O Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido à venezuelana María Corina Machado, líder liberal cassada pelo chavismo. O reconhecimento internacional evidencia a distância entre o discurso de defesa da democracia adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o apoio concreto que ele presta ao regime de Nicolás Maduro.
Nobel destaca resistência venezuelana
Em 10 de outubro, o Comitê Norueguês anunciou a escolha de María Corina Machado como vencedora do Nobel da Paz. A premiação reconhece sua atuação na restauração das liberdades políticas na Venezuela, país que convive há anos com perseguição a opositores, censura e colapso econômico. Cassada em 2014 e novamente impedida de concorrer em 2023, a ex-deputada percorreu o país denunciando violações de direitos humanos, apesar de ameaças, bloqueios judiciais e episódios de violência nas ruas.
No discurso de agradecimento, María Corina dedicou o prêmio ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Ela ressaltou que “a paz autêntica surge quando a liberdade vence o medo”, referência ao acordo patrocinado por Trump, Egito e Emirados Árabes Unidos que resultou no fim da guerra na Faixa de Gaza e na libertação de reféns israelenses. A menção chamou atenção pela quebra do consenso progressista que costuma associar o republicano à instabilidade global.
Dedicatória a Trump e pressão geopolítica
Além da atuação no Oriente Médio, Trump foi lembrado por ter intensificado sanções econômicas contra a elite chavista, congelando ativos e dificultando o acesso do governo venezuelano a financiamentos externos. Essa estratégia, aliada à mobilização popular interna, contribuiu para enfraquecer o aparelho de poder de Maduro e ampliar o espaço para a oposição.
A dedicação da láurea ao ex-presidente norte-americano levou analistas internacionais a apontar a relação direta entre resultados concretos — libertação de reféns e desgaste do chavismo — e o fortalecimento de vozes democráticas na América Latina. O gesto de María Corina, portanto, reforçou a ideia de que a contenção de regimes autoritários requer ações firmes, e não apenas declarações diplomáticas.
Contraste com o apoio de Lula a Maduro
A premiação expôs o constrangimento do Palácio do Planalto. Lula mantém laços estreitos com Nicolás Maduro desde o primeiro mandato. Na eleição venezuelana de 2013, o petista gravou vídeos de apoio à candidatura chavista, veiculados em cadeia nacional de televisão. Depoimentos de delação premiada de Mônica Moura e João Santana, publicitários do Partido dos Trabalhadores, indicam que recursos desviados da Petrobras foram usados para financiar campanhas do PSUV, partido governista da Venezuela.


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Em 2023, quando o Tribunal Supremo de Justiça de Caracas confirmou a inelegibilidade de María Corina, Lula classificou o episódio como “questão interna” e ironizou a reação da opositora, sugerindo que ela “procurasse outro candidato”. A declaração foi criticada por ativistas de direitos humanos que apontaram machismo e insensibilidade diante da repressão em curso.
O Nobel de 2025 soma-se a outros prêmios recentes que desafiam a narrativa lulista. Em 2023, a iraniana Narges Mohammadi, presa por denunciar o regime dos aiatolás — aliado do PT em fóruns internacionais —, venceu a mesma categoria. As escolhas consecutivas de mulheres que enfrentaram ditaduras apoiadas por Brasília contrastam com o objetivo declarado de setores petistas de ver Lula laureado como pacificador global.
Repercussão e efeito na política regional
Diplomatas latino-americanos avaliam que o prêmio pressiona governos que mantêm relações próximas ao chavismo a reverem sua posição. Parlamentares de oposição no Brasil já articulam audiências para discutir o impacto de políticas externas que financiem ditaduras. A expectativa é que novas sanções multilaterais aceleren negociações eleitorais na Venezuela, cuja economia depende de parceiros como Brasil e China.

Imagem: Miguel Gutiérrez
Analistas do setor de energia afirmam que a estatal venezuelana PDVSA enfrenta dificuldades para ampliar a produção sem acesso a crédito e tecnologia, fatores que se agravam à medida que o Nobel atrai atenção para denúncias de corrupção e violações de direitos humanos.
Enquanto organismos internacionais celebram María Corina, o governo brasileiro evita comentários públicos sobre o prêmio. Nos bastidores, assessores de Itamaraty admitem que a narrativa de Lula como defensor da democracia perde força quando os laureados representam justamente a resistência a regimes por ele apoiados.
A conquista da líder venezuelana reforça a percepção de que a defesa efetiva da liberdade política na América Latina depende da confrontação direta a tiranias, e não de alianças ideológicas que priorizem interesses partidários ou comerciais.
Para acompanhar outros desdobramentos sobre o posicionamento brasileiro diante de regimes autoritários, consulte a seção de política em Geral de Notícias.
O Nobel da Paz de 2025 redefine o debate sobre democracia na região ao premiar a coragem de quem enfrenta ditaduras. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para ampliar a discussão sobre liberdade na América Latina.
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