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Processo de paz no Oriente Médio avança com libertação de reféns, mas Hamas resiste

Opinião

O processo que busca encerrar décadas de conflitos entre Israel e palestinos registrou um passo decisivo nesta semana, quando o Hamas entregou os últimos 20 reféns israelenses ainda vivos após o ataque de 7 de outubro de 2023. O gesto, embora significativo, expôs obstáculos que ameaçam retardar a consolidação de um acordo definitivo e estável na região.

Libertações assentam primeira etapa do acordo

Na segunda-feira, dezenas de famílias em Israel finalmente reencontraram parentes mantidos em cativeiro por quase dois anos. A libertação encerrou a fase prevista no entendimento mediado por Estados Unidos e potências árabes para a troca de reféns por prisioneiros palestinos. Em contrapartida, Tel-Aviv já colocou em liberdade quase 2 mil detidos, entre eles 250 condenados à prisão perpétua.

A entrega, porém, não foi concluída em sua totalidade. O acordo previa também o repasse dos corpos de 28 reféns assassinados durante o sequestro. O prazo expirou, e apenas dez corpos foram devolvidos ‑ um deles, segundo autoridades israelenses, seria de um morador de Gaza e não de um refém. O atraso priva famílias do direito ao sepultamento digno e pressiona os mediadores a exigir o cumprimento integral dos termos.

Hamas perde trunfo, mas tenta adiar desmilitarização

Com o fim do cativeiro dos reféns vivos, o Hamas vê desaparecer a principal moeda de troca acumulada desde que assumiu o controle da Faixa de Gaza, em 2007. O grupo extremista, classificado como organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia, agora resiste aos dispositivos centrais do plano de paz: a desmilitarização total, a fiscalização externa do cessar-fogo e a supervisão internacional da reconstrução do território.

Para ganhar tempo, o Hamas recorreu a manobras internas. Sua força policial, a chamada Radea, atacou facções rivais que teriam colaborado com Israel durante a contraofensiva de 2023. O episódio gerou novos confrontos entre palestinos, mas não atraiu a mesma repercussão internacional registrada quando Israel protagoniza operações militares. A situação confirma que a violência continua instrumento recorrente do grupo para manter poder e intimidar dissidências.

Autoridade Palestina e segurança no pós-conflito

Um ponto crítico reside na criação de uma Autoridade Palestina funcional e comprometida com a manutenção da ordem. A proposta prevê que forças policiais treinadas por missão internacional assumam a segurança interna em Gaza, substituindo tropas israelenses. Israel discorda da saída imediata de seus militares, alegando que a lacuna pode ser aproveitada por radicais. Sem administração estável e sem fiscalização robusta, o vácuo institucional tende a beneficiar milícias e reforçar o ciclo de violência.

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Reconstrução bilionária exige controle rigoroso

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento calcula que a reconstrução de Gaza demandará investimentos na casa das dezenas de bilhões de dólares e poderá se estender por décadas. Para a população local, o desafio é que esses recursos cheguem a obras de infraestrutura, não ao rearmamento de facções. Durante quase 20 anos de domínio do Hamas, verbas internacionais foram desviadas para túneis e arsenais, deixando a população sem serviços básicos. A comunidade doadora pressiona por mecanismos de auditoria e transparência antes de liberar novas parcelas.

Pressão externa busca garantir continuidade do diálogo

Diferentemente de inovações diplomáticas anteriores, o atual esforço coloca responsabilidade direta sobre atores regionais. Estados Unidos e aliados europeus condicionam benefícios políticos a Israel ao cumprimento das etapas do plano, enquanto potências árabes cobram do Hamas e da Autoridade Palestina compromissos públicos com a não-beligerância. A ideia é tornar o retorno ao estado de hostilidade mais custoso do que avançar rumo à coexistência de dois Estados.

Históricos de fracasso alimentam ceticismo, mas analistas apontam que a conjugação entre pressão financeira, garantias de segurança e supervisão internacional cria ambiente inédito. Caso o Hamas se recuse a desarmar, corre o risco de isolamento irreversível inclusive entre países árabes, cada vez mais alinhados à normalização de relações com Israel.

Para acompanhar atualizações sobre os desdobramentos políticos nacionais que repercutem na diplomacia brasileira, acesse a seção de Política.

Em síntese, a libertação dos últimos reféns vivos encerrou uma etapa simbólica e retirou do Hamas seu principal instrumento de chantagem. O sucesso dos próximos passos dependerá da desmilitarização efetiva, da reconstrução supervisionada de Gaza e da atuação firme de potências aliadas para impedir retrocessos. Continue acompanhando nossas publicações e mantenha-se informado sobre os impactos globais dessa negociação.

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