Brasília, 16 de outubro de 2025 – O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, classificou como “extremamente perigosa” a situação do sistema elétrico brasileiro. O aviso, feito em audiência pública no Senado, provocou reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lembrou a promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Sem cerveja, sem picanha e sem luz”.
Alerta técnico da Aneel expõe fragilidade do sistema
Segundo Feitosa, o Operador Nacional do Sistema (ONS) já enfrenta uma rampa de 40 gigawatts (GW) – variação brusca de potência necessária para cobrir a queda da geração solar a partir das 16h. Caso nada mude, a rampa pode chegar a 53 GW em 2028, valor equivalente ao pico de demanda combinado da Espanha e de dois países do porte de Portugal.
A rápida expansão de fontes intermitentes, como usinas eólicas e solares, ocorreu sem aumento proporcional da capacidade de armazenamento ou de termelétricas despacháveis. Quando o sol se põe, o sistema depende de hidrelétricas e térmicas para compensar, ampliando o risco de falha caso um único equipamento crítico apresente problema.
“Se houver uma descoordenação de proteção ou dano em componente essencial, o sistema vai a pique”, alertou Feitosa. O diretor lembrou que, historicamente, as hidrelétricas forneciam potência, flexibilidade e serviços ancilares. Hoje, a matriz se tornou “muito deficitária” nesses atributos.
Além da segurança, o bolso do consumidor também está na mira. Feitosa afirmou que as tarifas tendem a continuar subindo por causa dos subsídios embutidos na conta de luz. Mesmo com energia de sobra em períodos de baixa demanda, o encargo encarece a fatura final para famílias e empresas.
Flávio Bolsonaro critica promessas de Lula
O pronunciamento do diretor da Aneel foi suficiente para o senador Flávio Bolsonaro responsabilizar o governo federal pela falta de planejamento. “Sem cerveja, sem picanha e sem luz”, disparou o parlamentar, parafraseando a promessa feita por Lula durante a campanha de 2022, quando o petista afirmou que devolveria “picanha e cerveja” à mesa dos brasileiros.


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Na visão do senador, o alerta técnico confirma que o Executivo priorizou slogans populistas em vez de garantir segurança energética. “Prometeram churrasco barato, mas a realidade é risco de apagão e tarifa mais alta”, disse, em referência à Medida Provisória 1.304/2025, que limita repasses de custos ao consumidor, mas não resolve a falta de investimentos em geração firme.
Para parlamentares da oposição, a solução passa por novos leilões de capacidade, estímulo à construção de reservatórios e inclusão de sistemas de armazenamento, como baterias de grande porte. A Aneel já sinalizou ao Ministério de Minas e Energia e ao ONS que possui arcabouço regulatório para licitar essas baterias, caso o planejamento oficial confirme a necessidade.
Especialistas apontam caminhos para evitar apagão
Entidades do setor, como a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), defendem atualização dos marcos legais. A presidente da Abrage, Marisete Pereira, citou a “Curva do Pato” – gráfico que ilustra a queda abrupta da geração solar ao entardecer – e destacou que a amplitude diária já chega a 45 GW, podendo superar 50 GW até 2029.

Imagem: Andressa Anholete
Para cobrir essa lacuna, as hidrelétricas precisam entrar em operação instantaneamente, oferecendo cerca de 45 GW médios no horário de pico (14h às 22h). Sem modernização, o despacho emergencial de térmicas encarece ainda mais a conta de luz e aumenta emissões de carbono.
Dentro do governo, técnicos admitem que o armazenamento de energia é “coringa”: absorve excedente ao meio-dia e devolve potência à noite. Todavia, faltam diretrizes claras sobre remuneração de quem instalar baterias em larga escala, o que afugenta investidores.
Cenário fiscal pressiona tarifas
Hoje, subsídios setoriais respondem por parcela expressiva das tarifas. Programas de incentivo cruzado, descontos para determinados consumidores e benefícios regionais somam bilhões de reais por ano, transferidos diretamente para a fatura. Feitosa foi enfático: “Com o nível atual de encargos, as tarifas não vão parar de crescer”.
A MP 1.304/2025 tenta segurar parte desses repasses, mas parlamentares apontam risco de insegurança jurídica e judicialização. Enquanto o impasse persiste, o consumidor segue exposto a aumentos e a eventual racionamento, caso a rampa de potência ultrapasse a capacidade de resposta do sistema.
Para quem acompanha os desdobramentos políticos e regulatórios, vale conferir a cobertura completa em Política, onde novas atualizações sobre o debate energético serão publicadas.
Em síntese, o diagnóstico da Aneel acendeu o sinal vermelho: o Brasil precisa de planejamento sólido, investimentos em geração firme e soluções de armazenamento. Caso contrário, o país corre o risco de trocar a promessa de “picanha” por apagões sucessivos. Acompanhe nosso site para entender como as decisões em Brasília podem impactar sua conta de luz e a segurança do sistema elétrico.
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