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Governo Lula dobra gastos em publicidade digital e aposta em influenciadores de nicho

Política

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) ampliou de forma expressiva os recursos destinados à publicidade na internet. Entre janeiro e o início de dezembro deste ano, foram desembolsados R$ 69 milhões em ações digitais, montante 110% superior aos R$ 33 milhões registrados no mesmo período de 2024.

Mais verba para internet e cinema

O reforço nos investimentos ocorre após um primeiro semestre marcado por notícias desfavoráveis ao Palácio do Planalto, como a crise do PIX, a alta de preços dos alimentos e questionamentos sobre o INSS. Para tentar ampliar o alcance das campanhas institucionais, a Secom passou a direcionar 25% do orçamento total à comunicação digital. No ano passado, quando a pasta era chefiada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a fatia dedicada à internet era de 13,76%.

Além da web, o cinema também passou a receber mais atenção. Os valores aplicados em salas de exibição subiram 93%, saltando de R$ 1,1 milhão para R$ 2,1 milhões. A decisão acompanha o momento favorável do setor audiovisual, que conquistou um Oscar com o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”.

Influenciadores médios no centro da estratégia

O governo definiu como prioridade o uso de influenciadores digitais com perfis considerados capazes de dialogar com públicos de centro e centro-direita, fora do núcleo tradicionalmente petista. A seleção dos nomes não é feita diretamente pela Secom. O processo passa por quatro agências de publicidade contratadas pelo Planalto, responsáveis por indicar os criadores de conteúdo. Cada influenciador recebe, em média, R$ 20 mil por campanha.

Grandes celebridades da internet, como Felipe Neto, Virgínia Fonseca ou Whindersson Nunes, ficaram de fora por questões orçamentárias. A preferência recai sobre perfis de porte médio, com audiência segmentada e engajamento considerado “mais qualificado” para pautas específicas.

Em algumas ações, integrantes do governo participam diretamente. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por exemplo, respondeu a perguntas de influenciadores voltados ao mercado financeiro. Há também conteúdos voltados à mobilização da base militante, como publicações da criadora Laura Sabino, cujos seguidores são majoritariamente alinhados à esquerda.

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Crivo final do Planalto

Após a indicação pelas agências, os nomes passam por avaliação da Presidência antes da aprovação final. Um dos exemplos mais recentes ocorreu em Osasco (SP), onde o apresentador João Kleber — conhecido pelo quadro “Teste de Fidelidade” — entrevistou transeuntes sobre sua “fidelidade ao Brasil”. O vídeo foi divulgado nos perfis oficiais do governo.

O novo modelo representa mudança significativa em relação à prática adotada até 2024, quando a rádio regional e a televisão absorviam a maior parte das verbas publicitárias. A atual equipe, comandada pelo publicitário Sidônio Palmeira desde janeiro, defende que o foco em plataformas digitais amplia a capilaridade das mensagens oficiais.

Números que chamam atenção

— R$ 69 milhões destinados à publicidade digital em 2025;
— Crescimento de 110% frente a 2024;
— 25% do orçamento total da Secom agora alocado na internet;
— Média de R$ 20 mil pagos por influenciador a cada ação;
— Alta de 93% nos recursos para anúncios em salas de cinema.

Embora a Secom não divulgue a lista completa de influenciadores contratados, o governo afirma que a escolha prioriza métricas de engajamento, afinidade temática com cada campanha e capacidade de alcançar segmentos ainda pouco expostos às comunicações federais.

Com a escalada dos gastos, o Planalto sinaliza que a disputa por corações e mentes no ambiente digital seguirá intensa em 2026, ano de eleições municipais, quando partidos e governos costumam reforçar suas ações de comunicação.

Para acompanhar outros desdobramentos sobre estratégias de comunicação no poder público, visite a editoria de Política.

Em resumo, a Secom multiplicou os recursos para anúncios na internet, priorizou influenciadores de médio porte e elevou a aposta no cinema nacional, buscando contornar desgastes e expandir o alcance de suas mensagens. Continue acompanhando nossas atualizações e confira como o uso das redes sociais pelo governo pode impactar o debate público.

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