O Vaticano divulgou nesta quinta-feira (9) a exortação apostólica Dilexit te, primeiro documento do pontificado de Leão XIV. Assinada em 4 de outubro, a carta retoma um rascunho deixado por Francisco e apresenta o entendimento católico sobre a atenção aos pobres, sem abraçar teses estatizantes nem o chamado “pobrismo”. O texto percorre dois milênios de tradição cristã para sustentar que o compromisso com os necessitados nasce da fé em Cristo, não de agendas ideológicas.
Opção preferencial pelos pobres sem viés ideológico
Leão XIV reafirma a “opção preferencial pelos pobres”, expressão consagrada pelos bispos latino-americanos, mas rejeita transformá-la em categoria sociológica autônoma. De acordo com a exortação, “os pobres não são um fim em si, mas a própria carne de Cristo”. Ao situar os necessitados no centro da vida cristã, o papa evita o desvio típico da Teologia da Libertação, criticada indiretamente ao citar uma instrução de 1984 da Congregação para a Doutrina da Fé, então liderada por Joseph Ratzinger.
O documento recorda santos que se dedicaram aos marginalizados, como Santa Dulce dos Pobres, para ilustrar que a caridade flui da fé, não de pressões políticas. Nessa linha, Leão XIV alerta contra duas tentações: o estatismo da esquerda, que terceiriza a solidariedade ao poder público, e o liberalismo de “gotejamento”, que espera que o mercado corrija sozinho todas as desigualdades.
Crítica ao estatismo e ao liberalismo de gotejamento
Sem ocultar a simpatia pela livre iniciativa, a exortação adverte que o mercado precisa de referências éticas claras. O papa recorda a Centesimus annus, de João Paulo II, para afirmar que o capitalismo só é moralmente aceitável se estiver “inserido em sólido contexto jurídico”, a serviço da dignidade humana. Caso contrário, cai no individualismo que ignora o pobre à porta, como na parábola do rico epulão e do mendigo Lázaro.
Ao mesmo tempo, Leão XIV recusa a solução estatizante cara a governos de esquerda. O documento afirma que a fé cristã não pode limitar-se à esfera privada, mas tampouco deve entregar ao Estado a responsabilidade integral pela justiça social. “Não terceirizemos o apoio ao pobre”, adverte o papa. Ele defende políticas públicas que removam causas estruturais da miséria, porém sem sufocar a iniciativa pessoal, a subsidiariedade e a liberdade econômica.
Esmola, trabalho e participação pública
Dilexit te recomenda três frentes de ação. Primeiro, a participação dos cristãos na vida pública, combatendo o laicismo que tenta banir princípios religiosos do debate nacional. Segundo, a geração de emprego: “O auxílio mais importante para uma pessoa pobre é ajudá-la a ter um bom trabalho”, escreve o pontífice. Por fim, a prática pessoal da esmola, gesto que muitos governos desestimulam, mas que a tradição católica considera expressão direta do amor ao próximo.


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O papa recorre a um documento de 1984 da então Comunidade Econômica Europeia para definir pobreza como insuficiência de recursos materiais, culturais e sociais que exclui o indivíduo de uma vida minimamente aceitável em sua comunidade. Ao enfatizar esse conceito, Leão XIV convida os fiéis a comparar a situação do pobre atual não com padrões medievais, e sim com o nível de vida dos compatriotas contemporâneos.
Repercussão e significado político
Para setores conservadores, a exortação oferece respaldo doutrinário contra o aparelhamento ideológico da caridade. O texto reafirma que a Igreja não foi criada para promover agendas socialistas, mas para anunciar o Evangelho, cuja vivência inclui socorrer os desamparados. Ao mesmo tempo, o documento evita o rótulo de “neoliberal” ao exigir sensibilidade social dos que defendem a economia de mercado.

Imagem: Vatican Media handout
Analistas de esquerda podem reclamar da ausência de propostas de expansão estatal, enquanto teólogos da libertação dificilmente encontrarão justificativa para suas categorias marxistas. Já liberais radicais verão no texto um chamado à responsabilidade pessoal e empresarial, sem esperar que “forças invisíveis” resolvam tudo.
Com pouco mais de 120 parágrafos, Dilexit te se consolida como roteiro prático: integrar fé e ação social, valorizar a iniciativa privada com limites morais e recusar modelos coletivistas. No cenário brasileiro, onde discussões sobre pobreza costumam oscilar entre dependência estatal e laissez-faire, a mensagem do papa chega como alerta equilibrado, mas firme na defesa da dignidade humana.
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Em síntese, Leão XIV convida cada cidadão a reconhecer Cristo nos pobres, combater a miséria sem dogmas estatistas e exercer a caridade de forma concreta. Leia a exortação, reflita e tome parte: há espaço para governos eficientes, empresas responsáveis e indivíduos solidários na construção de uma sociedade mais justa.
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