O agente da Polícia Federal (PF) afastado Philipe Roters Coutinho tornou-se alvo central das apurações da própria corporação, da Justiça e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada para investigar fraudes bilionárias contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre maio de 2024 e maio de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o servidor movimentou R$ 2,8 milhões, valor considerado incompatível com seu salário de cerca de R$ 13 mil mensais.
Escolta no Aeroporto de Congonhas
O ponto de partida das suspeitas foi registrado em 7 de novembro do ano passado, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Imagens obtidas por investigadores mostram Coutinho conduzindo um veículo oficial da PF dentro da área restrita do terminal. No banco de trás estavam o empresário Danilo Trento, investigado na CPI da Covid, e Virgílio Oliveira Filho, então procurador-geral do INSS. Ambos eram passageiros de um voo particular.
Parlamentares querem saber se a presença do agente, uniformizado e munido de credencial de acesso, serviu para facilitar a circulação de malas cujo conteúdo permanece desconhecido. A hipótese em análise é que o servidor teria usado sua posição para evitar a fiscalização de cargas possivelmente ligadas ao esquema de descontos ilegais na folha de pagamento de beneficiários do INSS.
O advogado de Coutinho sustenta que o transporte seguiu os “procedimentos legais e habituais aplicáveis ao deslocamento de autoridades” e nega qualquer irregularidade. Já Trento, apontado por investigadores como braço financeiro da organização, não se manifestou. Oliveira Filho, por sua vez, declara não ter ligação com os descontos indevidos.
Operação Sem Desconto e apreensão de dólares
Em abril, a Operação Sem Desconto, conduzida pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), vasculhou a residência do agente. Os policiais encontraram cerca de US$ 200 mil em espécie — o equivalente a R$ 1,1 milhão — além de joias e obras de arte. Coutinho e outros cinco servidores foram afastados imediatamente.
No relatório da operação consta também um padrão de viagens considerado “atípico”. Mesmo lotado em Congonhas, ele realizou diversos deslocamentos de última hora entre São Paulo e Brasília, sem vínculo com missões oficiais. O investigado alega ter arcado com todas as passagens e nega motivação ilícita.


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Fluxo bancário fora da realidade salarial
O documento encaminhado pelo Coaf à CPMI demonstra R$ 1,4 milhão em créditos e montante idêntico em débitos no período de 12 meses. Chamou atenção o volume de operações em espécie, prática que dificulta o rastreamento de origem dos recursos. A Polícia Federal, em procedimento interno, já havia classificado a movimentação como incompatível para um agente público.
A defesa argumenta que “centenas de Relatórios de Inteligência Financeira” foram analisados sem detectar irregularidades e afirma que todos os bens estão declarados no Imposto de Renda. Mesmo assim, senadores e deputados pedem a quebra de sigilo bancário e fiscal de Coutinho, medida autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Conexões com o núcleo financeiro do esquema
Além de Trento e Oliveira Filho, a CPMI apura vínculos do agente com Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema que teria drenado recursos de aposentados. Em depoimento, Antunes negou irregularidades. O empresário Maurício Camisotti, suspeito de movimentar R$ 600 milhões por meio de entidades de fachada e de ter repassado valores a Trento, também nega envolvimento.

Imagem: Saulo Cruz
Outro dado que reforça a suspeita de conluio político-financeiro é a informação de que um empresário investigado doou R$ 100 mil ao Partido dos Trabalhadores (PT) na campanha de 2022. Parlamentares da oposição consideram o elo mais um indício de que agentes públicos foram cooptados para sustentar a fraude.
Convocação e possível condução coercitiva
Até o momento, sete requerimentos pedem a convocação de Coutinho para depor, entre eles o da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), advertiu que, caso testemunhas continuem a evitar a comissão, solicitará condução coercitiva. Viana também avisou que mentir durante as oitivas poderá resultar em prisão em flagrante.
A PF, alegando sigilo determinado pelo STF, não fornece detalhes das investigações internas. Porém, parlamentares insistem em saber se outros agentes foram aliciados e qual foi o destino final dos valores movimentados. Até agora, não há indícios formais de participação de mais servidores.
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O caso evidencia o impacto das fraudes sobre recursos destinados aos aposentados e reforça a necessidade de transparência na atuação de servidores públicos. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe a reportagem com quem se preocupa com a correta aplicação do dinheiro dos brasileiros.
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