O governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump, deve intensificar as sanções contra o Brasil caso Brasília aprofunde laços econômicos com a China. A avaliação é do pesquisador Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global e da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, Washington enxerga a América Latina como zona histórica de influência norte-americana e reage a qualquer avanço geopolítico de Pequim na região.
EUA miram influência chinesa na América Latina
A participação chinesa na economia brasileira cresceu de forma acelerada. No primeiro semestre de 2025, o Brasil se tornou o segundo maior destino de investimentos externos da China. Para Pfeifer, esses aportes não se resumem a acordos comerciais; representam parte da estratégia de Pequim para ampliar presença global em um cenário multipolar, reduzindo a hegemonia dos EUA.
Em resposta, a administração Trump acompanha de perto a aproximação sino-brasileira. Conforme Pfeifer, quanto mais o Brasil se alinhar a Pequim, maior será a pressão de Washington por meio de barreiras políticas, jurídicas e econômicas. O pesquisador observa que o mesmo raciocínio vale para outras potências: Rússia sobre sua vizinhança, China sobre Taiwan e Hong Kong e EUA sobre o continente americano.
O especialista frisa que, embora a China busque intensificar negócios na América Latina, não pretende entrar em confronto direto com os Estados Unidos. Para ele, se a presença chinesa começar a desafiar interesses estratégicos norte-americanos, Pequim tende a recuar para evitar retaliações semelhantes na Ásia.
Tarifas recordes e punições individuais já em vigor
Nos últimos meses, Washington adotou uma série de medidas voltadas especificamente ao Brasil:
• Tarifas sobre exportações: em abril de 2025, Trump impôs alíquota geral de 10% sobre todos os produtos brasileiros. Em julho, o percentual subiu para 50% – a maior taxação aplicada pelos EUA contra um parceiro comercial.


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• Investigação comercial: em 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) abriu inquérito sobre práticas consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” do Brasil, citando desde o sistema de pagamentos Pix até a proteção ao etanol e o comércio de produtos piratas.
• Sanções pessoais: em 30 de julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes entrou na lista de restrições da Lei Magnitsky, que congela bens nos EUA e proíbe transações com cidadãos americanos. Outros nomes ligados ao governo Lula também tiveram vistos cancelados.
• Relatórios de direitos humanos: em agosto, o Departamento de Estado incluiu o Brasil entre os países com cenário “agravado” na área, apontando censura a opositores, bloqueio de redes sociais e violência policial.
Trump relacionou publicamente parte das punições ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em carta enviada em 18 de agosto, o republicano disse “manifestar desaprovação” às ações conduzidas pelo STF e justificou a política tarifária como resposta à suposta perseguição ao livre discurso.
Objetivo político: troca de governo em Brasília
Pfeifer interpreta o conjunto de medidas como instrumento de pressão direta sobre o Planalto. “Os Estados Unidos aguardam mudança de governo ou de orientação externa do Brasil; esse é o cálculo final”, pontua. Na prática, Washington sinaliza que manterá o endurecimento até perceber distanciamento entre Brasília e Pequim ou alteração da política interna que considera hostil.

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No Congresso norte-americano, o tema também avança. O senador republicano Tom Cotton incluiu, no orçamento de inteligência para 2026, dispositivo para investigar o avanço chinês no agronegócio brasileiro e seus impactos na segurança alimentar dos EUA. O texto destaca preocupações com controle de cadeias de suprimentos globais e possível dependência dos agricultores americanos de insumos dominados por empresas vinculadas a Pequim.
Para Pfeifer, a iniciativa confirma que agências de inteligência já monitoram a relação sino-brasileira. O pesquisador fala em “segurança multidimensional”, abrangendo aspectos alimentar, energético, ambiental e político. Qualquer movimento capaz de afetar esse quadro tende a acionar novos mecanismos de contenção por parte de Washington.
Perspectiva de curto prazo
Diante do cenário, exportadores brasileiros avaliam perdas bilionárias caso o tarifaço se mantenha. Paralelamente, autoridades de Brasília enfrentam dilema entre ampliar parcerias com a China — investidor crescente em infraestrutura, energia e tecnologia — ou preservar o acesso privilegiado ao mercado norte-americano, ainda principal destino de produtos de alto valor agregado.
Conclusão
A escalada de sanções mostra que a Casa Branca pretende defender sua esfera de influência na América Latina com medidas robustas. Para analistas, o Brasil terá de calibrar a balança diplomática entre os dois maiores players globais para evitar impactos severos sobre economia e estabilidade interna.
Se você quer acompanhar outros desdobramentos da relação Brasília-Washington, visite a sessão dedicada a política e mantenha-se atualizado.
Este artigo resumiu os principais fatores por trás das sanções dos EUA ao Brasil. Continue navegando, informe-se e compartilhe para que mais pessoas entendam os efeitos dessa disputa geopolítica no seu dia a dia.

