Um levantamento apresentado pelo escritor e jornalista Flavio Morgenstern chama atenção para o avanço de agressões físicas e discursivas após a disseminação do rótulo “extrema direita” como arma retórica no debate público. Segundo o autor, a banalização do termo desumaniza opositores e cria ambiente favorável à justificativa de ataques.
Escalada de rótulos no cenário político
Morgenstern observa que o termo “extrema direita” tornou-se presença constante em jornais, salas de aula e programas de televisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou recentemente que “erramos ao permitir o avanço da extrema direita”, sem detalhar quais medidas seriam aceitáveis para conter o suposto fenômeno. Para o Instituto Humanitas Unisinos, citado pelo artigo, grupos que “ameaçam a governança mundial” estariam todos na mesma categoria — ainda que incluam correntes heterogêneas e até contraditórias.
Exemplos de ampliação da etiqueta aparecem em diferentes frentes. O portal argentino Infobae classificou Vladimir Putin como representante de uma “visão ultraconservadora de gênero” por afirmar que “mulher é mulher e homem é homem”. Já parlamentares como Filipe Martins — que, ao ajeitar a lapela do terno em audiência no Senado, foi acusado de fazer gesto supremacista — relatam ameaças de morte após campanhas virtuais.
Nas redes sociais, o influenciador Felipe Neto chegou a ligar o gesto de Martins a ideias de supremacia, conteúdo posteriormente apagado. Ainda assim, mensagens contra o ex-assessor se multiplicaram, ilustrando o efeito de rotulações precipitadas.
Outro caso citado envolve a deputada Sâmia Bomfim (PSOL), para quem defender redução do Imposto de Renda ou criticar aumento da carga sobre consumo seria igualmente “agenda de centrão e extrema direita”. Dessa forma, temas fiscais passam a receber contornos ideológicos, dificultando um debate técnico sobre tributação.
Quando o discurso vira ação violenta
O artigo relaciona a retórica ao crescimento de episódios de violência contra figuras classificadas como direitistas. Nos Estados Unidos, o militante Tyler Robinson subiu em um telhado e atirou contra o comentarista Charlie Kirk, conhecido por debater com estudantes em universidades. Kirk sobreviveu, mas o incidente reforçou o alerta sobre riscos para quem assume posições conservadoras.


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Noutro caso, o então candidato Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante ato de campanha em 2018, ferimento que quase custou a vida do político. Para Morgenstern, a narrativa de que o adversário seria “fascista” serviu de gasolina retórica para o agressor.
A lista inclui ainda quatro disparos contra o senador colombiano Miguel Uribe, além da morte do candidato equatoriano Fernando Villavicencio em emboscada. O ex-presidente norte-americano Donald Trump também escapou por centímetros ao virar a cabeça durante atentado recente em comício.
A tônica, segundo o levantamento, é a mesma: autores dos ataques justificam-se com o argumento de que estariam impedindo um “novo Hitler”, comparação repetida em ambientes acadêmicos e televisivos quando o rótulo “extrema direita” se torna sinônimo de ameaça existencial.

Imagem: Chris Boese
Decisões judiciais reforçam a banalização
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, rejeitou que chamar um parlamentar de “nazista” configure ofensa suficiente para acusação de calúnia ou difamação. Ao julgar processo movido pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO) contra o também deputado José Neto (PP-GO), Dino afirmou que termos como “nazista” ou “fascista” fazem parte do “debate político normal”. Para críticos, a posição institucionaliza o uso indiscriminado de adjetivos historicamente associados a genocídio, aumentando o risco de violência legitimada por slogans.
Consequências para o debate público
Ao equiparar opiniões econômicas, críticas a políticas educacionais e posições sobre conflitos internacionais a ameaças extremistas, o espaço de diálogo diminui. Pesquisadores citados pelo autor argumentam que, quando metade da população passa a ser tratada como “potencial Hitler”, a eliminação física do opositor deixa de parecer absurda para alguns militantes, que se sentem moralmente autorizados a agir.
Para analistas conservadores, o fenômeno revela inversão de valores: em vez de combater ideias com argumentos, setores do campo progressista apostariam na delegitimação sumária, estratégia que alimenta hostilidade e bloqueia o pluralismo democrático.
O levantamento de Flavio Morgenstern reforça a necessidade de referências precisas ao descrever correntes políticas, evitando que rótulos sirvam como gatilho para ações criminosas. A conclusão indica que preservar a distinção entre discordância e ameaça real é passo fundamental para reduzir a violência no debate público.
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Em síntese, a normalização de acusações de “extrema direita” contra vozes divergentes tem gerado consequências concretas, inclusive tentativas de assassinato. A partir dos dados apresentados, a vigilância sobre o uso de linguagem política torna-se indispensável. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe o conteúdo para ampliar a discussão responsável.
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