Fato principal: A série documental “Monstros: a História de Ed Gein”, lançada pela Netflix, reacende o debate sobre a natureza do mal ao confrontar o assassino norte-americano Ed Gein com a análise filosófica de Hannah Arendt sobre Adolf Eichmann.
Crimes de Ed Gein voltam à discussão pública
Produzida pela Netflix, a minissérie reconstrói os assassinatos praticados por Ed Gein, agricultor de Plainfield, Wisconsin, ativo na década de 1950. Gein retirava pele e ossos de suas vítimas femininas para confeccionar objetos domésticos, criando um cenário macabro dentro da própria fazenda. A produção exibe registros fotográficos, depoimentos de investigadores e imagens de arquivo, além de detalhar o ambiente em que o criminoso vivia: cômodos repletos de tigelas feitas com crânios, móveis revestidos de pele humana e um quarto mantido intacto em homenagem à mãe, de quem era obsessivamente dependente.
Durante as investigações, agentes encontraram na casa revistas e fotografias do período nazista, entre elas ilustrações sobre Ilse Koch, apelidada de “Bruxa de Buchenwald” e acusada de produzir artefatos com pele tatuada de prisioneiros. O material indica que Gein se inspirava numa iconografia nazista pela estética mórbida, não por convicção política. O assassino buscava a carne como matéria-prima, tratando o corpo humano como utensílio artesanal.
Paralelo com Adolf Eichmann e a “banalidade do mal”
Ao mesmo tempo em que a série ganha audiência global, professores de filosofia revisitam a obra de Hannah Arendt, especialmente “Eichmann em Jerusalém”. A pensadora alemã estudou o caso de Adolf Eichmann, oficial nazista responsável pela logística de deportação de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Diferente de Gein, Eichmann nunca empunhou armas nem manteve contato direto com as vítimas; limitou-se a carimbar ordens e organizar transportes. No tribunal israelense, justificou-se dizendo que apenas cumpria regras de Estado.
Arendt cunhou o termo “banalidade do mal” para descrever a conduta do réu: um funcionário comum, sem traços sádicos evidentes, cujo crime resultou da recusa em pensar sobre as consequências de seus atos. O contraste entre o psicopata artesanal e o burocrata disciplinado aponta para a mesma realidade: a desumanização da pessoa, seja pela mutilação do corpo, seja pela redução do indivíduo a estatística administrativa.
Do horror manual ao industrial
Especialistas que comentam a série observam uma continuidade entre os dois perfis. Gein materializava fantasias de violência no isolamento do campo, enquanto Eichmann transformava deportações em rotina de escritório. No primeiro caso, o objeto é a mulher, convertida em ornamento; no segundo, o ser humano, transformado em número. A técnica industrial, aplicada aos campos de concentração, elevou o que era perversão individual à escala estatal, substituindo o prazer do assassino pela eficiência sistematizada.


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A recepção do público confirma a inquietação. O horror explícito de Gein provoca repulsa imediata, ao passo que o horror administrativo de Eichmann tende a ser relativizado como consequência impessoal de diretrizes governamentais. Para estudiosos conservadores, o alerta de Arendt permanece válido: regimes que desprezam a responsabilidade individual e se amparam em cadeias burocráticas facilitam a repetição de tragédias.
Relevância contemporânea
Analistas notam que a série se tornou ferramenta didática em cursos de filosofia, ética e direito. A combinação de narrativa audiovisual com textos clássicos incentiva o debate sobre limites da obediência e da neutralidade técnica. Ao expor o “mal radical” praticado por um fazendeiro e o “mal banal” executado por um servidor, a obra convida o espectador a avaliar a importância da consciência moral na vida cotidiana.

Imagem: Divulgação
Para o público conservador, a discussão reacende a necessidade de freios institucionais que impeçam o Estado de acumular poder sem controle social. A ênfase na responsabilidade pessoal, no primado da lei natural e no respeito à dignidade humana aparece como antídoto aos riscos apontados por Arendt.
O lançamento de “Monstros: a História de Ed Gein” demonstra como a cultura pop pode aproximar a audiência de temas históricos decisivos, ainda que desconfortáveis. A série escancara que, seja na fazenda isolada de Wisconsin, seja nos gabinetes de um regime totalitário, o resultado final é a mesma negação da humanidade.
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Em síntese, a série da Netflix confronta dois rostos do mal — o psicopata artesanal e o burocrata conformista — e reforça a lição de Arendt sobre o perigo de uma sociedade que abdica do pensamento crítico. Assista, reflita e compartilhe este alerta.
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