Brasília — Publicações nas redes sociais passaram a exibir, desde quarta-feira (30), um vídeo de uma mulher sendo algemada nos Estados Unidos com a legenda “filha do Barroso do STF sendo deportada”. A informação está incorreta. Verificação de imagens e consulta à assessoria do Supremo Tribunal Federal confirmam que a jovem do vídeo não é Luna van Brussel Barroso, filha do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso.
Como a gravação se espalhou
A peça de desinformação circulou no TikTok, Instagram, Facebook e X, impulsionada por comentários que sugeriam deportação imediata da suposta envolvida. A onda de boatos ganhou força após 19 de julho, quando o governo norte-americano suspendeu vistos de oito ministros do STF e de familiares próximos. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado, incluiu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, alegando perseguição e censura contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse ambiente de tensão, perfis passaram a associar o vídeo à filha de Barroso, embora não haja qualquer relação entre a estudante e a cena divulgada. O conteúdo foi republicado em diversos formatos, sempre com legendas afirmando que Luna estaria sendo deportada, presa ou conduzida por autoridades de imigração.
Verificação aponta autoria real do vídeo
Especialistas em checagem de fatos empregaram a ferramenta InVid para fragmentar o vídeo em quadros estáticos. Cada frame foi pesquisado no Google Lens, solução que identifica publicações anteriores das mesmas imagens. Os resultados levaram a reportagens de veículos norte-americanos que cobriram um incidente de trânsito em junho deste ano, em Nova York.
Segundo a emissora CBS News, a mulher detida havia colidido o carro que dirigia contra o veículo de um detetive lotado no gabinete da procuradora-geral de Nova York. Após o acidente, ela foi algemada e levada para interrogatório. Não há qualquer menção à filha do ministro brasileiro no material original.
Posicionamento do Supremo Tribunal Federal
A assessoria de imprensa do STF declarou que a alegação é “inteiramente falsa”. Informou ainda que Luna van Brussel Barroso mora no Brasil e não esteve envolvida em qualquer procedimento de deportação. A corte reforçou que a divulgação do vídeo, vinculando o nome da estudante, configura desinformação.
Boatos anteriores e contexto político
Essa não foi a primeira tentativa de associar a filha do ministro Barroso a eventuais punições impostas pelos Estados Unidos. Desde julho, outros três conteúdos falsos circularam com alegações de deportação, escolta policial e suposto choro ao ser informada de sanções. Todos foram checados e considerados enganosos.
A suspensão de vistos aos magistrados brasileiros, decisão sem apresentação de provas públicas pelo governo norte-americano, alimentou uma série de especulações. No dia seguinte ao anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou “solidariedade” aos ministros afetados e criticou Washington por adotar, segundo ele, uma medida “arbitrária”.

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Ferramentas para identificar manipulações
A checagem do vídeo evidencia a utilidade de recursos gratuitos, como InVid e Google Lens, disponíveis a qualquer usuário. O processo envolve:
- quebrar o vídeo em quadros individuais;
- submeter cada imagem a buscas por ocorrências anteriores;
- confirmar data, local e contexto da gravação.
Essas etapas simples permitem constatar se material recém-publicado é de fato inédito ou se foi reutilizado em narrativa diferente da original.
Consequências da desinformação
Compartilhar conteúdos enganosos pode caracterizar infração a partir do momento em que a honra ou imagem de terceiros é afetada. Mesmo sem intenção de dano, a republicação de informação falsa expõe o autor a eventuais responsabilidades civis. A legislação brasileira prevê sanções para quem propaga calúnia, difamação ou injúria.
Além disso, o uso reiterado de boatos em ambientes digitais prejudica o debate público ao desviar atenção de fatos concretos. No caso em análise, o foco deveria recair sobre os motivos que levaram o governo norte-americano a suspender vistos de magistrados brasileiros, questão ainda sem explicações completas, e não sobre alegações infundadas envolvendo familiares.
Internautas que receberem o vídeo podem verificar a origem antes de compartilhar. Uma simples busca reversa de imagens, aliada à consulta a veículos confiáveis, costuma ser suficiente para impedir que rumores avancem.

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