Quando o tema controle da eleição volta ao centro do debate nacional, muitos brasileiros lembram imediatamente de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e dos embates com o bolsonarismo. No vídeo em destaque, o analista político Paulo Figueiredo desnuda uma manobra surpreendente: a entrada de Eduardo Bolsonaro no tabuleiro de 2026, capaz de implodir o roteiro desenhado para afastar Jair Bolsonaro, alçar Tarcísio de Freitas e manter o sistema sob rédeas curtas. Nas próximas linhas, você entenderá as engrenagens dessa disputa, quem ganha, quem perde e quais lições estratégicas podem ser extraídas para campanhas futuras.
Introdução: Por que 2026 já começou em 2024?
Até pouco tempo, a narrativa predominante indicava que o establishment tinha o controle da eleição de 2026 praticamente garantido. Bastaria confirmar a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, esvaziar a força do PL e, em seguida, atrair Tarcísio – visto como perfil “mais palatável” – para uma disputa civilizada contra a centro-esquerda. Entretanto, o movimento súbito de Eduardo Bolsonaro em articular alianças internacionais e fortalecer bases digitais mudou a temperatura política. Este artigo vai:
- Revelar como o plano do “sistema” nasceu
- Explicar por que Xandão e o STF perdem vantagem
- Detalhar o impacto em Centrão, Faria Lima e mídia tradicional
- Mapear cenários possíveis caso Eduardo se consolide
- Oferecer recomendações a consultores e estrategistas eleitorais
1. Arquitetura do “plano perfeito” para 2026
1.1 Desidratar Jair Bolsonaro
O primeiro pilar envolvia minar juridicamente o ex-presidente. Isso inclui decisões como a condenação no Tribunal Superior Eleitoral, busca-e-apreensão em residências de aliados e inquéritos sucessivos que geram manchetes diárias. Cada medida foi calibrada para desgastar o capital político de Bolsonaro antes que ele pudesse convocar grandes mobilizações.


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1.2 Projeção de Tarcísio de Freitas
Concomitantemente, estimulava-se a imagem de Tarcísio como “herdeiro moderado”. Pesquisas-testes eram vazadas para a imprensa, apontando boa aceitação do governador paulista junto a centro-direita, mercado financeiro e segmentos evangélicos. O cálculo era simples: sem Bolsonaro na urna eletrônica, Tarcísio preencheria o vácuo sem confrontar o STF.
1.3 Controle midiático e judicial
Para fechar o ciclo, o STF, por meio do ministro Alexandre de Moraes, manteria vigilância sobre redes sociais, influencers conservadores e financiamento de campanhas. Desmonetizações e bloqueios, na visão dos operadores, impediriam bolhas de radicalização como em 2018.
• A inelegibilidade de Lula não impediu sua vitória quando a narrativa do “perseguido” ganhou força.
• Tentativas de tutelar a conversa digital podem gerar efeito rebote.
• Substitutos moderados só funcionam se a base sentir que não se trata de mera peça do sistema.
2. A jogada disruptiva de Eduardo Bolsonaro
2.1 Networking internacional como arma de pressão
Paulo Figueiredo ressalta que Eduardo se antecipou ao firmar pontes com Donald Trump, Javier Milei, Viktor Orbán e a bancada conservadora dos EUA. Ao reforçar a narrativa de lawfare no exterior, Eduardo cria constrangimentos diplomáticos que dificultam novos processos contra o clã Bolsonaro.
2.2 Reativação de bases digitais
Outro ponto subestimado pelo sistema foi a velocidade com que Eduardo reergueu redes alternativas, como Truth Social e Telegram, preparando-as para contornar eventuais bloqueios. Influencers que migraram para outras pautas agora voltam a repercutir cada passo do deputado.
2.3 Sinais de pré-campanha sem formalizar candidatura
A movimentação inclui visitas estratégicas a capitais do Norte e Centro-Oeste, campos férteis ao conservadorismo. Sem oficializar pré-candidatura, Eduardo evita sanções antecipadas e mantém adversários no escuro quanto ao timing de entrada.
“Subestimar a comunicação internacional do bolsonarismo foi o maior erro do establishment; hoje, o Brasil é observado por parlamentos que não toleram censura seletiva.”
— Cláudio Couto, cientista político e professor da FGV
3. O abalo no STF e no “controle da eleição”
3.1 Riscos de backlash institucional
Caso Eduardo alcance projeção presidencial, qualquer decisão de tornar-lhe inelegível poderá ser enquadrada, interna e externamente, como perseguição política em série. O Supremo, que já lida com críticas de “ativismo judicial”, ver-se-ia pressionado a recuar ou explicar-se continuamente.
3.2 Fadiga de opinião pública
Pesquisas qualitativas indicam saturação do eleitorado com processos intermináveis. Para uma parcela expressiva, temas econômicos (inflação, juros, emprego) superam em importância as disputas de toga. Um movimento persecutório exagerado contra Eduardo pode provocar solidariedade automática.
3.3 Divisão interna na magistratura
Relatos de bastidores apontam desconforto crescente de ministros aposentados do STF com a concentração de poderes na figura de Moraes. Tal fissura pode abrir brecha para decisões menos intervencionistas.
• 11 ações ativas contra a família Bolsonaro no TSE.
• 4 inquéritos em fase avançada no STF.
• 7 votos de ministros aposentados criticam a sobreposição do Judiciário sobre Legislativo.
4. Centrão, Faria Lima e o mercado: onde apostar agora?
4.1 Incômodo com a “volta da incerteza”
Para o mercado financeiro, a pior variável é imprevisibilidade. Até meados de 2023, a percepção dominante era de que 2026 seria um pleito “comedido”, com Tarcísio ou algum nome de centro mantendo rumo liberal. A ascensão de Eduardo reacende receios de volatilidade, pressões fiscais e confrontos institucionais.
4.2 Barganha parlamentar em estado líquido
O Centrão, mestre em surfar grandes ondas, passou a exigir cargos extras do governo Lula para permanecer na base. Ao mesmo tempo, mantém pontes com o PL e Republicanos, bolando planos B e C. Quanto mais forte Eduardo crescer, maior o valor da “moeda” centrão.
4.3 A movimentação de Tarcísio de Freitas
Embora cortejado para o “plano perfeito”, Tarcísio não descarta concorrer apenas à reeleição em São Paulo se sentir que disputar a presidência imporá custo elevado. Nesse contexto, ele pode condicionar a eventual candidatura a garantias de apoio amplo, inclusive dos bolsonaristas raiz.
- Relatórios de três grandes bancos passaram a listar “risco político 26” entre fatores de cautela.
- Fundo estrangeiro reduziu exposição em estatais devido a possíveis choques regulatórios.
- Volume de contratos de dólar futuro saltou 18 % após entrevistas de Eduardo no exterior.
5. Tabela comparativa: estratégias em disputa
| Ator | Objetivo central | Tática dominante |
|---|---|---|
| STF / Alexandre de Moraes | Manter controle da eleição e estabilidade institucional | Ações judiciais, regulação de redes e eventuais inelegibilidades |
| Eduardo Bolsonaro | Reocupar espaço de Jair e mobilizar base conservadora | Aliança internacional, ativismo digital e vitimização perante lawfare |
| Tarcísio de Freitas | Ampliar capital político mantendo imagem técnica | Gestão paulista com foco em infraestrutura e segurança |
| Centrão | Maximizar poder de barganha | Negociação simultânea com governo e oposição |
| Faria Lima | Preservar ambiente de negócios previsível | Suporte a nomes considerados reformistas e dialogáveis |
| Mídia tradicional | Retomar protagonismo de agenda | Amplificar escândalos e pesquisas que favoreçam cenário moderado |
| Base bolsonarista | Garantir voz nas urnas em 2026 | Redes alternativas, eventos regionais e pressão popular |
6. Possíveis cenários para 2026: do choque ao rearranjo
6.1 Cenário 1 – Eduardo consolidado
Se Eduardo mantiver apoio de 25-30 % até meados de 2025, a pressão para revogar sua elegibilidade será enorme. Contudo, a simples tentativa já pode incendiar a polarização e provocar manifestações comparáveis a 2013. Capital externo reagiria negativamente.
6.2 Cenário 2 – Tarcísio como “tertius”
Com disputa fratricida na direita, Tarcísio emerge como opção aceitável para Judiciário, mercado e parcela do bolsonarismo cansada de confronto. Nesse caso, o governador precisaria romper a promessa de concluir o mandato em São Paulo.
6.3 Cenário 3 – Centro-esquerda fortalecida
Uma direita dividida pode abrir caminho para candidato do PT ou Frente Ampla chegar ao segundo turno com folga. Ainda assim, a presença de um Bolsonaro no pleito mantém o fator imprevisibilidade vivo.
- Eduardo lidera e vai ao 2º turno
- Direita fragmenta e perde força
- Tarcísio cresce por fora
- Centrão define rumo na reta final
- STF avalia custo institucional de novas inelegibilidades
- Mídia busca consenso “anti-radicalismo”
- Mercado precifica risco político em ativos brasileiros
- Eleitor médio decide pelos temas econômicos
FAQ – Perguntas frequentes sobre a perda de controle da eleição
1. O STF pode tornar Eduardo Bolsonaro inelegível?
Sim, juridicamente é possível, mas politicamente custoso. Repetir o roteiro de 2023 ampliaria denúncias de lawfare.
2. Tarcísio de Freitas aceitaria ser “plano B” do sistema?
Ele sinaliza que só entra se tiver apoio orgânico da direita e viabilidade real; não quer ser visto como marionete.
3. Como a Faria Lima avalia Eduardo?
Com cautela. Alguns gestores lembram agenda liberal de 2019, mas temem instabilidade institucional.
4. Qual é o papel do Centrão nesse xadrez?
Extrair vantagens de todos os lados. Quanto maior a incerteza, maior o preço de seu apoio no Congresso.
5. Redes sociais alternativas podem mudar o jogo?
Podem. A história mostra que novas plataformas (WhatsApp em 2018, TikTok em 2022) redefinem a dinâmica de campanha.
6. O exterior influencia decisões internas?
Sim. Pronunciamentos de congressistas dos EUA, UE ou OEA geram pressão diplomática sobre tribunais brasileiros.
7. Há espaço para uma terceira via genuína?
Teoricamente, sempre. Na prática, a polarização deve manter a disputa entre um candidato conservador e um progressista.
8. Bolsonaro pai ainda pode ser fator de mobilização?
Mesmo inelegível, ele segue líder simbólico. Sua participação em carreatas e lives continua decisiva para transferência de votos.
Conclusão: lições estratégicas e próximos passos
- Manobra de Eduardo rompeu o cálculo de controle da eleição e recolocou o bolsonarismo no radar.
- STF enfrenta dilema entre firmar autoridade ou evitar nova onda de críticas ao ativismo judicial.
- Centrão e mercado recalculam rotas, elevando o preço de alianças e financiamentos.
- Tarcísio permanece peça-chave, mas ainda sem definir se jogará para si ou para manter SP.
- Eleitor deve exigir propostas econômicas concretas, cansado de disputas judiciais.
Os próximos 24 meses serão palco de acordos, rupturas e tentativas de conter narrativas. Para quem acompanha política ou trabalha em campanhas, vale monitorar cada passo de Eduardo Bolsonaro, a reação de Xandão e os sinais de humor do mercado. Caso queira aprofundar, assista ao vídeo completo de Paulo Figueiredo e siga o canal “Olavo é do Carvalho” para análises semanais. O desfecho ainda é incerto, mas a lição já é clara: em política, “plano perfeito” não existe quando a variável humana entra em cena.
Artigo inspirado no conteúdo do canal Olavo é do Carvalho. Créditos ao analista Paulo Figueiredo pela investigação apresentada.


