Brasília, 17 out. 2023 — O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou a intenção de montar novas brigadas de militantes latino-americanos para atuar na Venezuela, país governado por Nicolás Maduro e hoje sob crescente atrito diplomático com os Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo dirigente nacional João Pedro Stédile em entrevista à Rádio Brasil de Fato, logo após sua participação no Congresso Mundial em Defesa da Mãe Terra, realizado em Caracas entre 8 e 10 de outubro.
Plano de envio de militantes
De acordo com Stédile, representantes de diversos movimentos de esquerda da região avaliam a criação de uma força “internacionalista” que possa se deslocar rapidamente para território venezuelano “no menor prazo possível”. O dirigente declarou que o grupo pretende “se colocar à disposição do governo e do povo venezuelano” diante de uma eventual escalada militar envolvendo Washington.
Segundo ele, os integrantes não receberão treinamento bélico. A proposta é atuar em tarefas auxiliares, como plantio de alimentos, preparo de refeições para soldados e apoio logístico em caso de agressão externa. Ainda assim, o próprio Stédile admitiu que os voluntários permaneceriam “ao lado do povo” caso a Venezuela seja “invadida” pelos Estados Unidos, numa clara alusão à possibilidade de confronto direto.
Fontes do MST ressaltam que as conversas internas continuam. Em nota divulgada no sábado (18), a assessoria do movimento afirmou que a ideia está em “fase de discussão” e que não há decisão final sobre o formato ou o número de participantes.
Histórico de atuação do MST em solo venezuelano
Nesta década, o MST já enviou grupos para projetos agrícolas na Venezuela. Um dos mais citados é o “Gran Pátria del Sur”, lançado em 2022 com a justificativa de promover a produção de alimentos “saudáveis” ao lado de famílias locais. A entidade descreve a iniciativa como “produtiva e agroecológica”. Agora, porém, o foco das novas brigadas tende a se ampliar para suporte político e logístico ao regime de Maduro, em meio a tensões com os Estados Unidos.
O anúncio ocorre num momento em que Caracas denuncia sanções norte-americanas e ameaça de embargo total a seu petróleo. Washington, por sua vez, mantém acusações de violações de direitos humanos, fraude eleitoral e perseguição a opositores dentro do país sul-americano.


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Mobilização regional e próximos passos
Stédile indicou que movimentos de países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia e México já foram consultados e poderão integrar o contingente. A composição exata das delegações será definida em reuniões a ocorrer “nos próximos dias”, segundo o dirigente.
Mesmo sem formação militar, os voluntários se dizem dispostos a operar em áreas rurais e urbanas, cumprindo funções essenciais de retaguarda. O MST acredita que a presença de estrangeiros engajados em tarefas sociais pode reforçar a narrativa de resistência nacional do governo Maduro e servir de dissuasão frente a pressões externas.
No Brasil, o movimento rural tem ligação histórica com partidos e organizações alinhados à esquerda. A iniciativa de enviar militantes a um país estrangeiro reabre o debate sobre os limites da atuação de grupos civis em conflitos internacionais e sobre possíveis implicações diplomáticas para o governo brasileiro, ainda que Brasília não tenha endossado a proposta.

Imagem: Internet
Análise institucional e reação pública
Até o momento, não há posicionamento oficial do Itamaraty acerca do recrutamento promovido pelo MST. Parlamentares de oposição ao governo Lula já sinalizam que podem solicitar esclarecimentos formais ao Ministério das Relações Exteriores sobre eventual autorização de envio de cidadãos brasileiros a um possível cenário de combate.
Especialistas consultados por veículos nacionais apontam que, mesmo sem armamento, a organização de brigadas sob orientação de um movimento político pode ser interpretada como ingerência em assuntos soberanos de outro país e violar normas internacionais se houver participação em hostilidades.
No entanto, Stédile sustenta que o esforço é “solidário” e não contraria legislações vigentes, pois se limita a atividades humanitárias e produtivas. Ele não informou quantas pessoas já demonstraram interesse nem quais critérios de seleção serão adotados.
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Em resumo, o MST deu o primeiro passo para expandir sua presença na Venezuela, agora oferecendo apoio logístico ao regime de Maduro em possível conflito com os EUA. Nas próximas semanas, as tratativas internas definirão o tamanho e a data de partida das brigadas. Continue voltando ao nosso site para saber como a iniciativa evolui e quais repercussões surgirão em Brasília.
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