Brasília – As empresas estatais controladas diretamente pela União registraram prejuízo próximo de R$ 9 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, mostram dados do Banco Central consolidados pela CNN Brasil. O valor mais que dobra as perdas apuradas no mesmo intervalo de 2024 e encerra um ciclo de resultados positivos observado nos governos Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022).
Prejuízo duplica em relação a 2024
De acordo com o levantamento, os números negativos cresceram 115 % em 12 meses: em agosto de 2024, o déficit acumulado pelas estatais era inferior a R$ 4,2 bilhões. Neste ano, a cifra avançou para perto de R$ 9 bilhões, puxada por empresas do setor de infraestrutura, energia e logística.
O resultado reflete, em parte, aumento de despesas operacionais, expansão da folha de pagamentos e políticas de preços consideradas menos alinhadas ao mercado. Apesar do incremento de receitas em áreas como petróleo e energia elétrica, os gastos avançaram em ritmo mais acelerado, comprometendo o balanço consolidado.
O Banco Central monitora as demonstrações financeiras das estatais federais para aferir possíveis impactos nas contas públicas. Quando essas empresas operam no vermelho, ampliam a necessidade de aportes do Tesouro Nacional ou a emissão de títulos para cobrir eventuais rombos, pressionando a dívida bruta do governo.
Contraste com resultados durante governos Temer e Bolsonaro
O gráfico divulgado pela emissora demonstra que, de 2017 a 2022, o conjunto das estatais manteve-se no azul. O ápice ocorreu em 2021, quando o lucro consolidado ultrapassou R$ 180 bilhões, impulsionado pela valorização do petróleo e por cortes de despesas.
Desde janeiro de 2023, entretanto, as margens vêm encolhendo. A reversão se aprofundou em 2025, primeiro ano completo do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, chegando ao patamar negativo registrado em agosto. Analistas de mercado apontam o retorno de indicações políticas para cargos de direção e alterações nas diretrizes de governança como fatores que impactam a rentabilidade.


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Correios buscam mercado para dívida de R$ 20 bilhões
Entre os casos mais sensíveis está a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A estatal prepara captação no mercado financeiro para gerir um passivo estimado em R$ 20 bilhões. O endividamento cresceu após aumentos de custos operacionais e queda de receita no serviço de encomendas, pressionado pela concorrência privada.
Nos últimos anos, o plano de privatização dos Correios foi citado como alternativa para equilibrar as contas e modernizar a operação. Com a mudança de governo, o processo foi arquivado, e a companhia passou a elaborar um programa interno de reestruturação. Segundo interlocutores do Ministério das Comunicações, a prioridade é renegociar dívidas de curto prazo e retomar investimentos em infraestrutura logística.
Discussão sobre privatizações volta ao centro do debate
O avanço dos prejuízos reacendeu o debate sobre o futuro das estatais. Economistas favoráveis ao enxugamento do Estado defendem a venda total ou parcial de ativos para proteger o patrimônio público de ciclos político-partidários. Argumentam que, sem blindagem adequada, cada mudança de governo pode alterar regras de mercado, impactar preços e reduzir a eficiência operacional.

Imagem: André Coelho
Integrantes da equipe econômica veem espaço para ajustes internos antes de qualquer decisão definitiva. As alternativas incluem revisões de contratos, mudanças no estatuto social para fortalecer mecanismos de compliance e metas de desempenho vinculadas à remuneração de executivos. Para críticos, porém, tais medidas esbarram na interferência política, tradicionalmente maior em períodos de orientação governamental à esquerda.
Perspectivas para 2026
A projeção oficial para o fechamento de 2025 ainda não foi divulgada, mas consultorias financeiras já estimam déficit superior a R$ 10 bilhões caso o ritmo atual persista. O mercado acompanha o processo de escolha de diretores e conselheiros, além de possíveis alterações na política de dividendos de empresas como Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil.
Investidores também observam o impacto do cenário fiscal mais apertado. Se as estatais demandarem aportes adicionais, o Ministério da Fazenda poderá recalibrar metas de resultado primário, o que afetaria a credibilidade da âncora fiscal recém-aprovada no Congresso.
A situação evidencia a importância de governança rígida e critérios técnicos na administração de ativos que pertencem aos contribuintes. Sem essa disciplina, prejuízos recorrentes tendem a recair sobre o erário, limitando recursos para saúde, educação e segurança pública.
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Em síntese, o retorno do déficit nas estatais reforça alertas sobre gestão, governança e peso fiscal. Acompanhe nossas atualizações, compartilhe a matéria e participe do debate sobre o papel do Estado na economia.
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