O ex-primeiro-ministro português José Sócrates voltou ao centro dos holofotes na 25.ª sessão do julgamento da Operação Marquês, realizada no Juízo Central Criminal de Lisboa. O tribunal ouviu a gestora de viagens Nazaré Soares, responsável pela conta do antigo governante na agência Top Atlântico. Em depoimento, ela confirmou que vários bilhetes aéreos e estadias foram pagos pelo empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data de Sócrates, além de relatar atrasos sistemáticos e substituição de faturas. Mesmo reclamando dos valores, o ex-chefe de governo manteve um padrão de deslocamentos considerado elevado.
Testemunha detalha pagamentos e dívida superior a 11 mil euros
Segundo Nazaré Soares, havia uma conta corrente em nome de José Sócrates na Top Atlântico. Em escuta telefônica de 2013, reproduzida em plenário, o ex-primeiro-ministro afirmou ter enviado ao banco ordem de transferência de mais de 14 mil euros para regularizar despesas pendentes. A testemunha, porém, informou que continuou a existir um débito que ultrapassou 11 mil euros à época.
A funcionária confirmou ainda que Carlos Santos Silva, apontado como financiador de vários gastos pessoais do ex-governante, quitou diversas faturas relativas a voos e hotéis. Questionada sobre prazos, ela relatou atrasos recorrentes nos pagamentos e troca de notas fiscais para “ajustar vencimentos”. Essa dinâmica, segundo o Ministério Público, reforça a suspeita de vantagem financeira indevida recebida por Sócrates.
Classe executiva, hotéis de luxo e queixas sobre tarifas
Inicialmente, Nazaré Soares declarou que o cliente costumava voar na classe econômica. Confrontada com interceptações telefônicas, retificou e reconheceu que as passagens eram, em regra, emitidas na classe executiva, a um custo superior a mil euros por trecho na rota Lisboa-Paris. Mesmo mencionando que o serviço estava “estupidamente caro” e criticando a qualidade a bordo, Sócrates autorizava a emissão dos bilhetes em categoria superior.
Outro diálogo de 2013 ilustrado pela acusação trouxe à tona a reserva de duas diárias no Hotel Lutecia, estabelecimento cinco estrelas situado na capital francesa, atualmente administrado pela rede Mandarin Oriental. Alertado de que cada noite custaria cerca de 800 euros, o ex-primeiro-ministro questionou se haveria opção mais barata. A gestora informou que Paris estava lotada nas datas pretendidas. Apesar do protesto, o político manteve a preferência pelo hotel devido à proximidade dos compromissos que teria na cidade.
Descompasso entre discurso e prática
Em gravações apresentadas ao tribunal, José Sócrates chegou a reconhecer que “talvez estivesse gastando demais” em viagens. O aparente incômodo, porém, não se traduziu em mudança efetiva de comportamento: a testemunha relatou manutenções de voos em executiva e hospedagens de alto padrão mesmo após as reclamações. Para a promotoria, essa postura reforça o argumento de que o ex-governante se beneficiou de recursos de terceiros para sustentar um estilo de vida incompatível com sua renda declarada.


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O julgamento prossegue com novas oitivas ligadas às movimentações financeiras de Carlos Santos Silva e às compras de exemplares do livro lançado por Sócrates em 2013. A defesa do ex-primeiro-ministro nega irregularidades e sustenta que as transferências feitas pelo empresário seriam empréstimos entre amigos.

Imagem: Internet
Próximos passos do processo
Nos desdobramentos da Operação Marquês, o colegiado analisará documentos bancários, contratos e registros de viagens obtidos pela investigação. O Ministério Público pretende demonstrar que a relação de Sócrates com Santos Silva constituiu um esquema de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já os advogados do ex-chefe de governo buscam desqualificar as provas telefônicas e argumentam que não há nexo entre favores políticos e os pagamentos examinados.
A expectativa é de que o interrogatório dos arguidos ocorra depois da conclusão das audiências com testemunhas e peritos, sem prazo fixo para sentença. Observadores apontam que o volume de material probatório poderá estender o julgamento ao longo de 2024.
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Em resumo, as escutas e o depoimento da gestora de viagens expõem discrepância entre o discurso de contenção de José Sócrates e os gastos efetivamente realizados com auxílio de um empresário próximo. Continue acompanhando nosso portal para receber atualizações sobre este e outros casos de impacto, e compartilhe a reportagem com quem se interessa pelos bastidores do poder.
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