O governo federal corre contra o relógio para evitar que a Medida Provisória 1.303/25, conhecida como “MP da Taxação”, perca a validade às 23h59 desta quarta-feira (8). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto com ministros da área econômica e líderes governistas para traçar a última cartada antes da sessão plenária.
Reunião de emergência no Planalto
Participaram do encontro o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Também estiveram presentes os líderes do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA); na Câmara, José Guimarães (PT-CE); e no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).
A orientação de Lula foi clara: mobilizar a base para alcançar os 257 votos necessários na Câmara dos Deputados. Se a MP caducar, o Planalto perde a estimativa de arrecadação reduzida para R$ 17 bilhões, considerada essencial para fechar o Orçamento de 2026. Originalmente, a proposta pretendia levantar cerca de R$ 35 bilhões, mas concessões feitas ao longo da tramitação diminuíram quase pela metade o montante esperado.
Para acelerar o processo, o governo pressiona parlamentares aliados a comparecerem em massa ao plenário ainda nesta tarde. Caso a medida expire, a equipe econômica avalia editar decretos para subir alíquotas de tributos como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), alternativas que dispensam aval do Congresso.
Disputa de bastidores agita votações
Incomodado com a possibilidade de derrota, o Planalto já apontou culpados. No alvo estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e as direções nacionais de PP e União Brasil. Segundo o relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), Tarcísio estaria “pressionando diretamente” deputados para derrubar o texto como parte de uma estratégia eleitoral para 2026. O governador nega. “Estou focado nos problemas de São Paulo”, afirmou à imprensa.
Além de Tarcísio, Zarattini citou o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, como articuladores contra a proposta. Ambos partidos formaram federação e, nos bastidores, pedem que seus filiados entreguem cargos no Executivo. Os ministros do Esporte, André Fufuca (PP), e do Turismo, Celso Sabino (União), resistem à ideia de deixar o primeiro escalão.


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A comissão mista que analisou a MP aprovou o parecer por apertados 13 votos a 12, indicativo da fragilidade governista. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), acusa a chamada “bancada do agro” de recuar do acordo costurado na semana passada. Ele alega que PP, União Brasil e Republicanos mudaram de posição após pressão de governadores e do setor produtivo.
Do outro lado, parlamentares críticos ao aumento de impostos defendem que o governo reveja gastos antes de elevar a carga tributária. Para eles, a receita extra ameaça a competitividade das empresas e repassa custos à população. Esse discurso ganhou força em legendas de centro-direita, que enxergam na MP um instrumento de ajuste fiscal às custas do contribuinte.
Estratégias em jogo e possíveis cenários
Se o Planalto não garantir quorum, o presidente tem duas opções: enviar novo projeto de lei com urgência constitucional ou editar decretos para alterar tributos já existentes. A segunda saída dispensa votação parlamentar, mas costuma gerar questionamentos judiciais.

Imagem: Camila Abrão
A Fazenda aposta no discurso de responsabilidade fiscal e diz que a medida é indispensável para cumprir a meta de resultado primário. Contudo, a proximidade das eleições municipais de 2024 torna qualquer aumento de imposto impopular, e partidos de centro calculam o impacto nas urnas.
Nos bastidores, parlamentares relatam que o governo oferece cargos e verbas de emendas para garantir fidelidade. Já oposicionistas apontam “chantagem política” e defendem maior transparência nos acordos celebrados dentro do Congresso.
Contagem regressiva
Com o relógio avançando, líderes governistas correm para confirmar presença dos deputados. A sessão está prevista para começar no fim da tarde, mas o clima é de incerteza. Um placar apertado, semelhante ao da comissão mista, poderia resultar em derrota e abrir uma crise na relação entre Planalto e sua base heterogênea.
O desfecho definirá não apenas o fôlego financeiro do Executivo, mas também o grau de influência de governadores e partidos de centro-direita na agenda econômica. Caso o governo fracasse, a oposição interpretará o episódio como sinal de enfraquecimento do Palácio do Planalto na pauta fiscal.
Para saber como outras propostas de impacto fiscal têm avançado no Congresso, visite a nossa seção de política.
Em resumo, o Planalto mobiliza todos os recursos para aprovar a MP da Taxação antes do prazo final, enquanto governadores e lideranças partidárias de centro-direita aproveitam o momento para testar a força do governo na Câmara. Acompanhe a cobertura completa e deixe seu comentário sobre a disputa fiscal em curso.
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