Brasília e Washington deixaram a mesa de negociações sem um acordo concreto nesta quinta-feira, 16 de outubro, após uma reunião de 20 minutos entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O diálogo buscava destravar barreiras tarifárias, ampliar cooperação tecnológica e preparar a primeira bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. No entanto, exigências ligadas à situação de Jair Bolsonaro e às decisões do ministro Alexandre de Moraes travaram qualquer avanço imediato.
Tarifaço de 50 % continua sem solução
O governo brasileiro entrou no encontro com a prioridade clara de excluir o país do tarifaço de 50 % imposto pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos nacionais. A equipe liderada por Mauro Vieira argumentou que a medida afeta setores estratégicos, compromete empregos e reduz a competitividade das exportações brasileiras.
Do lado norte-americano, a disposição em rever a tarifa apareceu condicionada a concessões consideradas sensíveis em Brasília. Segundo relatos, Washington espera contrapartidas relacionadas a insumos de alto valor tecnológico, especialmente as terras raras, além de interesse explícito no PIX, sistema de pagamentos instantâneos que vem ganhando espaço e ameaçando operadores tradicionais de crédito.
Apesar de classificar a conversa como “muito produtiva” em declaração à imprensa, Mauro Vieira saiu sem qualquer compromisso formal de revisão das alíquotas. Fontes diplomáticas confirmam que o Brasil continua buscando alternativas para minimizar o impacto do tarifaço, mas, até agora, não há indicação de flexibilização por parte dos norte-americanos.
Pressão sobre Bolsonaro e Moraes irrita comitiva brasileira
Relatos do correspondente Eliseu Caetano, da Jovem Pan, apontam que a comitiva brasileira deixou a reunião mais desanimada do que entrou. O motivo: interlocutores dos Estados Unidos teriam sinalizado que qualquer passo relevante dependerá do desfecho de questões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A referência a processos judiciais e investigações em curso no Brasil foi recebida como ingerência indevida por integrantes do Itamaraty. Internamente, auxiliares de Mauro Vieira avaliaram que a pauta política doméstica foi utilizada como moeda de troca em assuntos estritamente comerciais, o que reduziu o espaço de entendimento imediato.


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Participantes e pauta estratégica
Pelo lado brasileiro, além de Mauro Vieira, estiveram presentes os embaixadores Mauricio Carvalho Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente e sherpa do Brasil no BRICS; Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros; e Joel Sampaio, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social. Representando os Estados Unidos, participou o representante comercial Jamieson Greer.
No âmbito econômico, ficaram sobre a mesa temas como cadeias de suprimento, exportação de minérios críticos e expansão do PIX para operações internacionais. A delegação norte-americana manifestou interesse especial em acordos que facilitem acesso a reservas brasileiras de terras raras, componentes essenciais para a produção de chips, baterias e equipamentos de defesa.
Já o Brasil insiste em regras que garantam transferência de tecnologia e abertura de mercado para produtos agrícolas, além da retirada ou redução das tarifas adicionais em vigor. Embora as duas partes reconheçam a importância de evitar novos atritos, a falta de convergência prática evidencia a distância entre as prioridades de cada capital.

Imagem: Internet
Próximos passos antes da cúpula da ASEAN
O encontro desta semana tinha também o objetivo de preparar terreno para que Lula e Trump se encontrem durante a cúpula da ASEAN, marcada para o fim deste mês na Malásia. Assessores diplomáticos acreditam que, sem sinais objetivos de avanço, a bilateral corre risco de ficar esvaziada ou ser repleta de declarações sem efeito concreto.
Mesmo com o impasse, o Itamaraty pretende manter conversas técnicas nas próximas semanas. O embaixador Mauricio Carvalho Lyrio ficou encarregado de alinhar propostas sobre clima e energia, enquanto Philip Fox-Drummond Gough seguirá negociando parâmetros econômicos. A expectativa oficial é de que reuniões de nível técnico consigam identificar pontos de convergência que permitam aos presidentes apresentarem, ao menos, um comunicado conjunto.
Analistas consultados reservadamente reconhecem que a tradição de parceria entre Brasil e Estados Unidos tende a prevalecer no longo prazo, mas alertam que o foco atual em agendas políticas internas — de ambos os lados — dificulta soluções imediatas em comércio e tecnologia.
Em meio a incertezas, a consolidação do PIX como modelo de pagamento e o potencial brasileiro em terras raras continuam atraindo atenção norte-americana. Resta saber se Brasília conseguirá capitalizar esse interesse sem ceder em pontos considerados sensíveis pela base aliada e pela oposição.
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Em resumo, a tentativa de reaproximação esbarrou em condicionantes impostas por Washington e manteve o tarifaço de 50 % intacto. Resta ao governo brasileiro investir em tratativas técnicas antes da cúpula da ASEAN. Continue conosco para receber atualizações sobre as negociações e seus impactos para o setor produtivo brasileiro.
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