Lead: Levantamentos recentes indicam que mais de 16 milhões de brasileiros vivem em 12 mil favelas espalhadas por mais de 600 municípios. O crescimento dessas áreas, somado ao domínio de 72 facções e milícias, recolocou a desfavelização na agenda pública e gerou reação de grupos ligados ao meio acadêmico e cultural, que veem na favela um “berço criativo”.
Números expõem a extensão do problema
Dados consolidados mostram que 8,1% da população nacional reside em favelas. Cinco municípios do Norte e do Nordeste concentram mais da metade de seus habitantes nessas áreas: Vitória do Jari (69,25%), Ananindeua (60,17%), Marituba (58,68%), Belém (57,1%) e Manaus (55,8%). No Sudeste, comunidades como Rocinha (Rio de Janeiro) e Paraisópolis (São Paulo) somam, respectivamente, 72 mil e 58 mil moradores.
Estudos apontam ainda que 23 milhões de brasileiros estão submetidos à influência direta do crime organizado. Entre os fatores que ampliam esse controle estão a precariedade de serviços básicos e a ausência de infraestrutura estatal, lacunas ocupadas por facções que impõem taxas, fornecem serviços de utilidade pública e cerceiam a liberdade de circulação.
A mortalidade violenta acompanha esse cenário. Nos últimos dez anos, cerca de 300 mil jovens foram assassinados, em grande parte pelas mãos do tráfico. A expansão de milícias no eixo Rio–Baixada Fluminense e a pulverização de facções em capitais amazônicas reforçam a urgência de políticas efetivas de segurança e urbanização.
Crítica à glamourização da pobreza
Especialistas alertam para a naturalização das favelas na produção cultural das últimas décadas. Programas televisivos, roteiros de cinema e teses universitárias passaram a retratar essas comunidades com ênfase na música, na dança e na criatividade, deslocando o foco da violência, da falta de saneamento e da ausência de moradia digna.
A crítica reflete um ponto recorrente: ao destacar apenas a riqueza cultural, parte da mídia acabaria desresponsabilizando o poder público e, involuntariamente, chancelando a permanência da precariedade. Festas populares, funk e samba, por exemplo, são reconhecidos como expressões artísticas legítimas, mas não substituem acesso a água tratada, ruas asfaltadas e segurança.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




O contraste é visível quando se compara favelas do Sudeste a aglomerações do Norte e Nordeste, ainda marcadas por barracos de madeira e palafitas. A falta de eletricidade regular e o esgoto a céu aberto contrariam o discurso de que “a favela venceu”.
Crime e militância: interesses convergentes
O debate sobre quem se beneficia da manutenção das favelas inclui dois atores centrais. De um lado, facções e milícias, que transformam territórios vulneráveis em fontes de lucro, explorando serviços ilegais e cooptando moradores. De outro, núcleos progressistas que utilizam a favela como campo de estudo ou palco de eventos culturais, travando resistência a projetos de remoção ou urbanização considerados “gentrificadores”.
Para analistas alinhados ao campo conservador, esses grupos criam barreiras ideológicas que retardam intervenções estatais. Quando propostas de pavimentação, regularização fundiária ou habitação popular são apresentadas, surgem argumentos de que a mudança “ameaça identidades” ou “apaga memórias”. Na avaliação desses especialistas, tal narrativa ignora o direito básico de milhões de cidadãos a um ambiente seguro.

Imagem: Rovena Rosa
Pacto de desfavelização
A alternativa apresentada por defensores da urbanização envolve um pacto nacional com três frentes: construção de moradias formais, saneamento integral e combate integrado às organizações criminosas. A estratégia passaria por repasse direto de verbas a municípios, parcerias público-privadas para acelerar obras e operações policiais coordenadas, focadas em inteligência e sufocamento financeiro das facções.
Propostas sugerem priorizar áreas com maior presença de crianças e jovens, evitando que novas gerações sejam capturadas pelo tráfico. Também há previsão de programas de qualificação profissional, garantindo que moradores beneficiados pela regularização fundiária ingressem no mercado de trabalho formal.
Arte sem miséria: um horizonte possível
Críticos da glamourização defendem que, ao extinguir a pobreza extrema, a criatividade popular encontrará outros meios de florescer. Referem-se a exemplos históricos de gêneros musicais que evoluíram quando seus artistas obtiveram condições mínimas de vida, sem abandonar raízes culturais. A desfavelização, portanto, não seria inimiga da arte, mas instrumento para libertar potenciais ainda maiores.
Em síntese, as estatísticas de violência, o avanço de facções e a precariedade sanitária sustentam o argumento de que a desfavelização deve ser tratada como política de Estado, alinhada a valores de segurança, dignidade e mérito. Enquanto setores progressistas insistem na preservação do “caldo cultural”, cresce o consenso de que moradia formal e saneamento são urgentes e inegociáveis.
Se você busca mais dados sobre o impacto das políticas públicas no cotidiano dos brasileiros, confira a categoria de Política em nosso portal.
Urbanizar favelas, garantir saneamento e enfrentar o crime organizado são passos decisivos para devolver liberdade e oportunidades a milhões de brasileiros. Acompanhe nossos próximos conteúdos e participe desse debate compartilhando este artigo com sua rede.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

