A Aegea, maior empresa privada de saneamento do país em população atendida, prepara-se para disputar novas concessões de água e esgoto, mesmo operando no limite de sua alavancagem. A companhia avalia o leilão previsto para dezembro na B3 que deve definir o futuro dos serviços em Pernambuco e acompanha de perto a possível privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), prioridade do governo estadual até 2026.
Leilão de Pernambuco é prioridade imediata
De acordo com o diretor financeiro da Aegea, André Pires, o certame pernambucano apresenta escala semelhante às concessões arrematadas recentemente no Piauí, em 2024, e no Pará, em 2025. “Vamos analisar a modelagem para verificar se o retorno atende aos acionistas e se dispomos da estrutura de capital necessária”, afirmou.
A disputa atrai o interesse da empresa porque, além de envolver distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto, assegura previsibilidade de receita por longo prazo, característica considerada essencial pelo setor privado. Pires adiantou que a trajetória de juros elevados no Brasil — a dívida atual da companhia remunera CDI + 1,2% ao ano — impõe seletividade, mas não impede novas investidas. O gestor lembrou que, apesar do custo financeiro, há forte demanda de investidores locais e estrangeiros por projetos de infraestrutura com selo ESG, o que ajuda a garantir liquidez.
No fim de setembro, a Aegea captou US$ 750 milhões em blue bonds com prazo de dez anos e rendimento anual de 7,625%. A oferta superou expectativas e registrou demanda de US$ 2,4 bilhões, resultando na maior emissão corporativa desse tipo de título no mundo, de acordo com a empresa.
Copasa no radar, mas dentro dos limites de endividamento
A possível privatização da Copasa, segundo maior mercado do país depois de São Paulo, é acompanhada de perto. “O processo deve atrair muitos interessados; nossa participação dependerá do desenho da modelagem”, explicou Pires. O executivo destacou que a estatal mineira apresenta balanço pouco alavancado e gestão considerada eficiente, fatores que elevam sua atratividade.
Hoje, a Aegea opera com alavancagem consolidada de 2,8 vezes dívida líquida sobre Ebitda, chegando a quatro vezes quando incluídos todos os ativos — nível que a administração define como teto seguro. “Queremos manter esse patamar e, se ultrapassá-lo, que seja por curto período. Caso uma nova transação exija mais capital, recorreremos a fontes adicionais para não romper o limite”, disse.


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Para preservar a disciplina financeira, a companhia recorre a sócios em projetos específicos. Na compra da Corsan, por exemplo, a Aegea ficou com 75% do capital e trouxe os fundos Perfin e Kinea para os 25% restantes. O modelo dilui riscos e reduz aporte próprio em cada concessão.
Estratégia combina expansão gradual e capital de parceiros
No período de doze meses encerrado em junho de 2025, o Ebitda consolidado atingiu R$ 10 bilhões, enquanto o Capex somou cerca de R$ 6 bilhões ao ano. A Aegea administra 370 contratos de concessão e parcerias público-privadas, atendendo 892 municípios em 25 unidades da federação.

Imagem: Cauê Diniz
Mesmo com juros altos, a empresa aposta em cenário favorável para financiamento de infraestrutura. Projetos de saneamento oferecem receitas indexadas e horizonte de longo prazo, condição vista como atrativa para grandes fundos que buscam diversificação de carteira e exposição a métricas sustentáveis.
O objetivo da Aegea é avançar em novos mercados sem comprometer o equilíbrio do balanço. A aposta no “ecossistema de parceiros” permite disputar leilões bilionários, como o de Pernambuco, mantendo a alavancagem sob controle. Caso Minas Gerais confirme a privatização da Copasa antes de 2026, a empresa avalia participar em consórcio, desde que o retorno compense o investimento.
Entre 2024 e 2025, a companhia consolidou presença no Norte e no Nordeste e agora direciona esforços para o Sudeste. A estratégia combina disciplina financeira, ampliação gradual da base de clientes e captura de sinergias operacionais. Com isso, a Aegea se posiciona como protagonista no processo de expansão do saneamento básico nacional, impulsionado por marcos regulatórios que privilegiam eficiência, metas de universalização e participação da iniciativa privada.
Para acompanhar outros movimentos de privatização e concessões no país, acesse a seção de política em Geral de Notícias e fique por dentro das decisões que impactam o mercado de infraestrutura.
Em resumo, a Aegea se mantém fiel à disciplina de alavancagem, busca sócios estratégicos e mira licitações relevantes para sustentar o crescimento. Continue acompanhando as próximas etapas desses processos e veja como a iniciativa privada deve ampliar seu papel no saneamento brasileiro.
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