências sobre reforma agrária. Continue acompanhando nossas publicações e receba alertas em tempo real ativando as notificações do site.

