A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) voltou a se dirigir aos brasileiros nesta quarta-feira (6) por meio de uma carta escrita à mão. O documento foi publicado no Instagram pelo filho da parlamentar, João Zambelli, apesar de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede manifestações públicas da deputada enquanto ela aguarda extradição na Itália.
Mensagem desafia restrição imposta pelo Supremo
No texto, redigido em duas páginas, Zambelli afirma manter a “fé e a cabeça erguida” e declara que “nenhum ditador nos colocará de joelhos”, referência direta ao ministro Alexandre de Moraes. A postagem durou poucas horas antes de ser removida pela própria plataforma. Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, responsável pela defesa no Brasil, a publicação contrariou explicitamente a ordem judicial. Ele atribuiu a divulgação a um “momento de emoção” do filho.
O STF determinou, em decisão anterior, que Zambelli não pode se comunicar por intermédio de familiares, assessores ou imprensa, regra semelhante à imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro em outro inquérito. Além disso, os perfis oficiais da deputada, de seu filho e de sua mãe continuam bloqueados por imposição da Corte. Apesar disso, novas contas foram abertas e vêm sendo utilizadas pelo núcleo familiar.
A carta reforça a narrativa de perseguição alegada pela parlamentar desde o início do processo que culminou em sua condenação. Zambelli sustenta inocência e diz confiar em “dias melhores” para o Brasil. O material foi repercutido por apoiadores em grupos de mensagens, gerando reação imediata de aliados de Moraes, que defendem aplicação rigorosa da ordem judicial.
Detenção em Roma e processo de extradição
Carla Zambelli foi presa em Roma no último 29 de julho, dois meses após deixar o Brasil para escapar do mandado expedido pelo STF. Ela foi condenada a 10 anos de reclusão por supostamente coordenar um ataque hacker contra o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na invasão, teria sido incluído no sistema do órgão um falso mandado de prisão contra o próprio Moraes.
A parlamentar prestou depoimento às autoridades italianas e optou por seguir o rito formal de extradição, procedimento que pode se arrastar por meses ou até um ano. Enquanto o julgamento não é concluído, a justiça italiana determinou que Zambelli permaneça detida. Advogados tentam demonstrar que não há garantias de imparcialidade no retorno imediato ao Brasil, argumento que a Procuradoria-Geral da República rebate.
O Ministério Público brasileiro enviou documentos às autoridades de Roma destacando que o STF oferece plenas condições de julgamento e que a continuidade da detenção é essencial para preservar as investigações. A defesa, por sua vez, insiste que a deputada coopera com a justiça e não representa risco adicional ao processo.
Cassação avança na Câmara
Paralelamente às questões criminais, o processo de cassação do mandato da deputada tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O relator, deputado Paulo Azi (União-BA), decidiu pela realização de oitiva da investigada por videoconferência, além de depoimentos de testemunhas indicadas.


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Após parecer da CCJC, o plenário da Câmara votará se retira ou não o mandato da parlamentar. A legislação exige maioria absoluta para a perda de mandato. Caso o processo se estenda, existe ainda a possibilidade de cassação automática por faltas não justificadas, uma vez que Zambelli está fora do país desde maio.
A bancada do PL articula para garantir quórum mínimo favorável à deputada, argumentando que a condenação em primeira instância não deveria resultar em punição política imediata. Parlamentares de oposição, porém, afirmam que a manutenção do mandato compromete a imagem da Casa.
Disputa jurídica e impacto político
A repercussão da carta evidencia o embate constante entre parte da ala conservadora e a cúpula do Judiciário. Moraes tem sido alvo frequente de críticas por decisões que limitam perfis, bloqueiam contas e restringem manifestações de figuras alinhadas à direita. Para apoiadores de Zambelli, a ordem que proíbe declarações fere garantias fundamentais; para defensores do ministro, trata-se de medida necessária para evitar interferência nas investigações.
Nos bastidores, aliados da deputada acreditam que a mensagem manuscrita fortalece seu capital simbólico junto à base eleitoral que vê em Moraes um obstáculo à liberdade de expressão. Do outro lado, interlocutores do STF avaliam que a publicação pode agravar a situação processual da parlamentar, reforçando a tese de descumprimento reiterado de ordens judiciais.
Enquanto aguarda definições na Itália e em Brasília, Carla Zambelli permanece no centro de um impasse que combina questões criminais, enfrentamento institucional e disputa política. A próxima etapa relevante será a decisão da justiça italiana sobre a extradição, seguida do julgamento do pedido de cassação na Câmara. Até lá, cada palavra divulgada — autorizada ou não — mantém a deputada em evidência e alimenta o debate sobre os limites de atuação do Judiciário frente a parlamentares eleitos.

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